Península: a gestora que nasceu grande

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Quem conhece muitas gestoras eventualmente percebe que as histórias acabam sendo muito parecidas. Recentemente, porém, visitamos uma gestora que possui uma história um pouco diferente, a Península. Para entendê-la, temos que voltar um pouco no tempo.

Fundo Verde e CSHG

O CSHG Verde é o fundo de investimento mais conhecido, consistente e rentável do Brasil. Já escrevemos sobre ele algumas vezes, comparando-o com seus pares do mercado. Esse fundo, fechado há muitos anos, foi um dos principais motivos de crescimento e consolidação da gestora Hedging-Griffo, de Luis Stuhlberger.

Mesmo depois de fechado, o sucesso do Verde continua atraindo investidores para a Hedging-Griffo, que passou a encaminhá-los para outros excelentes fundos. Assim, a Hedging-Griffo cresceu também na área de distribuição.

Em 2006, o controle da Hedging-Griffo foi comprado pelo Credit Suisse, um dos maiores bancos de investimento do mundo, presente no Brasil desde 1990. O resultado foi o surgimento da CSHG. Nem todos os detalhes da operação são públicos, mas sabemos de algumas informações interessantes sobre a negociação entre as duas empresas.

O Credit Suisse não assumiu a CSHG imediatamente. Sabendo que é importante manter a equipe (principalmente o gestor Luis Stuhlberger à frente dos investimentos), os compradores costuraram um acordo que manteve os sócios e funcionários da Griffo interessados no sucesso da transição.

Esse acordo foi importante não apenas para as empresas, mas também para os clientes investidores. Imagine-se no lugar do gestor Luis Stuhlberger naquela época. Imagine que, de um dia para o outro, você deixa de ser dono do negócio, tornando-se um funcionário e passando a ter muito dinheiro no bolso. Será que você conseguiria manter o mesmo ânimo e dedicação para gerir os recursos dos clientes, ou passaria a dedicar mais tempo para curtir os carros, casas, obras de arte e ilhas que agora pode comprar?

Hoje sabemos o quanto o Luis ama a gestão e seus fundos. Porém, o Credit Suisse precisava de segurança e fez um acordo para manter o talento dos sócios na Griffo. De acordo com o contrato, o banco suíço adquiriu metade da Hedging-Griffo e passou a ter o direito de comprar a outra metade após alguns anos. O preço para aquisição da segunda metade era variável, vinculado ao desempenho da Hedging-Griffo nesse período, de modo que os antigos sócios ainda tinham muito a ganhar com o contínuo crescimento da gestora.

O desempenho da CSHG foi excepcional durante os anos de transição e a Credit Suisse anunciou recentemente a compra do restante do capital da Griffo.

“Agora somos um banco de investimento”

A mudança definitiva, de gestora independente para banco de investimento, vai provocar mais algumas mudanças.

Um banco de investimento internacional possui reputação global. Um deslize no Brasil pode afetar suas operações em Nova York, Hong Kong, Zurique. Por esse motivo, as operações precisam ser muito mais controladas e padronizadas. A gestão de fundos de investimento é importante, mas não é sua principal atividade.

Um banco internacional possui reputação global. Um deslize no Brasil pode afetar suas operações em Nova York, Hong Kong, Zurique

A qualidade do trabalho que já funciona deve ser mantida, mas a flexibilidade, inovação e criatividade perdem um pouco de espaço. Jovens talentos podem ficar frustrados com o engessamento da estrutura e começar a considerar outros caminhos.

Para evitar a perda desses talentos, a CSHG, junto com um time de profissionais de peso no mercado, criou a Península.

A Península

O surgimento da Península foi anunciado em maio de 2012. Entre seus sócios fundadores estão Antonio Quintella, que acumulou 15 anos de experiência como executivo do Credit Suisse, e Sérgio Blatyta, ex-chefe de Tesouraria do Santander. Os dois juntaram-se à própria Credit Suisse para criar a nova gestora e o banco suíço ficou com 25% da Península, em ações sem direito a voto.

Em dezembro de 2012, a CSHG injetou R$ 300 milhões no recém-inaugurado fundo Península Hedge. Com esse patrimônio inicial, a Península iniciou suas operações com foco exclusivamente na gestão, sem se preocupar com a área comercial. Não havia pressa, pois a empresa não dependia de captação para viabilizar o negócio.

