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5 de junho de 2018 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Planejamento financeiro: como fazer? Um guia simples e eficaz

5 de junho de 2018

Talvez você já tenha tentado se planejar financeiramente alguma vez na vida, mas não sabia se estava indo no caminho certo. Talvez você já tenha pensado mil vezes em fazer um planejamento financeiro, mas nunca realmente colocou nada no papel.

Talvez você pense que planejamento financeiro é a estimativa que você tem na cabeça do quanto quer juntar até os 55 anos. Talvez você tenha medo de fazer um planejamento pessoal porque acha que é difícil demais.

Qualquer que seja o seu caso, chegou o dia de você ter um belo de um planejamento.

Planejar é bem mais simples do que você pensa! São seis etapas, e nós vamos abordar cada uma delas em detalhes:

1. Defina suas prioridades
2. Liste seus objetivos
3. Faça um diagnóstico da sua vida financeira
4. Estabeleça um orçamento pessoal
5. Invista com sabedoria
6. Comporte-se

O que você vai precisar para fazer seu planejamento financeiro pessoal

Antes de começarmos, você vai precisar de três coisas:

  1. Um caderno;
  2. Um lápis;
  3. Um lugar quieto e aconchegante pra você relaxar e se concentrar.

Vou te fazer algumas perguntas e, até o final desse texto, você terá um planejamento financeiro simples, objetivo e totalmente feito por você, do seu jeito, com a sua cara.

Caso prefira, você também pode assistir ao webinar em que ensinamos a fazer seu planejamento financeiro. Está em nosso canal no YouTube. Confira:

(Eu recomendo que você assista ao vídeo e volte para ler o artigo e fixar os conceitos. Mas se preferir apenas ler o artigo, será o suficiente para fazer seu planejamento financeiro!)

Você tem consciência de que precisa de um planejamento?

Porque você precisa de um planejamento financeiro. Eu preciso. Todo mundo precisa.

Trouxe aqui alguns motivos pra te colocar no clima:

Estabelecendo prioridades

Um planejamento te ajuda (muito!) a ter visão de longo prazo e prioridades claras. Temos que ter em mente que nosso tempo e nosso dinheiro são limitados, temos que aceitar que quase sempre teremos que abrir mão de algo, porque nosso dinheiro não vai dar conta de tudo. Se a gente não se planejar, vamos acabar pensando sempre no prazer imediato e acabar abrindo mão de conquistas e sonhos no futuro — e vai ser uma escolha inconsciente.

Você só vai se dar conta de que não vai dar quando a hora chegar. Então pra isso temos que ter prioridades e clareza sobre o que é importante para nós, para podermos fazer escolhas conscientes e alinhadas aos nossos valores e planos para o futuro. Quanto mais alinhados os nossos gastos estiverem com nossos valores, mais felizes somos.

Não é sobre dinheiro, é sobre a vida

Uma das coisas que eu acho mais lindas de um planejamento financeiro é que ele, na verdade, não é sobre finanças pessoais ou educação financeira. Ele é um planejamento de vida. Tudo o que você faz ou deixa de fazer na vida tem alguma relação com dinheiro. Os seus sonhos, seus desejos, tudo o que você planeja e sonha, tudo isso depende de dinheiro de alguma forma.

Então tenha clareza sobre quais são seus sonhos, o que você precisa fazer para conquistá-los, coloque tudo no papel, pegue uma calculadora e arregace as mangas. Você está a uma decisão de distância da vida que sonha.

Vamos começar? São seis etapas.

1. O que é mais valioso na sua vida? Qual é a coisa mais importante do mundo pra você?

Seja muito honesto(a) consigo mesmo(a).

Primeira coisa no planejamento financeiro: defina suas prioridades

Não tem ninguém te ouvindo, ninguém te julgando, ninguém dando pitaco na sua vida. Pense no que faz VOCÊ feliz. A resposta para essa pergunta vai ser o norte do seu planejamento. Todas as suas escolhas devem estar alinhadas ao que for mais importante pra você na vida.

E se você é casado(a) e/ou tem um(a) parceira(o), é essencial que os dois façam essa reflexão. Primeiro separadamente, e depois falem juntos sobre por que cada um valoriza cada coisa. Esse momento é muito importante para que possam alinhar expectativas e entender o que é prioridade para cada um.

Sei que pode ser desconfortável, mas quanto mais cedo essa conversa acontecer, melhor. Sem esse passo, seu planejamento financeiro não vai decolar.

