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7 de julho de 2014 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

O incentivo financeiro da Fifa e a estratégia vencedora da Holanda

7 de julho de 2014

Disputar a Copa do Mundo pode significar uma estimulante recompensa financeira para um país como a Costa Rica. Devido ao escalonamento dos prêmios financeiros oferecidos pela Fifa, os países pequenos têm um grande incentivo em investir para ir mais longe na Copa.

Pense em dois cenários para a premiação da Copa. No primeiro deles, o prêmio fica concentrado nas mãos do campeão – ou seja, apenas um país levaria todo ou quase todo o dinheiro. No segundo cenário, o prêmio é distribuído de forma mais escalonada: o prêmio por chegar às quartas de final não é tão menor do que o de ser o campeão. A Fifa optou por este último esquema. E isso pode ajudar a explicar a garra com que seleções menos tradicionais galgaram posições avançadas na tabela da Copa de 2014.

O incentivo dos prêmios oferecidos pela Fifa

Apenas por disputar a Copa, cada seleção recebe US$ 1,5 milhão antes do torneio, para ajudar a custear a preparação do time. Ser eliminado na primeira fase significa voltar para casa com US$ 8 milhões. Quem disputa as oitavas de final, garante US$ 9 milhões. Times que chegam às quartas de final já têm garantidos US$ 14 milhões. Do quarto lugar ao campeão, a premiação é de, respectivamente, US$ 20 milhões, US$ 22 milhões, US$ 25 milhões e US$ 35 milhões.

Esses montantes milionários, que ainda serão divididos entre a equipe, podem não ter muito apelo para os jogadores das seleções tradicionais, como Brasil, Alemanha e Holanda. A indústria do futebol em geral já é próspera nesses países, e seus jogadores são astros que jogam em grandes clubes, sendo remunerados com salários multimilionários. Mas alguns milhões de dólares a mais podem recompensar um empenho adicional de seleções como Argélia e Costa Rica.

Entretanto, mesmo entre as seleções ricas e com tradição, o dinheiro da prêmiação pode ser um grande incentivo para os membros comissão técnica. Um prêmio de US$ 35 milhões pode ser simbólico para o astro Robben, mas certamente vai significar uma boa grana extra para o treinador de goleiros da equipe holandesa. E é aí que chegamos à incrível estratégia do time para a cobrança de pênaltis nas semifinais contra a Costa Rica no último sábado, 5 de julho.

Uma estratégia de pênaltis arriscada e vitoriosa

O jogo entre Holanda e Costa Rica aconteceu na Arena Fonte Nova, em Salvador. O Nordeste brasileiro recebeu as seleções com seu clima quente característico. Apesar do calor intenso, que costuma sobrecarregar atletas não habituados, a Holanda segurou uma substituição para o último minuto da prorrogação, quando colocou em campo um jogador que seria uma peça-chave na cobrança de pênaltis: Krul, o terceiro goleiro. Os holandeses poderiam ter investido em um jogador descansado na prorrogação, mas optaram pela arrojada escolha de Krul, vislumbrando a vitória nos pênaltis.

A entrada de Krul no último minuto da prorrogação pode ter contribuído para uma desestabilização emocional dos atacantes da Costa Rica, que talvez tenham imaginado que o goleiro holandês fosse um especialista em segurar os pênaltis. Além disso, ao estudar o time holandês no caso de uma eventual cobrança de pênaltis, a Costa Rica pode ter considerado o goleiro errado. Note que Krul não era sequer o substituto imediato do titular – ele era o terceiro goleiro.

As artimanhas de Krul

Você deve ter observado que a transmissão televisiva deu uma pista do que aconteceria, filmando o goleiro Krul se aquecendo nas laterais do campo. O treinador de goleiros apontava para um lado e dizia alguma coisa e o atleta pulava para o outro lado. Ele poderia estar treinando reflexos, para reagir de forma condicionada e não pensada quando a bola corresse em direção ao gol.

Reparou também que Krul dava uma grande volta para um dos lados do campo antes da cobrança do pênalti, e depois do chute ele pulava para o outro lado? O goleiro acertou 100% dos lados da cobrança.

A cobrança de pênaltis é um critério de desempate. Ela não foi feita para ser justa – é quase uma loteria para decidir entre times que empataram. Com essa estratégia vitoriosa, a comissão técnica da Holanda garantiu US$ 6 milhões extras (em relação ao prêmio das quartas de final), que certamente são atraentes para o rateio da comissão técnica – incluindo o treinador de goleiros – que não tem a fama e o salário de Van Persie.

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7 de julho de 2014
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Autores

Um dos cofundadores da Vérios, Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science

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