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19 de junho de 2018 Ultima atualização: 19 de julho de 2018

Neymar foi um bom investimento?

19 de junho de 2018

No mundo dos investimentos, análises de risco, retorno e liquidez ajudam a compreender se uma determinada aplicação financeira vale a pena. No futebol, como funciona isso?

É comum ver torcedores de diversos clubes de futebol se perguntarem:

Vale a pena investir em determinado jogador?

Esse questionamento abre brechas para uma enorme possibilidade de desdobramentos. É comum apontar que, com o dinheiro gasto para trazer tal reforço ao time, seria possível contratar três ou quatro atletas. O fato é que apenas 11 jogadores iniciam uma partida e, no máximo, mais três podem entrar em campo no decorrer de um jogo de futebol.

Essa necessidade de ter os melhores e mais decisivos atletas fez o valor gasto com a aquisição de jogadores pelos maiores clubes de futebol disparar nos últimos anos.

Um bom exemplo é o caso do atacante brasileiro Neymar, que trocou o Barcelona da Espanha após a temporada 2016/2017 para assinar com os franceses do Paris Saint-Germain (PSG), na transferência entre clubes mais cara da história do futebol.

Fora dos campos, o retorno foi visível

Duzentos e vinte e dois milhões de euros foi o valor investido no craque. Algo em torno de 960 milhões de reais, na cotação atual.

O PSG recuperou boa parte desse investimento com o aumento da venda de camisas 10, número que Neymar também veste na seleção brasileira. Além disso, a média de público no estádio cresceu cerca de 3% em relação à última temporada, se mantendo como a maior da Ligue 1, o maior torneio de futebol da França.

A exposição do clube na mídia mundial explodiu, gerando um aumento no número de apaixonados pela marca do PSG e aumentando sua visibilidade internacional. No Brasil, por exemplo, até mesmo os valores de exibição da Ligue 1 nos canais fechados passaram a ser influenciados pela presença ou não de Neymar nos jogos.

Apesar de todos esses resultados, a pergunta central quando o tema é futebol deve ser: dentro de campo, Neymar deu resultado? Essa resposta é mais difícil de cravar.

Mas e nos gramados?

Na Ligue 1, o Paris Saint-Germain nadou de braçada. Algo bem diferente do que aconteceu na temporada 2016/2017, quando, mesmo sendo o favorito e o time com maior investimento, foi superado em oito pontos (95 a 87) pelo Mônaco, ficando com o vice-campeonato.

Pode-se dizer que a união de Neymar com os demais talentos dos clubes deixou a diferença técnica gritante diante dos concorrentes.

A temporada 2017/2018 terminou com uma vantagem de 13 pontos (93 a 80) sobre o Mônaco, um título conquistado com rodadas de antecedência. O número de gols marcados saltou, em uma temporada, de 83 para 108 – um aumento de 30% — e, para coroar, ainda terminou com Neymar sendo eleito o melhor jogador do torneio.

Nos torneios com fases eliminatórias, onde a ausência em um embate decisivo pesa mais do que em um jogo de pontos corridos, a influência de Neymar foi limitada. O atleta sofreu uma lesão no final de fevereiro, justamente em uma partida da Champions League, a Liga dos Campeões, campeonato que é o grande sonho de consumo dos mandatários da equipe parisiense. Já na Liga da França, a ausência do craque pouco importou e o clube foi campeão vencendo todos os seus seis jogos realizados.

É importante apontar que, apesar de todo o trabalho feito, a imprevisibilidade do futebol sempre pesa. Em certos aspectos, é como o comportamento de um investimento em renda variável.

Neymar fez 30 jogos com a camisa do PSG na temporada. Foram 26 vitórias e um empate, e a equipe anotou 106 gols, uma média superior a 3,5 por partida.