2. Quais os grandes objetivos que você tem que conquistar pra chegar lá?

Agora que você tem clareza do que é mais importante pra você, pense no que você precisa atingir para ter essa vida que você sonha.

Aqui quero fazer um breve parênteses. De jeito nenhum quero passar a impressão de que você só vai ser feliz quando “chegar lá” (mesmo porque o “lá” sempre pode mudar). Esse é um dos maiores (se não o maior) erros que você pode cometer na vida. Sim, você deve ter foco e se esforçar muito pra conquistar seus sonhos, mas não pense que a felicidade é um pote de ouro no final do arco-íris.

Sei que essa discussão poderia se estender aqui por horas e não quero fazer isso agora, mas tenha em mente que são duas coisas diferentes: ter um alvo, uma mira, e batalhar por isso não é a mesma coisa que depositar toda sua expectativa de felicidade nisso. A felicidade é o caminho, é um estado de espírito, é gratidão, é apreciar momentos da  vida, é estar com quem amamos, fazer o que nos dá prazer. Não é viver anos trabalhando “pra chegar lá”.

O que você vai fazer é entender onde você está hoje, para onde você quer ir, e desenhar um plano para diminuir a distância entre essas duas coisas, e isso irá ajudá-lo a ter um planejamento financeiro consistente.

  1. Reflita e faça suposições sobre para onde você quer ir, quanto isso custa, em quanto tempo quer chegar lá, e, claro, tenha em mente o quanto isso está alinhado aos seus valores e seus sonhos. Não é sobre acertar tudo e escrever objetivos, valores e prazos em pedra: é sobre se acostumar com o processo de “prever” algumas coisas, ajustar a rota quando necessário e não se punir quando você fizer estimativas que não sejam perfeitas. A única certeza que a gente pode ter ao longo do processo é que a vida é imprevisível e a nossa cabeça muda com o tempo, então não se torture se tiver que revisar esse plano algumas vezes ao longo da vida.

  2. Grave um vídeo falando pra si mesmo por que essas coisas são prioridade pra você. Assista a ele sempre que sentir que quer fazer algo errado ou quando você estiver em dúvida sobre uma decisão. “Isso contribui para o meu objetivo ou me afasta dele?” “Eu realmente preciso disso?” “Se eu só ‘quero’, quanto tempo consigo esperar?” “Em que mês vou conseguir fazer isso sem prejudicar meu plano?”

3. Você sabe como está sua vida financeira hoje? Neste exato momento?

Faria algum sentido usar o Waze se ele não conseguisse identificar a sua localização? Parece até ridículo pensar nisso, né? Com as suas finanças é a mesma coisa.

É simplesmente impossível você traçar um plano para ir do ponto A ao ponto B se você não sabe qual é o ponto A. Não tem como. Você precisa tirar um raio-X da sua vida financeira hoje e entender quanto dinheiro você tem, quanto você ganha, como estão seus investimentos, quanto você gasta por mês (e com o quê!), quanto você deve no cartão de crédito, e quanto custam as dívidas que você talvez tenha também. Só assim você vai conseguir fazer um planejamento financeiro eficaz.

    1. Faça um balanço patrimonial da sua vida financeira: coloque do lado direito as suas dívidas e tudo o que te gera despesas, e do lado esquerdo os seus bens (se você tem um apartamento, ele pode ser um bem mas também estar na coluna da direita).  São as receitas e despesas.

      Você pode estimar um valor para os seus bens, caso não saiba com precisão. Mas no caso das dívidas isso não vale. Tem que saber tudo, na vírgula. Saiba exatamente quanto você deve. O planejamento financeiro que você vai desenhar estará baseado no que você está disposto a (ou terá que) sacrificar para chegar onde quer, mas você não vai ter noção do que realmente tem que sacrificar se não tiver clareza de quanto custam suas dívidas.

      Conheça no detalhe todas as suas dívidas e desenhe um plano para pagá-las: quitar dívidas pode ser o melhor investimento que você fará na vida. Nesse plano, saiba qual é a taxa de juros de cada uma das suas dívidas e o valor das parcelas que precisam ser pagas. Em geral, a primeira que você deve pagar é que tem a maior taxa de juros.

      Depois que você terminar de pagar suas dívidas, vai poder entrar no maravilhoso mundo em que os juros compostos trabalham por você, e não você pra eles. Tem uma frase maravilhosa que resume essa sensação: “Quem entende juros compostos, recebe. Quem não entende, paga.”

