O que aconteceu quando decidi vender meu carro e investir o dinheiro

Inspirado pelo excelente texto do Ofli Guimarães “Por que troquei meu carro pelo Uber”, resolvi relatar minha experiência. A diferença, no meu caso, é que vendi o carro não apenas para andar de Uber, mas também para diversificar em dois sentidos: na minha mobilidade pela cidade e nos meus investimentos.

Então coloquem os cintos… digo, peguem seus capacetes, porque uma parte do meu relato se passa na ciclovia!

Caindo na real com os custos do carro

Tudo começou no final do ano passado, quando resolvi dar uma boa olhada na minha planilha de custos mensais.

No meio das mais de 60 linhas da planilha, o conjunto que mais me chamou a atenção foram os gastos com meu carro, uma Mitsubishi ASX.

Foram exatos R$ 14.176,00 em 2015.

tabela-custos-carro

Meus gastos com o carro em 2015

Essa era a soma de todos os gastos com IPVA, seguro, estacionamentos, pedágios, revisões, combustível, multas — porque ninguém é de ferro — e manutenção. Pra mim, o carro era um passivo mensal de R$ 1.181,33, um custo já relativamente alto e com tendência a crescer cada vez mais. (Se não parou para fazer as contas, vae a pena dar uma olhada nesta simulação)

Com esse valor martelando na minha cabeça e a série de incertezas econômicas que o ano de 2016 prometia trazer, defini naquela terceira semana de dezembro as minhas duas principais resoluções para o ano seguinte:

Resoluções para 2016

  1. Ir morar em um bairro que fosse relativamente próximo ao meu trabalho; e
  2. Vender meu carro e me locomover diariamente de forma, digamos, mais diversificada.

Home sweet new home

Eu morava na Praça da Árvore, na zona sul de São Paulo. Após pesquisar três bairros na zona oeste, cheguei à conclusão de que Pinheiros seria o lugar ideal. Afinal, tem ampla oferta de serviços (mercados, academia, bares, restaurantes, shopping etc), transporte público farto (diversas linhas de ônibus que cruzam a cidade, além do metrô) e, por último e mais importante: uma ciclovia que poderia me conduzir por 6 km até o meu trabalho aqui na Vérios, na Vila Olímpia.

trajeto-bike

Fato: morar em um bairro com tantos benefícios significaria um custo de aluguel bem maior. Durante as quase 5 semanas que passei visitando apartamentos (ao todo, foram 18!), percebi que o custo do pacote aluguel + condomínio + IPTU seria entre 20-35% maior em relação ao que eu pagava.

simulação do investimentoPorém, há uma vantagem em buscar imóveis em tempos de crise. Depois de pechinchar bastante, consegui um desconto com o proprietário e a diferença entre o valor que eu já destinava a moradia ficou apenas 23% maior. Mesmo pagando mais para morar, valeria a pena: essa diferença já compensaria 40% do meu custo mensal com o carro. Fechado!

Opa! Agora só faltava a segunda resolução.

  1. Mudar para uma região que fosse relativamente próxima ao meu trabalho. ✅
  2. Vender meu carro e me locomover diariamente de forma, digamos, mais diversificada.

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Dia em que fiz a mudança do apê antigo. Só de olhar a foto já fico cansado.

Quando a Olívia entrou na minha vida

Já na primeira semana morando no novo apartamento, comecei a diversificar a forma de me locomover até o trabalho. Deixei a ASX na garagem. Só nisso eu já estava economizando com estacionamento e combustível. A cada dia eu ia de um jeito diferente.

Primeiro foi o ônibus, menos confortável e mais demorado. Depois foi o Uber X, mas o valor mensal ficaria salgado, cerca de R$ 28 por dia (o Uber Pool ainda não havia sido lançado). Os dois testes foram legais, mas eu acabava no mesmo lugar: o trânsito pesado e arrastado de São Paulo.

Tudo bem que antes eu estava no volante e agora eu podia ler notícias ou um livro bacana, ou apenas aproveitar a vista. Mas um trajeto que poderia ser feito em 20-25 minutos numa agradável pedalada aumentava para cerca de 55 minutos nos quais eu seria apenas espectador do mundo, e não parte do processo orgânico da cidade.

Foi então que a Olívia entrou na minha vida para ficar.

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Prazer, sou a Olívia!

Comprando e vendendo pela internet

Em todo o processo de mudança, o site OLX foi um grande aliado. Financiei gastos como carreto, pintura do imóvel, pequenos reparos, plástico-bolha etc com a grana que fiz na venda de diversos itens que tinha em casa e não usava.

Já familiarizado com o site, busquei lá mesmo uma opção de bike elétrica. Encontrei uma por 60% do valor de comprar uma nova e fechei negócio — ainda parcelei no cartão de crédito, porque o vendedor tinha maquininha!

Pegando uma carona com a Olívia todos os dias e já bem adaptado na casa nova, decidi que era hora de colocar o possante à venda. Recorri a diversos sites e mídias sociais para aumentar as chances de conseguir logo um comprador. Aliás, na mudança, eu vendi uma geladeira para uma amiga menos de 10 minutos depois de postar no Facebook!

