O impacto do come-cotas nos seus investimentos

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Quem investe em fundos já sabe: nos meses de maio e novembro o come-cotas entra em ação. Trata-se da incidência “antecipada” do Imposto de Renda sobre o rendimento das aplicações. O que passa despercebido é o impacto negativo dessa forma de cobrança na rentabilidade dos investimentos, sobretudo naqueles de longo prazo. Fizemos uma simulação com um fundo de renda fixa, e o resultado é impressionante.

A cobrança semestral do Imposto de Renda na fonte sobre o rendimento de aplicações financeiras não é novidade para o investidor brasileiro. Instituída como medida provisória em 2001 e transformada em lei em 2004, a cobrança, popularmente conhecida como come-cotas, é devida no último dia útil dos meses de maio e novembro.

Se o come-cotas é novidade para você, leia também o artigo Quem mexeu nas minhas cotas? Saiba tudo sobre o come-cotas. 

Como o come-cotas afeta a rentabilidade do seu investimento?

A rentabilidade das aplicações em fundos de investimento é calculada sobre o capital investido somado aos juros obtidos (retorno). Assim, há um efeito de “juros sobre juros” que é benéfico ao rendimento da aplicação. E é exatamente aí que surge o impacto negativo do come-cotas.

Em um regime de juros compostos, uma redução pontual do montante total aplicado, mesmo que singela, pode ter um impacto considerável na rentabilidade dos investimentos, em especial no longo prazo.

O come-cotas implica, a cada semestre, em um saldo menor de cotas a serem valorizadas

Por mais que o come-cotas seja a cobrança de um imposto devido e incida apenas sobre os rendimentos, a antecipação deste recolhimento implica, a cada semestre, em um saldo menor de cotas a serem valorizadas. A consequência disso é um saldo final menor na hora de resgatar o investimento.

“Efeito come-cotas”: menos 6% no rendimento

Para dimensionar o impacto do come-cotas, a Vérios realizou uma comparação na Carteira Online entre uma aplicação sujeita ao come-cotas semestral e a mesma aplicação caso o imposto fosse recolhido apenas no resgate dos recursos.

O fundo BTG Pactual Yield DI foi escolhido, por ser um dos mais tradicionais fundos de renda fixa do Brasil, gerido e administrado pelo BTG Pactual. A rentabilidade nominal acumulada do fundo no período de 31/12/2004 a 07/11/2014 foi de 200%, o que equivale a 102% do rendimento do CDI no mesmo período.

Ficou clara a diferença de rentabilidade. Observe:

Gráfico interativo: O impacto do come-cotas na rentabilidade do investimento

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Simulação com o fundo BTG Pactual Yield DI. Veja, na área destacada, a diferença na rentabilidade do fundo com e sem o come-cotas.

A diferença entre a aplicação com a dedução semestral e a com recolhimento do imposto apenas no resgate é de R$ 14.564, o que representa um ganho de quase de 6% sobre o rendimento líquido.

O estudo da Vérios foi divulgado com exclusividade pela colunista de finanças pessoais da CBN e Globo News, Mara Luquet.

 

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