    2. Entenda para onde está indo o seu dinheiro. Esse é o único momento em que você vai ter que ficar fuçando no passado, depois vamos só olhar para frente. Planejar é olhar para a frente. Mas se você não tiver nenhuma noção de como você gasta hoje, você não vai tomar decisões e escolhas tão conscientes ao montar seu orçamento.

      Por quê? Porque se você gasta R$ 700 por mês com barzinho/restaurante/balada, por exemplo, e não tem noção desse valor total no final do mês, e depois coloca no orçamento que vai gastar R$ 100 por mês com isso, você não percebe o quanto você vai ter que mudar seus hábitos para cumprir o objetivo de ficar só nos R$ 100.

      Os “nãos” que você vai ter que falar para os amigos, as refeições em casa que você vai ter que fazer,  a mudança que você vai precisar fazer na sua rotina. Tenha consciência de como você gasta seu dinheiro hoje para ter consciência de como você vai montar e seguir seu orçamento (e conquistar seus sonhos!).

Agora, a pergunta de ouro:

Como sair de onde você está hoje e conquistar aqueles grandes objetivos que você desenhou no tópico 2?

A resposta vem em mais três etapas: faça um orçamento, invista com sabedoria e comporte-se (por muito tempo).

4. Faça um orçamento. Você precisa de um orçamento.

  1. Transforme seus objetivos em metas de curto prazo para ter visibilidade de quanto precisa poupar e investir hoje para chegar lá. Ter só um número grande e um prazo longo na cabeça fica muito abstrato e fica mais difícil saber o que você realmente tem que fazer pra alcançar aquele objetivo.E não são só as coisas super caras ou super distantes que precisam ser tratadas como metas. Coisas “menores” também. Roupas, sapatos, trocar de celular, cursos, etc. Saiba quanto você precisa economizar para ter/fazer essas coisas e como isso se encaixa no seu orçamento.

    Suas metas devem ser: (1) específicas, (2) mensuráveis, (3) factíveis, (4) relevantes e (5) com prazo definido. Dê um nome para a sua meta, tenha clareza de por que aquilo é importante pra você. O ideal é que você escreva essas coisas, realmente coloque-as no papel, defina quando você vai atingi-la e pense como medir se está se aproximando dela.

    “Viajar para a Bahia”, não é uma meta. “Viajar para a Bahia em novembro economizando 500 reais por mês até outubro porque viajar e conhecer o Brasil é uma prioridade pra mim”: isso, sim, é uma meta passível de ser alcançada com um bom planejamento financeiro.

    Planejamento financeiro pessoal

  2. Coloque no papel quanto você gasta por mês com seus custos fixos (ou use uma planilha no Excel, que normalmente facilita muito a vida!). Aluguel, parcela do apartamento, gasolina, escola das crianças, contas, mercado, tudo. Aqui é importante lembrar também que tem coisas que não são custos fixos, mas que você acaba gastando todo mês, um restaurantezinho aqui, um barzinho ali…

    Leia também: Orçamento pessoal: assuma o controle com o método dos envelopes

    Não corte totalmente essas gordurinhas no seu orçamento, afinal de contas ele existe justamente pra te permitir ter essas experiências de forma que o seu bolso fique bem. Você vai ver que tem espaço pra tudo no seu planejamento financeiro.

    E aí entramos em um ponto muito importante.

  3. Viva (pelo menos) um degrau abaixo. Se você ganha R$ 7.000 e tem um padrão de vida de R$ 7.000, nunca vai conseguir poupar e investir nada. Se você quer investir R$ 2.000, vai ter que viver com o restante, ou seja, vai ter um padrão de vida de R$ 5.000. 

    E essa é a hora difícil do planejamento financeiro, a hora em que você define qual é o degrau que faz sentido pra sua vida: você tem que viver bem no presente, afinal de contas todo mundo aqui quer ser feliz, mas também precisa investir para conseguir conquistar seus sonhos no futuro.
    Objetivos e orçamento deve

    Pense nas suas metas, na sua grande prioridade — sabe aquela pergunta do tópico 1? Pense nela! — e no que você está disposto a abrir mão hoje pra conseguir conquistar seus sonhos. Aqui não tem receita de bolo, cada um sabe o quanto está disposto a viver abaixo da sua renda em nome de atingir logo seus objetivos. 

