Nova novela da Globo: startups sob os holofotes

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É difícil admitir isso, mas ontem nós assistimos ao primeiro capítulo da novela das 7, na Globo. Isso porque a novela tratará do nosso mundo, da nossa realidade. Startups, Vale do Silício e investidores-anjo passarão a ser expressões corriqueiras no cotidiano brasileiro.

Geração Brasil é uma novela com uma sutil diferença. As tramas e o enredo centrais provavelmente seguirão o formato padrão que vem funcionando há décadas, mas o pano de fundo tem um tom de novidade. Desta vez, o protagonista não é um empresário industrial, um fazendeiro, banqueiro, médico ou advogado. É um nerd. Sim, um nerd. Ou geek, como eles preferem ser chamados.

O nerd que habita o imaginário coletivo ainda é um sujeito tímido, com óculos grossos, introspectivo e que sofre bullying na escola. O geek de Geração Brasil é um ídolo, que transformou seu negócio de tecnologia em um império, conquistando fama e fortuna. Murílio Benício, de barba feita e com alguns quilos a menos, interpreta Jonas Marra, um empresário vaidoso e bem sucedido.

A emissora tem uma oportunidade de popularizar o empreendedorismo, a inovação e um perfil de profissional que é uma novidade dessa geração

Seus semelhantes são Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg e Linus Torvald. O cenário aspiracional é o Vale do Silício na Califórnia, a Meca da tecnologia. Com essa proposta, esperamos que a novela mostre um pouco dessa geração que não lê manuais, mas absorve uma infinidade de conhecimento na web. A geração do profissional dedicado e autodidata, que pensa em negócios e empresas pela ótica do usuário, que idealiza a melhor experiência possível num ambiente conectado.

Por mais que a novela não seja direcionada aos geeks, a escolha do tópico nos anima por um diretor da Rede Globo acreditar que esse tema está começando a fazer parte da realidade brasileira.

As empresas de tecnologia e os negócios digitais já permeiam o seu dia-a-dia, mas você dificilmente pensa sobre os bastidores dos aplicativos e sites nos quais passa horas a fio. A novela deve mostrar um pouco deste mundo, popularizando conceitos que até agora estão restritos a determinados ambientes e grupos.

Sabemos que a emissora precisa prender a atenção de seu público cativo e, para isso, provavelmente fará algumas licenças poéticas para atropelar a realidade. Nem tudo será como na vida real, mas será satisfatório ver caricaturas dos assuntos do nosso dia a dia retratados sob um modelo que é tradicional e relevante na formação da cultura brasileira.

Geração Plano Real

A Geração Brasil confunde-se com a Geração Plano Real. As crianças nascidas nos primórdios da nossa moeda estão completando 20 anos de idade e ingressando no mercado de trabalho. São pessoas que cresceram em um período de estabilização econômica, universalização da educação e surgimento da internet.

Mais escolarizada que a geração anterior, a Geração Plano Real chega com uma bagagem maior e diferente. O acesso a informação e tecnologia permitiu acumular conhecimento e experiência em casa, antes mesmo do primeiro emprego.

As barreiras se flexibilizam, a mobilidade social aumenta. Talentos surgem de todas as classes sócio-econômicas. Jovens com dificuldades financeiras não estão necessariamente destinados a subempregos. As boas escolas ajudam, mas um grande diferencial é obtido por esforço próprio, na frente da telinha (do computador, não da TV). O empenho individual e interesse ganham mais peso na delineação de cada carreira.

Na nossa empresa já temos rebentos dessa geração. Gente inconformada com “as coisas como elas são”. Com poucos recursos financeiros e muitas facilidades tecnológicas, já conseguimos construir produtos e serviços mais eficientes e mais baratos que as alternativas existentes. Apesar da burocracia do mercado financeiro e do Brasil como um todo, conseguimos competir com grandes bancos construídos em cima de montanhas de capital.

O investidor anjo Anibal Messa aportou R$ 250 mil no Buscapé e saiu com R$ 50 milhões

O Brasil, como país em desenvolvimento, ainda não possui muitas histórias de sucesso, mas elas estão se tornando mais frequentes. Já há casos como o de Romero Rodrigues, que fundou e desenvolveu uma empresa do zero, tornando-a líder em seu segmento na América Latina. Para isso, ele contou com a ajuda inicial de investidores como Anibal Messa, que aportou R$ 250 mil no Buscapé e saiu com R$ 50 milhões.

Apesar de já terem sido retradados em jornais e revistas de grande circulação como o Estadão e a Revista Exame, os casos brasileiros de startups, investimento anjo e empreendedorismo tecnológico ainda são desconhecidos do grande público.

A novela, com alcance indiscutível, tem uma oportunidade de popularizar a existência de novos mercados, novas relações de trabalho, novos tipos de carreira e novas formas de fazer negócios. Esperamos que ela faça jus a essa história.

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Ávila é cofundador da Vérios e consultor de investimentos com a certificação CFP®

Cofundador da Vérios e diretor de Estratégia de Investimento. Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science, mas pode chamá-lo de "Father of Algorithms" :)