O custo de aprender ou o risco de confiar?

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Para investir melhor, é preciso compreender profundamente o mercado financeiro, ou recorrer a um especialista. Contudo, esse dilema não é restrito aos seus investimentos. Na medicina, nas suas viagens e em outras atividades corriqueiras, você sempre precisa escolher entre o custo de aprender e o risco de confiar.

O custo de aprender

O conhecimento custa caro. Não estamos falando só do custo monetário. Cursos, exames e experiências podem lhe tirar alguns milhares de reais, mas existe outro custo embutido nessas atividades: seu tempo, dedicação e esforço. Dedicar-se a experimentos ou estudos é uma forma de investir – e, portanto, deve ser pautada pelo potencial de retorno, financeiro ou não.

O esforço e o dinheiro dedicados ao aprendizado sobre qualquer assunto representam um custo elevado

O tempo e o dinheiro dedicados ao esforço de acumular conhecimento sobre qualquer assunto representam um custo de oportunidade, pois esse tempo e esse dinheiro não serão gastos com a família, o lazer, o trabalho ou mesmo com o estudo e acúmulo de conhecimento sobre outros assuntos.

Essa limitação, associada à finitude do nosso tempo de vida, cria um ambiente em que não vale a pena (além de ser impossível) para qualquer indivíduo saber tudo sobre todos os assuntos. Por isso, a evolução direcionou as sociedades humanas para o modelo descrito por Steven Pinker1:

“Em todas as sociedades, o conhecimento especializado é distribuído de modo desigual. Nosso aparelho mental para compreender o mundo, até mesmo para entender o significado de palavras simples, é moldado para funcionar em uma sociedade na qual possamos consultar um perito quando necessário.”

O que o autor explica é que nosso processo de evolução nos adaptou para depender de especialistas. Nas sociedades atuais, os peritos são indispensáveis; e por isso são recompensados com apreço e riqueza, em troca do seu conhecimento. Por esse motivo, trabalhamos em profissões tão especializadas.

Tornar-se um especialista em qualquer área envolve custos, de tempo e dinheiro, e também recompensas, realização pessoal e financeira.

Não vale a pena estudar medicina para diagnosticar suas próprias doenças; é melhor recorrer a um especialista

O custo pode ser menor, em termos de esforço e bem-estar, se o assunto é do seu interesse e desperta a sua curiosidade. É por isso que ouvimos tantos conselhos para trabalhar com algo que nos motive.

Da mesma forma, a recompensa pode ser maior, se o conhecimento que se adquire for útil em diversas áreas de nossas vidas, como acontece com as habilidades matemáticas, de linguagem e auto-expressão, entre outras.

O estudo sobre o mercado financeiro, porém, geralmente não se aplica em outras atividades. As suas regras servem apenas no próprio mercado financeiro. E pela complexidade do tema e pouca afinidade, o custo de estudá-lo acaba sendo alto para muitas pessoas. Por isso, elas recorrem a especialistas na hora de investir.

O risco de confiar

O problema é que, em uma sociedade complexa, depender de peritos deixa-nos vulneráveis. A história da humanidade é repleta de especialistas que abusam da nossa dependência em relação a eles, para manter ou obter vantagens indevidas.

Depender de peritos deixa-nos vulneráveis a charlatães

Desde os xamãs tribais, que evocavam forças ocultas, deuses irados e poções mágicas para manter o prestígio e controle sobre os demais membros da tribo, até o especialista simpático que evoca jargões técnicos, fórmulas assustadoras e regulamentos exaustivos para manter os clientes em produtos com taxas excessivas e de qualidade duvidosa.

Assim como o Mágico de Oz, eles precisam manter a cortina de fumaça para que não vejamos suas fraquezas e seus interesses conflitantes com os nossos.

Equilibrando custo e risco

Esse dilema não é apenas do mercado financeiro; ele está presente no nosso dia a dia. Infelizmente, alguns especialistas se esforçam para manter alto o custo de aprendizado, criando uma ilusão que perpetua a distância entre as pessoas e o conhecimento.

Essa distância é mantida, por exemplo, quando o especialista pode se esconder atrás de termos técnicos, dificultando a verificação de veracidade das informações que ele nos passa. Se um vôo está atrasado por problemas técnicos, não nos resta alternativa, senão acreditar. Não vale a pena estudar e aprender a mecânica de aviões para poder averiguar se a informação é verdadeira.

A escolha não precisa ser absoluta: existe um ponto ideal entre o custo de aprender e o risco de confiar

O investidor constantemente enfrenta esse problema. Quanto esforço devo dedicar ao estudo do mercado financeiro, para poder tomar minhas decisões com mais consciência e segurança? O ganho incremental proporcionado por esse estudo vale o esforço envolvido?

Muitos estão em uma fase da vida em que podem se dedicar, mas não necessariamente se interessam pelo assunto. Outros tantos até se interessam, mas estão muito ocupados com a carreira, negócios, família e lazer, sem tempo para se envolver com mais uma preocupação. É nesse momento que precisam de ajuda. Cabe aos especialistas reduzir a fumaça, remover os ruídos, para facilitar a compreensão e aproximar o cliente.

Não acreditamos na estratégia de conquistar respeito pelo uso de uma linguagem técnica ou de imóveis suntuosos. Acreditamos exatamente no contrário. Nossa proposta é usar tecnologia e transparência para aproximar o cliente da informação, é reduzir o esforço necessário para entender os temas do mercado financeiro, é aumentar a confiança do investidor na sua tomada de decisão.

Entender o mercado financeiro com profundidade não é algo que se possa fazer nos finais de semana. A complexidade exige a dedicação que só pode ser oferecida por quem se dedica intensamente ao assunto.

Não achamos que faz sentido todos os investidores serem especialistas no mercado financeiro. Nossa proposta é outra. Queremos reduzir o custo de aprendizado, para que seja possível a todos atingir um ponto que consideramos ótimo: o ponto em que você passa a ser capaz de questionar seu perito, e de identificar se está diante de um especialista ou de um charlatão.

1 Steven Pinker é professor em Harvard, foi professor assistente em Stanford e diretor do Centro de Neurociência Cognitiva do MIT. O trecho foi extraído do livro Como a Mente Funciona. É uma leitura densa, mas muito interessante. Vale a pena.

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