  4. A regra 50-30-20 dá um norte na hora de planejar como distribuir sua renda mensal:

    – 50% da renda com custos fixos;
    – 30% para investimentos (seus objetivos); e
    – 20% para lazer/estilo de vida (cinema, restaurante, roupas, etc).

    Obviamente essas porcentagens variam de pessoa para pessoa, fique à vontade para montar a distribuição que faça mais sentido para você.

    Ah, e não existe uma regra também, mas recomendo fortemente que uma parte da sua renda seja reservada para investimentos na sua educação. É o seu cérebro que vai te fazer evoluir e enriquecer, então invista nele. Não deixe-o enferrujar. Esse é o maior investimento que você pode fazer para o sucesso do seu planejamento financeiro.

    Na hora de carimbar o seu dinheiro e definir para onde cada real que você ganha deve ir, tenha SEMPRE em mente o que é prioridade pra você. O que você mais valoriza na vida. Como é a vida que você quer viver. Pense nos seus valores. Coloque dinheiro apenas em coisas alinhadas aos seus valores e objetivos.

  5. Pense em quais mudanças você precisará fazer para a conta fechar e defina como você vai fazer essas mudanças. Esse passo é importantíssimo, pois é o que vai aumentar exponencialmente as suas chances de seguir seu orçamento e, consequentemente, seu planejamento financeiro.

    Se, por exemplo, você comia fora todos os dias no almoço e decidiu comer fora só 2x por semana a partir de agora, desenhe um plano claro pensando no que vai mudar na sua rotina para que isso aconteça. Se você vai levar comida para o trabalho, quando você vai cozinhá-la? Em que momento da semana? E quando terá que ir ao mercado? Melhor ir ao mercado ou ir à feira? Que comidas você vai fazer? Será que ter uma listinha com as coisas que você vai cozinhar não facilita esse processo? E por aí vai.

  6. Sem julgamentos. Saiba o que é importante pra você e coloque isso no orçamento. Se tomar uma cerveja com seus amigos de vez em quando é uma prioridade pra você, não tem nada de errado com isso. Quem pode te julgar por isso?! A prioridade é sua, a vida é sua, o orçamento é seu, a felicidade é sua.

    O que importa é essa cerveja (ou qualquer que seja o gasto) estar dentro do seu orçamento e caber no seu padrão de vida. Às vezes só trocar o bar caro por um bar mais simples ou por beber em casa já ajuda (e muito!) o orçamento.

    Você não precisa se privar do que você ama. O planejamento financeiro serve justamente para o contrário: pra você conseguir fazer tudo o que você realmente ama e valoriza.

    Gastos alinhados a prioridades para um bom planejamento

  7.  Deixe espaço para imprevistos. Coloque uma gordurinha (bem pequena, hein!) no orçamento para aquelas coisas que podem surgir de última hora, como consertar o chuveiro que queimou, o celular que quebrou ou pneu que furou.

    Uma coisa legal é separar um valor pequeno do seu orçamento e colocá-lo todos os meses na sua poupança (única situação em que te deixo usar a poupança!) para deixar esse dinheiro separado da sua conta corrente, como uma caixinha mesmo. E quando precisar gastar com coisas pequenas assim que não estavam no orçamento, é só pegar de lá.

5. Invista com sabedoria

A maneira como você investe seu dinheiro é a cereja do bolo do seu planejamento financeiro.

      1. Pague-se primeiro. Já invista quando o dinheiro cair na sua conta. Tire-o de vista, não confie em você. Ficar com dinheiro dando sopa na conta corrente normalmente não dá certo… E você provavelmente já sabe muito bem disso. Inclusive, se possível, automatize esse processo!

        Agende suas TEDs e automatize a alocação do seu dinheiro em novos investimentos para evitar ter dúvidas e ter que tomar novas decisões sempre que for fazer um novo investimento. (A Vérios te ajuda com isso também 😉)

      2. Invista o valor mais razoável possível. Calcule quanto os seus objetivos custam, quanto você tem que poupar por mês para alcançá-los e arregace as mangas. Nada vem fácil, a gente tem que ter disciplina e fazer escolhas.

        Se não der pra investir tudo o que você precisa para conquistar seus objetivos no prazo que você quer, não se torture. Existem duas opções (que não são excludentes): você pode achar outras formas de ganhar dinheiro além do seu trabalho principal (inclusive é bastante recomendado que você não tenha só uma fonte de renda) e pode reajustar o prazo que colocou para os seus objetivos. Mas leve o prazo a sério. A diferença entre um sonho e um objetivo é um deadline. Leve esse prazo a sério e saia da zona de conforto pra conseguir cumpri-lo!

