O que é o IPCA? Conheça o principal indicador da inflação

Conheça o IPCA, o principal índice de inflação

O IPCA, Índice de Preços ao Consumidor Amplo, é o indicador oficial de inflação do Brasil.  É a referência usada pelo governo para definir a meta de inflação do país — que atualmente está em 4,5% ao ano.

O índice é calculado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e tem o objetivo de informar quanto aumentaram ou diminuíram os preços dos produtos consumidos pelos brasileiros em um determinado período.

Por exemplo, quando se diz que o IPCA subiu 6,29% em 2016, significa que ao longo daquele ano os bens e serviços normalmente consumidos pelo brasileiros tiveram um aumento médio de preços em 6,29%.

Quais produtos são considerados no IPCA?

O IPCA monitora os bens e serviços consumidos por famílias com renda entre um e 40 salários mínimos. O IBGE pesquisa o que essas famílias consomem e quanto cada um dos produtos pesa na renda mensal.

Entram nesse cálculo, os mais diversos bens e serviços, como arroz, feijão, aluguel, combustíveis, roupas, eletrodomésticos, estacionamentos, médicos, cabeleireiro, acesso à internet…

São mais de 400 bens e serviços, classificados em nove grandes grupos:

  • Alimentação e bebidas
  • Habitação
  • Artigos de residência
  • Vestuário
  • Transportes
  • Saúde e cuidados pessoais
  • Despesas pessoais
  • Educação
  • Comunicação

Cada produto tem um peso diferente na renda das pessoas e, portanto, no IPCA. O arroz comprado no mercado, por exemplo, tem um peso de 0,63% no índice, enquanto que a alimentação fora de casa pesa quase 9%.

O IPCA mede a inflação de todo o Brasil? Não. Ele mede a variação de preços nas regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Vitória e Porto Alegre, além de Brasília e dos municípios de Goiânia e Campo Grande.

Histórico do IPCA

Esta foi a variação do IPCA, ano a ano, desde o Plano Real, em 1994:

Gráfico com a variação da inflação medida pelo IPCA ano a ano desde 1994
O Brasil é um país com forte histórico de inflação. Em 1995, o IPCA superou os 22%. A barrinha de 2017 considera a inflação acumulada até o mês de abril.

Por que há diferença entre o IPCA e o que observamos no dia a dia?

Os números do IPCA e de outros índices de inflação sempre geram muita discussão porque as pessoas notam que os preços de diversas mercadorias sobem muito mais do que o registrado pelo indicador.

Isso acontece porque os índices de inflação trabalham com médias. Eles mostram o aumento médio de preços, ponderado pelo peso de cada mercadoria na renda.

No IPCA, a alimentação no domicílio tem um peso de 16,7% no índice, enquanto a alimentação fora de casa pesa 9%. Mas se você é uma pessoa que costuma fazer as refeições em restaurantes, é possível que este item pese 20% ou mais na sua renda.

Nesse caso, quando o restaurante em que você almoça todos os dias aumentar o preço, você vai sentir uma inflação mais alta do que a registrada pelo IPCA.

Podemos dizer que o IPCA, como qualquer índice de preços, não reflete a inflação que a gente percebe individualmente. No limite, ele não reflete os gastos de ninguém individualmente, mas sim de uma média estimada da população nas regiões pesquisadas.

Afinal, para que serve o IPCA?

Além de ser o índice que baliza as metas de inflação do governo, o IPCA é muito usado por empresas, bancos e instituições públicas e privadas, quando precisam de uma referência sobre a variação de preços no país em um determinado período.

O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial mantêm uma base de dados com indicadores econômicos de todo o mundo e, no Brasil, o índice de inflação que eles usam é o IPCA.

Inflação e investimentos

O IPCA também é referência para a rentabilidade de algumas aplicações financeiras de renda fixa. É o caso do título público Tesouro Direto IPCA+ (NTN-B). Quem investe nesses papéis recebe como rendimento a inflação mais uma taxa de juros.

A mesma lógica existe em alguns títulos privados. Diversos CDBs (Certificados de Depósito Bancário) rendem IPCA mais uma taxa de juros.

Se seus rendimentos ficam abaixo da inflação, você está perdendo dinheiro, pois seu patrimônio cresceu menos que os preços em geral

A medida da inflação também é um parâmetro para acompanhar como estão indo os investimentos. Se seus rendimentos ficam abaixo da inflação, você está perdendo dinheiro, pois seu patrimônio cresceu menos que os preços em geral — logo, seu poder de compra diminuiu. Isso aconteceu com quem deixou o dinheiro parado na poupança em 2015, quando a inflação medida pelo IPCA foi de  10,67% e o rendimento da caderneta, 8,15%.

Por isso existe o conceito de rentabilidade real, que se refere justamente à rentabilidade oferecida por uma aplicação financeira descontada da inflação no período.

Você sabia? Quem investe com a Vérios pode acompanhar diariamente como está indo a rentabilidade dos investimentos em comparação com o IPCA. Faça uma simulação e descubra a carteira de investimento recomendada de acordo com o seu perfil.

Outros índices de inflação

Além do IPCA, existem outros indicadores de preços que também funcionam como medidas da inflação. Os mais conhecidos são:

– INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor)

Também calculado pelo IBGE, difere do IPCA por ser focado no padrão de consumo das famílias com menor renda, de um a cinco salários mínimos, enquanto o IPCA abrange um a 40 salários mínimos. O INPC é muito usado por sindicatos para negociar reajuste de salários.

– IGP-M (Índice Geral de Preços de Mercado)

Costuma ser usado para reajustar aluguel de imóveis. Uma diferença em relação ao IPCA é que o IGP-M inclui os preços no atacado, não apenas ao consumidor. É calculado pela Fundação Getulio Vargas.

– IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor)

Esse indicador mede a variação dos preços na cidade de São Paulo apenas e é calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), entidade ligada à USP.

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