As instituições tradicionais do mercado financeiro sempre nos mandam correr atrás do melhor investimento. Na busca pelas melhores aplicações, geralmente levamos em conta a rentabilidade passada. Isso parece fazer sentido, já que confiamos em resultados passados para tomar outros tipos de decisões.

Por exemplo, se um time de futebol precisa de um novo técnico, eles começam a avaliação pelo histórico dos candidatos. Eles ganham mais jogos do que perdem?

No entanto, paradoxalmente, selecionar uma empresa para gerenciar seus investimentos levando em conta a rentabilidade passada pode não ser a melhor escolha. Mas como isso é possível? Escolher uma gestora de investimentos com resultados ruins não faz muito sentido.

Mesmo seguindo um processo disciplinado de escolha e dispondo dos melhores dados que você encontrar, a postura “ativa” geralmente cria uma lacuna no comportamento. A realidade é que, mesmo mantendo um investimento mediano, se você se comportar do jeito certo (às vezes isso significa não fazer nada), você vai ter um resultado melhor que 99% dos seus vizinhos.

No fundo, um investimento bem-sucedido tem mais a ver com plantar uma árvore do que contratar um técnico de futebol.

Você não planta uma muda de árvore e depois fica puxando o caule a cada vez que venta só para ver se está tudo certo com as raízes. Essa abordagem simples -- porém não fácil -- me lembra Warren Buffett, que afirmou o seguinte:

A negligência benigna, beirando a preguiça, permanece sendo a principal característica do nosso processo de investimento.

Com base em muitas conversas que já tive, essa atitude parece errada. Parece uma contradição à ética protestante. Se algo não é difícil ou doloroso, não vale a pena.

Mas quando falamos de investimentos, estamos lidando com um animal diferente.

Uma vez que tomamos uma decisão baseada em nossos objetivos pessoais e planos para o futuro, em geral a melhor coisa que podemos fazer é praticar a negligência benigna. Simplesmente não fazer nada, mesmo que isso pareça errado.

Tente isso. Você vai descobrir que as árvores se desenvolvem muito melhor quando você para de olhar as raízes o tempo todo.

Sketch (desenho) de Carl Richards

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Este artigo é uma transcrição do artigo de Carl Richards Planting a tree, not hiring a coach, enviado por e-mail aos leitores do site Behavior Gap em 02/05/2018, traduzido e adaptado pela Vérios com expressa autorização do autor.


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Categorias: Economia>Economia comportamental, Planejamento pessoal