        E eu não disse “o maior valor possível”, disse “o mais razoável”. Para investir o maior valor possível você acabaria abrindo mão de coisas que, provavelmente, tornariam seu plano insustentável. É como fazer uma dieta cortando absolutamente tudo o que você gosta de comer para emagrecer o mais rápido possível: qual é a chance de conseguir continuar assim por muito tempo?

        Não corte simplesmente tudo do seu orçamento para investir o máximo possível, porque vai ser uma questão de (pouco) tempo até você não conseguir mais segui-lo e perder a vontade de continuar. Seja realista. Dentro do que faz sentido pra sua vida, invista o valor mais razoável possível.

        Lembre-se: o que é razoável pra você é diferente do que é razoável para outras pessoas. Foque no que é viável dentro da sua realidade e no que é prioridade pra você. Os sonhos e as conquistas dos outros são diferentes dos  seus.

      3. Investir não é especular. Investir é como plantar uma árvore, requer muita, muita paciência. É um trabalho de disciplina, consistência e, novamente, paciência. Tenha uma estratégia clara, saiba onde você precisa investir (a Vérios te ajuda com isso!) e com que objetivo e deixe sua carteira de investimentos quieta. Deixe o tempo fazer o seu trabalho. 

        Vão ter momentos de alta, momentos de baixa, momentos em que a indústria da pornografia financeira vai te falar “Compre a ação do momento!”, “Ganhe dinheiro rápido com esse investimento!”, “Aproveite essa oportunidade!”. Aprenda a ignorar essas coisas. Não abra espaço para a especulação em seu planejamento financeiro.

        Investir não é especularNormalmente ficamos com a sensação de que devíamos estar nos movimentando o tempo todo para “merecermos” um retorno maior. Parece que se a gente não fizer uma jogada de mestre a cada semana ou a cada mês, estaremos para trás. Pare com isso. Pare.

        Investir é uma coisa; especular, é outra. É absolutamente impossível ficar prevendo e tentando acertar tudo o que vai acontecer com o mercado. Tenha uma estratégia consistente e bem embasada, invista regularmente e desencane.

      4. Tenha sempre pelo menos duas reservas: a reserva de emergências e a reserva de longo prazo, para você saber quanto você precisa investir para sua aposentadoria ou para sua independência financeira — se quiser ajuda, tá na mão a nossa calculadora de aposentadoria. E depois vêm as reservas para os seus objetivos.
      5. Não procure eternamente o investimento perfeito. Isso simplesmente não existe. Começar a investir vai te enriquecer muito mais do que ficar pesquisando (e esperando) eternamente onde investir.

      6. Invista as quantias grandes e atípicas de dinheiro que receber (por exemplo, 13º salário, bônus, restituição do Imposto de Renda etc). Quando a gente deixa esse dinheiro na conta, vem aquela sensação de “tô rycaaa” e a chance de você fazer besteira é enorme. Caiu a bolada na conta? Invista logo.
      7. Não perca dinheiro tentando compensar o tempo perdido por não ter começado a investir antes. Foque em gastar menos do que ganha e poupar a diferença.

        Não fique procurando a oportunidade do momento, o investimento perfeito, porque isso vai te levar a dois resultados.

        Primeiro, você vai se frustrar, porque não existe investimento milagroso, grandes promessas envolvem grandes riscos, e a chance de você perder dinheiro é grande. Não adianta: não existe dinheiro fácil. O que vai te enriquecer é trabalhar, poupar, investir com consistência por muito tempo.

        Segundo, você vai ficar migrando de um investimento para outro, pagando taxa pra entrar, taxa pra sair, taxa pra voltar, vai ficar pulando de galho em galho. Investimento de longo prazo é deixar o dinheiro quieto e esperar os juros compostos fazerem o trabalho deles. Como falamos antes, é como plantar uma árvore.

Investir é uma coisa maravilhosa porque depois que você tem uma estratégia clara (e, se possível, automatizada), você normalmente se dá melhor sendo preguiçoso, olha que incrível!

Leia também: Por que decidi automatizar meus investimentos

Sei que a gente tem a impressão de que tudo tem que ser conquistado com muito suor pra ser merecido, mas acredite: ficar pesquisando toda semana o melhor investimento do momento e migrar de um para outro pra encontrar a oportunidade perfeita só vai te prejudicar.

