Investir em opções: o que é e como funciona

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Você já ouviu falar em opções? Não, não nos esquecemos de uma palavra no fim dessa pergunta. Da mesma maneira que investimos em ações, é possível aplicar em opções, e esses dois mercados estão diretamente relacionados. Mas afinal como funciona esse tipo de aplicação?

Investir em opções, basicamente, é possuir um contrato com o direito de comprar ou vender um ativo (ações e moedas, por exemplo) a um determinado preço em uma data futura também pré-estabelecida. Na prática, negocia-se no mercado financeiro o direito da operação de compra ou venda de um bem — chamado de “ativo subjacente” — a um preço estabelecido no momento da realização do contrato.

Opções costumam ser usadas por investidores que aplicam em ações para proteger seus papéis ou para especular

As opções costumam ser usadas por investidores que aplicam em ações (leia mais sobre investimento na bolsa de valores aqui) de duas maneiras. Primeiro, como uma maneira de proteger seus papéis contra eventuais perdas devido às tradicionais oscilações dos ativos no mercado de renda variável. Segundo, como uma maneira de especular apostando na futura alta ou baixa do preço do ativo subjacente.

Como funcionam as opções?

Ao adquirir uma opção, o comprador, também conhecido como titular, terá o chamado “direito do exercício”, ou seja, de realizar a compra de determinado ativo, mas o investidor não é obrigado a exercer esse direito. Na aquisição, é pago um prêmio, que não é o preço do ativo, mas sim um valor para ter a possibilidade de realizar a operação no prazo previamente definido. Ou seja, o prêmio é o preço não da ação, mas da própria opção.

Ao contrário do comprador, o vendedor da opção, também chamado de lançador, terá a obrigação de atender ao direito de exercício, caso o titular opte por dar sequência à aquisição do bem.

Um exemplo ajusta a ilustrar o funcionamento desse mercado. Imagine que as ações ordinárias da Petrobras estejam cotadas a R$ 20. Você até cogita comprar os papéis da estatal, mas está sem dinheiro neste momento, porém terá recursos daqui a dois meses e acredita na valorização das ações nesse período. É aí que o investimento em opções entra como uma alternativa.

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Caso você adquira por R$ 2 o direito de exercer a compra das ações a R$ 20, três cenários são possíveis ao final dos dois meses. No primeiro deles, se os papéis subirem e atingirem, por exemplo, R$ 25, você terá o direito de comprá-los por R$ 20 (a cotação no dia em que a opção foi adquirida). Assim, o lucro será de R$ 3 por ação, uma vez que é preciso descontar o preço gasto para investir nas opções (R$ 2).

Em um segundo cenário, no qual as ações da Petrobras registrem ganhos até bater a cotação de R$ 22 no vencimento da opção, você exercerá o direito de compra dos papéis e, com isso, sairá sem prejuízo. Finalmente, na hipótese de as ações despencarem durante os dois meses a um preço de R$ 16, exercer o direito de compra não faria sentido, já que os papéis estão abaixo da cotação inicial. Nesse caso, o investidor terá apenas o prejuízo de R$ 2 por ação, ou seja, o valor gasto com as opções.

Códigos de negociação de opções

Assim como ações, as opções são negociadas diretamente na Bolsa e podem ser pesquisadas como outros ativos, a partir dos códigos que os identificam no mercado. Diferentemente dos papéis das companhias abertas, que têm quatro letras e um número indicando se é uma ação ordinária (ON) ou preferencial (PN), um código de opções conta com cinco letras e um numeral.

As quatro primeiras letras representam o código da ação (por exemplo, PETR4, para os papéis PN da Petrobras), seguidas por uma quinta letra que indica se é uma opção de compra ou de venda e o mês de vencimento. Já o numeral costuma ter relação com o valor final que se espera que o papel tenha. No entanto, essa regra não é obrigatória. Por isso, o investidor precisa ficar muito atento antes de investir em opções.

O vocabulário do investimento em opções

O vocabulário peculiar desse mercado é outro aspecto que merece ser estudado pelo investidor. As expressões abaixo são comuns no jargão de quem investe em opções:

Call: opção de compra de um papel;

Put: opção de venda de um ativo;

Prêmio: valor pago pelo contrato;

Titular: quem compra a opção;

Lançador: quem vende (ou “lança”) a opção no mercado;

Strike: preço final pelo qual que poderá ser exercida a opção.