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Hora de me despedir do meu companheiro de congestionamentos…

Aplicando a grana do carro

Tudo correu bem rápido com a venda do carro. Em menos de duas semanas, fechei negócio. Recebi o valor do comprador e apliquei na minha carteira inteligente da Vérios. Assim como diversifiquei em mobilidade urbana, também diversifiquei com meus investimentos.

O curioso é a relação que eu faço entre essas duas mudanças na minha vida.

Antes, com o carro, eu investia apenas nos fundos do banco — pois é, aquelas dicas furadas que todo gerente dá –, tendo uma rentabilidade fraca e liquidez comprometida: se precisasse fazer um resgate, precisaria esperar 32 dias até ter o dinheiro na minha conta.

Depois que vendi o carro e diversifiquei a minha locomoção pela cidade, eu tirei a grana do banco e apliquei em uma carteira de investimentos inteligente, com 5 classes de ativos diferentes — três títulos do Tesouro Direto e uma pequena parcela de ações das bolsas brasileira e norte-americana. Ela me garante segurança, transparência e boa rentabilidade.

Antes de conhecer a Vérios, nunca imaginei que investir pudesse ser uma experiência tão agradável quanto pedalar suave pela ciclovia da Faria Lima, num dia de sol. Com o banco, investir estava mais para a experiência de ficar parado no trânsito, sentindo que está perdendo tempo, que aquilo não vai te levar a lugar nenhum.

ciclovia

Descobri que investir pode ser uma experiência
suave como pedalar pela ciclovia em um dia de sol

Fazendo as contas

E qual foi o balanço final de todas essas mudanças na minha vida?

Em vez de um prejuízo mensal de R$ 1.181,33 com o carro, hoje eu tenho uma rentabilidade líquida mensal — já descontando custos — em média de R$ 630, o que já pagaria o aumento nas minhas despesas com o aluguel do novo apartamento. Ainda gasto algum dinheiro todos os meses com Uber e metrô, mas não chega a 30% do que gastava com o carro.

Se você está pensando em fazer o que eu fiz, minha dica é: faça as contas.

Não há dúvidas de que minha experiência não se encaixa na realidade de muitas pessoas, até porque tem muita gente que precisa do carro e outra forma de se locomover seria inviável.

Mas, para aqueles que se inspiraram, montem suas planilhas, somem os valores, pesquisem preços. Assim vocês poderão criar cenários possíveis para se desvencilhar das amarras dos custos fixos com automóvel e ganhar mais qualidade de vida.

E a gente se vê pelas ciclovias da cidade 🙂

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Bonus track: Como estou me virando sem carro?

Para fazer compras no mercado

As coisas mais pesadas (alimentos não perecíveis e produtos de limpeza) compro na Home Refil, #ficaadica.

Para frutas e verduras, vou a pé aos sábados numa feira livre próxima de casa.

E para carnes e produtos congelados, levo a Olívia para passear no Pão de Açúcar que fica a 4 quadras da minha casa.

Para sair à noite

Vou de Uber ou, se não estou com pressa, de Uber Pool.

Para ir para a academia e para o trabalho

Vou pedalando com a Olívia. Quando chove, coloco uma capa de chuva. Chuva forte? Uber Pool.

 

O que aconteceu quando decidi vender meu carro e investir o dinheiro
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Categorias: Iniciante, Intermediário, Avançado, Carteira inteligente, Planejamento pessoal
  • Danylo Martins

    Gostei do relato, Bruno! Parabéns!

    • Muito obrigado, Danylo! Tem que fazer conta. Se a realidade se aplica, bola pra frente! Abs

  • Alessandro orlandi

    Boa Bruno , fico feliz com seu relato e espero que muitas outra pessoas possam compartilhar dessa ideia mais saudavel, tanto para o bolso quanto para o corpo …
    Realmente em alguns casos fica dificil se desligar do automovel , mas isso pode ser tambem um conceito psicologico , colocando na ponta do lapis ou excel dificilmente em tempos atuais vc nao verá um beneficio em largar o carro … Parabens e espero sinceramente que sua experiencia seja um sucesso …

    • Exatamente, Alessandro! Tem que ver se tem a ver com o seu dia-a-dia. Tem que colocar tudo na ponta do lápis e ver se aplica. Espero ter inspirado de alguma forma. Abraço!

  • Pingback: Uber, carro ou metrô: qual meio de transporte vale mais a pena?()

  • Thiago Colares

    Parabéns pela iniciativa e pelo relato! Ó essa ferramenta, ela diz se seu carro é um monstro: http://www.carromonstro.com.br/

    • Fala, Thiago! Fiz um teste na ferramenta e incrível! Os números bateram MUITO perto com os meus! Obrigado 🙂

  • Pedro Amaral

    Que post maravilhoso! Obrigado Bruno o/

    • Valeu, Pedro! Fico feliz que tenha agregado! Abraço!