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12 de Janeiro de 2017 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Investir na poupança vale a pena?

12 de Janeiro de 2017

A caderneta de poupança está praticamente no DNA do investidor brasileiro. Quem nunca ouviu dos pais ou dos avós a frase “guarde um pouco do seu salário na poupança”? Tanto é que a tradicional caderneta se tornou sinônimo, em muitos casos, para a ação de poupar dinheiro. Apesar da tradição, será que investir na poupança vale a pena?

Mesmo com a evolução do mercado financeiro e dos tipos de investimento oferecidos, a poupança ainda mantém lugar cativo na cesta de aplicações de boa parcela dos brasileiros. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), 38% de todos os recursos aplicados em bancos de varejo — como Itaú, Banco do Brasil, Bradesco e Santander — estão aplicados na poupança. No final de 2014, eram 48%1.

Investir na poupança: segurança, liquidez e isenção de imposto

Mesmo com um cardápio mais farto de produtos de investimento, a caderneta de poupança conquista o paladar do aplicador com ingredientes como segurança, isenção de Imposto de Renda (IR) e praticidade.

Para fechar, a cereja do bolo: a facilidade de resgatar o dinheiro a qualquer momento, conhecida como liquidez. Não à toa essa combinação atrai o investidor, principalmente quem não deseja correr riscos.

Poupança vale a pena? O problema é o rendimento baixo

Mesmo com os atributos citados, a caderneta vem deixando de lado seu brilhantismo nos últimos anos. A mudança das regras do rendimento da poupança, em maio de 2012, foi uma espécie de divisor de águas nesse sentido.

Os depósitos realizados a partir daquela data passaram a respeitar os seguintes critérios de cálculo:

  •  Se a taxa de juros básica (Selic) for menor ou igual a 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic mais a TR (Taxa x Referencial);
  • Caso a Selic seja superior a 8,5% ao ano, investir na poupança tem rentabilidade fixa: 0,5% mais a TR.

O fato é que, de julho de 2013 – quando a Selic estava em 8,5% ao ano – até outubro de 2016 (ou seja, mais de três anos), a taxa básica de juros foi subindo mês a mês, batendo 14,25%. Esse percentual vigorou de julho de 2015 a outubro de 2016, quando o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu reduzir a Selic para 14%. Desde então, os juros vêm caindo e o rendimento da poupança está cada vez menor. 

O rendimento da poupança nos últimos anos

Mas o que tudo isso tem a ver com o rendimento da poupança? Simples: a alta dos juros nos últimos anos tentou conter a escalada da inflação no país. Em 2015, para se ter uma ideia, a inflação fechou o ano em 10,67%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Naquele ano, a poupança rendeu 8,07%, ou seja, a rentabilidade real (descontada a inflação) foi negativa. Em 2016, a caderneta teve uma leve recuperação e fechou o ano com retorno de 8,3%, rendimento que superou a inflação de 6,29%. Em 2017, com a inflação em 2,95%, o rendimento da poupança foi de 6,93%.

Apesar disso, a caderneta de poupança continua perdendo em rentabilidade para outros tipos de investimento. Investir na poupança não é uma boa ideia, até porque o rendimento é mensal e não diário, como veremos em seguida.

Você sabia? A forma de cálculo da rentabilidade da poupança foi alterada em 2012 para manter a sua rentabilidade sempre abaixo da Selic. Com a queda da Selic em 2012, a poupança ficaria mais rentável que outros investimentos de renda fixa, e “puxaria” uma parcela ainda maior das economias dos brasileiros. Para evitar essa concentração de dinheiro na poupança, as regras foram alteradas, deixado a poupança menos atraente para o investidor.

Investimento seguro que rende mais que a poupança

Além de render mais se comparado a investir na poupança, os títulos públicos são ainda mais seguros que a tradicional caderneta. Oi? Sim, você não leu errado. Diferentemente da poupança, em que há o risco de o banco falir e você ficar protegido apenas no limite de R$ 250 mil oferecidos pelo FGC, no caso dos papéis emitidos pelo Tesouro Nacional, esse risco é baixíssimo, quase inexistente.

Em outras palavras, os títulos públicos são o investimento mais seguro do mercado, pois são garantidos 100% pelo Tesouro Nacional, considerado o melhor credor da economia.

Tesouro Selic: tem liquidez e rende mais

Na “família” de papéis oferecidos na prateleira do Tesouro Direto, plataforma de compra e venda de títulos públicos pela internet, o Tesouro Selic se destaca por ter a menor volatilidade na comparação aos seus “irmãos”. Além de seguir a taxa básica de juros da economia (Selic), esse título acompanha o Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI), referencial das aplicações conservadoras. Por isso, o Tesouro Selic não sofre com as variações nos juros.

É o papel mais indicado para o investidor que precisa de liquidez, ou seja, caso surja um imprevisto ou uma emergência, é possível sacar os recursos aplicados antes do vencimento sem levar susto com o rendimento no período. Essa característica faz do Tesouro Selic uma opção à poupança.

Quanto rendem os títulos do tipo Tesouro Selic? Confira no Simulador do Tesouro Direto

Trocando em miúdos: tudo o que a caderneta oferece de vantajoso (segurança, praticidade, facilidade e liquidez) pode ser obtido com o investimento no título público.

Sem contar que o rendimento do Tesouro Selic é diário, enquanto a poupança tem rentabilidade mensal. Sabia disso? Pois é, na poupança seu dinheiro só rende quando o depósito fizer o chamado “aniversário”. Antes de um mês, os recursos investidos não rendem nada. Além disso, se as aplicações forem realizadas em diferentes dias do mês, a remuneração de cada depósito seguirá uma data de aniversário específica.

Para ajudar você a sair da poupança, preparamos este tutorial:

Uma outra opção para quem quer sair da poupança mas gostaria de continuar investindo com o banco são os CDBs de liquidez diária e os fundos DI, que são aplicações de renda fixa, baixo risco e liquidez.

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Autores

Jornalista especializado em economia e finanças pessoais, Danylo escreve para o jornal Valor Econômico, portal UOL e revista VOCÊ S/A, além do seu blog Economia Sem Enrosco e de colaborar com o blog da Vérios

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