Esses números ajudaram a equipe a se manter na liderança do Grupo B na Champions League, com 15 pontos (dos seis jogos, o time perdeu apenas o último, quando já estava classificado). Assim, enfrentaria um dos segundos colocados nas oitavas de final (em tese, seria o favorito). Porém, sem sorte, bateu de frente justamente com o Real Madrid, que viria a erguer a taça dourada meses depois. O acaso foi ainda mais triste para o clube que, logo no embate mais esperado do ano, perdeu Neymar, machucado.

Se levarmos em conta somente em comparação os números do brasileiro, a média de gols saltou de 0,56 no Barcelona (105 gols em 186 partidas) para 0,97 no PSG (29 gols em 30 jogos).

Média de gols por jogo de Neymar no Santos, Barcelona, PSG e na seleção brasileira

Tabela comparativa de gols do Neymar no Santos, Barcelona, PSG e na seleção brasileira

Entretanto, analisados de forma isolada, esses dados não levam para a direção correta.

Neymar conquistou a Champions League e o Mundial de Clubes na agremiação espanhola, onde não era a maior estrela do grupo e tinha uma constelação de jogadores acostumados a erguer troféus. Sua média de gols era menor, porém diante de adversários mais fortes – das últimas 15 edições, um clube espanhol ganhou oito vezes a Champions League e nove vezes a Liga Europa da UEFA.

Ponderando os fatos, o Paris Saint-Germain ficou distante de seu sonho de conquistar a Champions, mas a chegada de Neymar fez com que a obrigação da equipe fosse concluída de maneira muito tranquila.

Assim como nos investimentos financeiros, o investidor precisa ajustar e moldar sua forma de agir de acordo com as metas que tem em mente. Neymar trouxe um enorme retorno de mídia e visibilidade ao PSG. Também garantiu excelentes resultados dentro de campo, mas, sem um grupo à altura, ainda não foi capaz de colocar o clube no primeiro escalão do futebol europeu.

No futebol, comparar os investimentos não serve como referência

Também na janela de transferências feitas pelos clubes de futebol em 2017, o belga Romelu Lukaku movimentou o mercado na Inglaterra ao deixar o Everton e ir para o Manchester United. O valor beirou os 85 milhões de euros, estando no ranking das 10 mais caras transações de jogadores já realizadas entre clubes de futebol.

Lukaku joga na seleção da Bélgica, que, apesar de ter uma talentosa geração, ainda não é uma seleção vencedora — consequentemente, não chama tanta atenção como a brasileira. O craque fez a mesma média de gols por partida com a camisa do Manchester United que Neymar fez com a do Barcelona: 0,56.

Contudo, atuando na Premier League – a liga que movimenta os maiores valores no futebol mundial atualmente –, o Manchester United ficou bem distante de qualquer taça, caindo também nas oitavas das Champions League após liderar sua chave na primeira fase (e ainda teve que ver o rival local, Manchester City, triunfando no campeonato local).

No entanto, ao contrário do “efeito Neymar” no PSG, o jovem jogador belga pouco acrescentou à exposição do time inglês, dono da maior torcida do país e a marca mais valiosa do mundo futebolístico em 2017.

A verdade é que, no futebol, cada caso é um caso e as comparações não ajudam muito. Um investimento quase três vezes maior não necessariamente irá render três vezes mais. E isso não pode ser considerado negativo, tendo em vista que um detalhe, uma jogada, pode definir um título dentro do mundo do futebol.

Dentro de campo, os números – apesar de similares – escondem que o brasileiro atua em uma posição diferente (atacante), quando Lukaku joga como centroavante. Dessa forma, o talento do brasileiro, além de ser uma liderança técnica, gera muito mais lances que culminam gol, penduram adversários com cartões, entre outros fatores importantes quando a bola está rolando.

Leia também: Copa do Mundo 2018: que países têm mais chances de ganhar?

Crédito da imagem: Wikimedia Commons

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19 de junho de 2018
Ultima atualização: 19 de julho de 2018

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Formado em Esporte e em Jornalismo, Eduardo é jornalista especializado na cobertura de futebol. Atualmente, é repórter no site da Federação Paulista de Futebol

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