A Península iniciou suas operações com foco exclusivamente na gestão, sem se preocupar com a área comercial

A estratégia do Península Hedge é bem definida pela equipe, e estruturada de acordo com uma filosofia “multigestor multiestratégia”. A equipe de gestão é dividida entre cinco estratégias independentes, que seguem limites de alocação e controle de risco pré-estabelecidos. Cada estratégia tem suas características de análise e frequência diferenciadas, o que leva a uma certa diversificação dentro de um único fundo.

A gestora ainda está desenvolvendo a coordenação entre essas equipes. Em seu relatório do mês de junho, afirmou que buscará um incremento gradual de riscos à medida em que for ocorrendo um amadurecimento do processo de gestão.

Um aspecto interessante na história da Península foi a forma como ela surgiu para manter alinhados os interesses de sócios, funcionários e clientes, evitando o possível choque de culturas com a estrutura de um banco internacional. Mais informações sobre a origem da Península podem ser lidas nesse artigo do Estadão.

Fechamento do Península Hedge

Mesmo sem a necessidade de captar, o novo fundo da Península atraiu muitos investidores experientes e cresceu rapidamente. Agora, a gestora anunciou que fechará o Península Hedge quando o fundo master da estratégia atingir o patrimônio de R$ 2,5 bilhões. Pode parecer uma meta distante para quem começou com apenas R$ 300 milhões. Porém, com apenas 3 meses de captação, o fundo encerrou o mês de julho com mais de R$ 1,7 bilhão.

Agora, a gestora anunciou que fechará o Península Hedge quando o fundo master da estratégia atingir o patrimônio de R$ 2,5 bilhões

Você pode acompanhar o crescimento do patrimônio na lâmina do Península Hedge Master. A previsão da gestora é de que o fundo seja fechado antes do fim de agosto.

CSHG Prisma

Já que estamos escrevendo sobre a Península, a CSHG e o fundo CSHG Verde, aproveitamos para falar da abertura de um novo fundo para acesso ao CSHG Prisma FIC FIM Investimento no Exterior. Em parceria com a CSHG, o BNY Mellon lançou um “fundo espelho” do Prisma.

O BNY Mellon CSHG Prisma FIC FIM Investimento no Exterior é um fundo sem taxa de administração e sem taxa de performance, que aplica integralmente seus recursos no CHSG Prisma, sempre mantendo no mínimo 95% do patrimônio neste fundo.

O CSHG Prisma, por sua vez, possui uma carteira composta por aproximadamente 33% da estratégia Verde e 67% da estratégia Alpha, de investimento no exterior, ambas da CSHG. O desempenho do CSHG Prisma pode ser visto aqui. Esse fundo possui investimentos no exterior e a aplicação mínima é de um milhão de reais.

Os fundos

Abaixo, apresentamos as principais características dos fundos. Para mais detalhes, faça o download dos documentos, utilizando os links ao final da tabela.

Nome
Península Hedge FIC FIM
CSHG Prisma FIC FIM Inv Exterior
Destina-se a
Investidores em Geral
Investidores Qualificados
Categoria Anbima
Multimercado Macro
Multimercado Multiestratégia
Taxa de administração
2,0% ao ano
ver regulamento
Taxa de performance
20% sobre o CDI
ver regulamento
Aplicação mínima
R$ 50 mil
R$ 1 milhão
Movimentação mínima
R$ 10 mil
R$ 100 mil
Prazo de resgate
D+30
Vide lâmina
Gestora
Península Investimentos
Credit Suisse Hedging-Griffo
Administrador
BNY Mellon
Credit Suisse Hedging-Griffo
Custodiante
Bradesco
Itaú Unibanco
Auditor
KPMG
KPMG
CNPJ
17.056.270/0001-17
11.409.285/0001-35
Documentos
Regulamento

Prospecto Lâmina Regulamento
Categorias: Fundos de investimento, Fundos multimercados
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Cofundador da Vérios e diretor de Estratégia de Investimento. Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science, mas pode chamá-lo de "Father of Algorithms" :)

Felipe é cofundador e CEO da Vérios. Atuou por 7 anos como agente de investimento credenciado pela CVM e Ancord e cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil de fundos de investimento. Felipe é advogado pela USP e especialista pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.