Riscos

Como qualquer aplicação, o investimento em opções embute riscos, e o principal deles tem a ver com a volatilidade desse mercado. As oscilações das ações, moedas ou de outros ativos na bolsa devem ser levadas em conta. Ou seja, o titular das opções pode perder a totalidade do capital investido. De fato, isso acontece sempre que no data final do contrato o preço do ativo subjacente estiver abaixo (no caso de uma call) ou acima (no caso de uma put) do preço de exercício (strike price). Já o lançador das opções tem um risco adicional: ele se compromete a entregar os ativos no vencimento.

Opções são um ativo de alta volatilidade: é possível perder a totalidade do capital investido

Ao investir em opções, também é importante considerar o risco de liquidez. Caso o investidor compre um contrato com baixa liquidez, pode ser obrigado a vendê-lo com deságio e, consequentemente, terá de abrir mão de parte de seu lucro.

É fundamental ainda ficar atento ao prazo de vencimento das opções. No caso das opções de ações, elas vencem na terceira segunda-feira de cada mês, sendo negociadas até a última sexta-feira anterior.

Custos

Os custos embutidos em uma operação de opções são iguais ao do investimento em ações. Existe a chamada taxa de corretagem, cobrada pela corretora por onde você faz a aplicação e cujo percentual pode ser fixo ou variável – a taxa também é proporcional ao volume de operações feitas. Outra despesa é a taxa de custódia, cujo percentual varia conforme a instituição escolhida. Nas operações ainda incidem os chamados emolumentos (tarifas), esses cobrados pela BM&FBovespa.

Tributação

Assim como no investimento em ações, as opções têm cobrança de Imposto de Renda (IR). A mordida do Leão é de 15% sobre o rendimento líquido e de 20% para quem fizer operações de “daytrade”, ou seja, compra e venda de um ativo no mesmo dia.

Mas ao contrário da aplicação em ações, em que há isenção do IR para lucros inferiores a R$ 20 mil em um único mês, no mercado de opções o investidor não tem esse benefício tributário.

Vantagens e desvantagens

Vantagens

Possibilidade de ganhos no curto prazo: o investimento em opções tem chance de alavancar os ganhos com alto potencial de rentabilidade no curto prazo e com a possibilidade de proteger a aplicação diante das oscilações dos papéis no mercado
Estruturação de estratégias: é possível estruturar diversas estratégias, com a possibilidade de operar com opções de diferentes ativos, como ações e moedas, embora o mais comum sejam as opções de ações

Desvantagens

Alta volatilidade: é um entrave para quem deseja construir patrimônio e não especular

Complexidade: o funcionamento do mercado de opções deve ser levado em conta pelo investidor antes de resolver destinar uma fatia do patrimônio para essas operações

Possibilidade de perda total do valor aplicado: caso a opção comprada não seja exercida até a data do vencimento, o investidor corre o risco de perder todo o montante aplicado.

Investir em opções pode ser um caminho para o investidor que busca alavancar os ganhos com alto potencial de rentabilidade no curto prazo e com a possibilidade de proteger a aplicação diante das oscilações dos papéis no mercado. Isso significa se defender da perda de valor do capital investido.

Outra vantagem é estruturar diversas estratégias, com a possibilidade de operar com opções de diferentes ativos, como ações e moedas, embora o mais comum sejam as opções de ações.

Para quem tem o objetivo de construir patrimônio e não de especular, a alta volatilidade do mercado tende a ser uma das principais desvantagens desse tipo de investimento. Isso porque, caso a opção comprada não seja exercida até a data do vencimento, o investidor corre o risco de perder todo o montante aplicado. A validade desses ativos é outro ponto negativo, afinal as opções expiram em curtos períodos.

O próprio funcionamento do mercado de opções deve ser levado em conta pelo investidor antes de resolver destinar uma fatia do patrimônio para essas operações.

Afinal, existem veículos de investimento mais práticos e seguros que fazem o dinheiro se multiplicar durante o tempo. Ou seja, as opções não são a melhor forma de garantir rentabilidade para seus investimentos no longo prazo. Para esse objetivo, as ações costumam ser mais eficazes, desde que a carteira seja montada com apoio de profissionais.

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