Mercado financeiro: o que é isso?

Sabia que o dinheiro que você tem na conta corrente é usado pelo banco como recurso para concessão de crédito a pessoas físicas e empresas que precisam de empréstimos? Então, quer dizer que a quantia “some” da sua conta? Não. Até porque se você tiver saldo disponível, conseguirá sacar na hora em que precisar. O dinheiro entra numa cadeia de troca de recursos que as instituições financeiras promovem entre si e junto aos clientes. Ficou confuso?

Funciona assim: o João tem recursos sobrando e, por isso, aplica o dinheiro para que ele renda ao longo do tempo. Por outro lado, a empresa XPTO precisa de recursos para comprar máquinas e equipamentos. Portanto, ela buscará um empréstimo. De maneira simplificada, mas bem simplificada, é que o João “empresta” o recurso que tem a mais à empresa XPTO. Claro que esse processo não ocorre diretamente. É necessário ter a participação de um intermediário para criar o elo entre esses agentes.

Nesse caso, o João é poupador ou investidor, enquanto a XPTO é tomadora de recursos. Já o banco funciona como um intermediário para que as transações ocorram. E trocas como essas acontecem a todo o momento num ambiente conhecido como mercado financeiro.

O que é mercado financeiro

Numa definição mais formal, o mercado financeiro é um ambiente que reúne tomadores de recursos (agentes deficitários), investidores (agentes superavitários), instituições financeiras, além dos próprios produtos e instrumentos (crédito e investimentos, por exemplo) que são transacionados entre esses agentes, os poupadores e os tomadores.

Para que essas negociações ocorram de maneira mais ampla, o mercado financeiro brasileiro (também chamado de Sistema Financeiro Nacional) se divide em quatro grandes mercados:

Mercado monetário

Nesse mercado, ocorrem as operações de transferências de recursos no curtíssimo prazo, geralmente com prazo de um dia, como as realizadas entre as próprias instituições financeiras (no chamado mercado interbancário) ou mesmo entre as instituições e o Banco Central (BC).

O mercado monetário tem como principal objetivo o controle da liquidez da economia, ou seja, se o volume de dinheiro estiver maior que o desejado pela política monetária – estabelecida pelo BC –, a autoridade monetária intervém no mercado vendendo títulos e retirando moeda do mercado. Com isso, reduz-se a liquidez da economia. O movimento contrário também é possível: caso a quantidade de recursos esteja abaixo do necessário, o BC compra títulos e injeta moeda no mercado, restabelecendo a liquidez desejada.

Mercado de câmbio

É o mercado onde são realizadas as trocas de moedas estrangeiras (como dólar) por moeda nacional (o real). Participam desse mercado todos os agentes econômicos, por exemplo, grandes empresas que fazem transações com o exterior, ou seja, têm recebimentos ou pagamentos a serem efetuados em moeda estrangeira. O Banco Central também é responsável pela administração, fiscalização e controle das operações de câmbio.

Mercado de crédito

Trata-se do segmento do mercado financeiro em que as instituições financeiras captam recursos de investidores e os emprestam a pessoas físicas ou empresas. Com isso, as instituições são remuneradas pela diferença entre o custo de captação (quanto vão oferecer de rentabilidade ao investidor) e a taxa de juros cobrada dos tomadores. Essa diferença é conhecida como spread. Em geral, são formalizados por contratos, e as instituições (bancos comerciais e financeiras) assumem o risco de crédito das operações.

Empréstimo pessoal, cheque especial e desconto de duplicatas são alguns dos exemplos de operações realizadas no mercado de crédito. O BC também controla, fiscaliza e estabelece normas para este mercado.

Mercado de capitais

Para desenvolver projetos de crescimento do negócio, as empresas precisam de capital. Esse dinheiro pode ser obtido, por exemplo, por meio de captação mercado de capitais. Os recursos podem ser direcionados para investimentos como aquisição de outras empresas ou mesmo para alongar o prazo de suas dívidas. E quem faz o “empréstimo” dos recursos às companhias são os investidores, que veem essa quantia se valorizar ao longo do tempo.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é o principal órgão responsável pelo controle, normatização e fiscalização deste mercado.

