Nível dos reservatórios: a situação é pior do que você imagina

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As grandes questões do país sempre permeiam as conversas com nossos clientes e com os gestores de diversos fundos de investimento. Economia, mobilidade, moradia frequentemente fazem parte dessas conversas. Nas últimas semanas, a preocupação com uma possível falta de água foi um tema recorrente.

Como gostamos muito de dados e análises, resolvemos buscar informações objetivas para entender qual é o verdadeiro tamanho do problema. E a conclusão foi um pouco assustadora.

Os dados mostram que a situação atual é mais preocupante que aquela enfrentada em 2003

O Sistema Cantareira é o maior dos administrados pela Sabesp, e um dos maiores do mundo. Ele atende cerca de 9 milhões de pessoas, quase metade da população da Região Metropolitana de São Paulo. É responsável pelo abastecimento de água nas zonas Norte e Central, partes das Zonas Leste e Oeste, além dos municípios de Franco da Rocha, Francisco Morato, Caieiras, Osasco, Carapicuíba e São Caetano do Sul, e parte dos municípios de Guarulhos, Barueri, Taboão da Serra e Santo André.

Sabendo disso, pegamos os dados sobre o nível de chuvas (pluviometria) na bacia que abastece o Sistema Cantareira e comparamos com dados divulgados pela Sabesp.

Atualização: Teve início, no dia 15 de maio, a captação de águas da reserva técnica da represa Jaguari-Jacareí, que compõe o Sistema Cantareira. Com isso, o nível do Sistema Cantareira foi acrescido de 182,5 bilhões de litros de água, o que fez com que o nível do sistema subisse 18,5% a partir do dia 16 de maio. Saiba mais no site da Sabesp.

Nos últimos 12 meses, as chuvas têm sido bastante escassas em São Paulo, atingindo o menor volume acumulado desde o início da série de dados divulgados pela Sabesp (2003). 

Em novembro de 2003, o volume armazenado atingiu perigosos 1,6% da capacidade total do Sistema Cantareira. Na data de publicação deste texto, próximo do fim do mês de abril de 2014, estávamos com 12,0% da capacidade.

Mas esse número não deve ser avaliado sozinho. É importante notar que as chuvas são sazonais. Ao longo do ano, existe uma época de chuvas e uma época de seca. Para facilitar a compreensão, criamos um gráfico com as médias históricas de pluviometria para cada mês. Veja: 

Pluviometria: percentual histórico de chuva a cada mês em São Paulo

Pluviometria: percentual histórico de chuva a cada mês em São Paulo
Fonte: Sabesp

Os seis meses de seca (de abril a setembro) respondem historicamente por cerca de 25% do volume de chuva do ano, enquanto os demais meses (de outubro a março) são responsáveis pelos 75% restantes.

75% do volume pluviométrico do ano ocorre num período de apenas seis meses

Ao analisar os dados, percebemos que a situação atual é ainda mais preocupante que aquela enfrentada em 2003. Naquele ano, o volume armazenado atingiu seu mínimo no mês de novembro, ou seja, após o fim do período de seca. As chuvas já haviam recomeçado e as reservas foram refeitas nos próximos meses.

Agora, o cenário é diferente. O volume de chuvas já tem estado abaixo do normal há muito tempo. O volume armazenado já é alarmante, mas estamos apenas iniciando o período de seca. O nível dos reservatórios em abril de 2003 ainda estava acima de 45%, e agora em 2014 temos apenas 12% da capacidade. Esses 12% de reservas que possuímos no fechamento de abril precisam durar por mais 5 ou 6 meses.

E, como sabemos, 2014 não é um ano comum no Brasil. Os meses de junho e julho (no auge da seca!) trarão milhões de turistas, provocando um aumento atípico na demanda pelo abastecimento de água. Imagina na… bem, não é preciso sequer terminar essa frase.

Será que você precisa se preparar para o pior? Vai faltar água quando você reunir os amigos para os jogos da Copa?

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Cofundador da Vérios e diretor de Estratégia de Investimento. Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science, mas pode chamá-lo de "Father of Algorithms" :)

Felipe é cofundador e CEO da Vérios. Atuou por 7 anos como agente de investimento credenciado pela CVM e Ancord e cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil de fundos de investimento. Felipe é advogado pela USP e especialista pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.