Principais instituições do mercado financeiro

O mercado financeiro conta com entidades normativas, supervisoras e operacionais. São elas que vão definir as políticas e diretrizes do Sistema Financeiro Nacional (SFN), supervisionar as práticas do mercado e fazê-lo funcionar da maneira mais adequada, com base em legislação e regulação próprias.

Veja, abaixo, como funcionam as principais entidades normativas:

– Conselho Monetário Nacional (CMN): é o órgão deliberativo máximo do SFN. Composto pelo ministro da Fazenda, pelo ministro do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, o CMN tem função normativa.

– Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP): entre as diversas atribuições, o CNSP fixa diretrizes e normas da política de seguros privados, regula a constituição, organização, funcionamento e fiscalização das companhias seguradoras, empresas de capitalização, entidades abertas de previdência privada e corretoras de seguros.

– Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC): tem a função de regular o regime de previdência complementar operado pelas entidades fechadas de previdência complementar, conhecidas como fundos de pensão.

Confira agora os principais órgãos responsáveis pela supervisão dos mercados:

Banco Central do Brasil (BC)

É responsável por executar as normas e diretrizes estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Entre outras, são tarefas do BC:

  • Executar a política monetária com uso de títulos do Tesouro Nacional, cuidando da quantidade de moeda disponível na economia;
  • Fixar a taxa de referência para as operações compromissadas de um dia, conhecida como taxa Selic;
  • Controlar as operações de crédito das instituições que compõem o Sistema Financeiro Nacional;
  • Autorizar o funcionamento das instituições financeiras e fiscalizá-las;
  • Emitir papel-moeda;
  • Manter o nível de preços (inflação) sob controle;
  • Administrar as reservas internacionais brasileiras.

Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

Vinculada ao Ministério da Fazenda, a CVM é uma autarquia responsável por regulamentar, fiscalizar e desenvolver o mercado de capitais (também conhecido como mercado de valores mobiliários) no Brasil. São atribuições da CVM, por exemplo:

  • Estimular a formação de poupança e a sua aplicação em títulos e valores mobiliários;
  • Fiscalizar o funcionamento eficiente das bolsas de valores, do mercado de balcão e das bolsas de mercadorias e futuros;
  • Evitar ou coibir modalidades de fraude ou de manipulação que criem condições artificiais de demanda, oferta ou preço de ativos negociados no mercado;
  • Credenciar e fiscalizar administradores de carteiras, agentes autônomos de investimento, gestores de recursos, consultores de investimentos, entre outros participantes do mercado;
  • Fiscalizar companhias abertas e fundos de investimento.

Instituições financeiras

As instituições financeiras são consideradas as entidades operadoras do Sistema Financeiro Nacional. Entre os principais integrantes desse grupo, podemos destacar: bancos comerciais, bancos múltiplos, bancos de investimentos, a Caixa Econômica Federal, financeiras, cooperativas de crédito, corretoras de câmbio e de investimentos.

A Vérios, por exemplo, é uma administradora de carteira de valores mobiliários (gestora de investimentos) credenciada pela CVM. No entanto, os recursos financeiros das pessoas que investem nunca passam por contas da Vérios. Por isso, para fazer a gestão automática de carteiras de investimentos, a Vérios tem parceria com a corretora Rico, instituição financeira autorizada pelo Banco Central e supervisionada pela CVM e pela B3 (antiga BM&FBovespa).

Ficou claro esse resumo? Embora esse tipo de conhecimento não seja ensinado na escola, entender como funciona o mercado financeiro e as instituições e órgãos que o compõem pode facilitar a sua vida ao lidar com as palavrinhas difíceis que aparecem na hora de tomar decisões que vão desde pedir um empréstimo a fazer um investimento.

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