Parece chato, mas é isso mesmo. Não é uma aventura, é um trabalho de formiguinha. Siga sempre estas quatro regrinhas:

Quatro regrinhas de ouro para você investir bem seu dinheiro

– Diversifique sua carteira de investimentos

É aquela velha história: não coloque todos os ovos na mesma cesta. Não é nem uma questão de “Ah, se um investimento for mal, pelo menos os outros não vão”. A coisa é pura matemática. Uma carteira (bem) diversificada tem potencial de retorno maior com um risco menor. (Conheça a estratégia que seguimos aqui na Vérios.)

– Mantenha baixos os custos que você paga para investir

Já foram feitos milhares de estudos sobre como predizer a performance de um fundo, e até hoje a única correlação muito forte encontrada foi a dos custos. Quanto maior o custo, menor a sua rentabilidade. Saiba sempre quanto está pagando para investir, e para quem você está pagando.

– Atente para a correlação entre risco e retorno

Não olhe apenas para a rentabilidade prometida pelos investimentos, avalie bem o risco envolvido neles. Não existe um investimento totalmente seguro, super rentável e com alta liquidez. Não existe. Pra aumentar um, outro tem que diminuir. Pense sempre nesse tripé antes de escolher um investimento.

– Rebalanceie sua carteira de investimentos periodicamente

Rebalancear sua carteira é se manter dentro do plano, ajustar o rumo quando necessário. Saiba mais aqui.

6. Comporte-se

A última etapa do seu planejamento financeiro é criar um conjunto de ferramentas que vão ajudar você a se manter na linha.

O que faz milagre não é o plano em si, é a sua mudança de comportamento. Por isso é importante ter em mente o seu grande porquê por trás desse planejamento e dos trade-offs que você vai fazer, pra você manter a sua motivação e o seu comprometimento.

Mas vamos ser sinceros: tem coisa melhor do que a gente conquistar nossos sonhos?! Eu acho que não 🙂

  1. Defina o quanto você vai investir por mês e já tire esse dinheiro de vista assim que ele cair na sua conta. Já falei isso antes, mas vale reforçar. Pague-se primeiro, não espere sobrar algo no fim do mês para investir porque você sabe que isso não dá certo.

  2. Seja flexível e não se torture. Se em uma semana, em um mês, gastou mais do que deveria, compense no seguinte e/ou tire um pouco de outra categoria de despesa. Se investiu menos do que deveria em um mês, compense no próximo. Não fique se torturando. Pronto. Faça ajustes e siga em frente, não abandone o plano. Não jogue tudo pra cima quando algo acontecer diferente do planejado.

    Só temos três certezas na vida: (1) imprevistos vão acontecer, (2) somos guiados pela emoção e (3) todos vamos morrer. Deixando esse último de lado e voltando ao assunto, vamos cometer erros, isso faz parte. O importante é ficarmos atentos para conseguirmos identificá-los, aprender com eles e evitar repeti-los. É saber ajustar a rota quando os imprevistos ou erros acontecerem e continuar com o plano.

  3. Encontre formas de garantir que vai conseguir implementar as mudanças que se propôs a fazer. Pense sempre no sonho por trás desse plano e no que você terá que adaptar no seu dia a dia para conseguir implementar as mudanças que você desenhou.

  4. Grave um vídeo ou um áudio seu falando por que cada um daqueles objetivos é importante para você, e por que o seu “sonho grande” é tão importante para você. Fale sobre as suas estratégias para chegar lá e guarde isso.

    Assista ao vídeo novamente sempre que sentir vontade de sair do plano ou quando tiver dúvidas sobre uma decisão. Veja o vídeo e reflita se isso que você quer fazer te ajuda a chegar mais perto dos seus sonhos ou te distancia deles. É como ter a sua consciência ali, disponível, pra te lembrar sempre o motivo por trás de todo esse plano.

  5. Automatize o máximo que puder. Da gestão dos seus investimentos ao pagamento das suas contas, automatiza tudo que puder. Em vez de se forçar a tomar decisões regularmente, tire essa preocupação do seu cérebro.

    Quando temos que tomar novas decisões, abrimos margem para duas coisas: ficar em dúvida e não fazer nada. Você vai economizar tempo e esforço, não vai pagar juros por contas atrasadas e vai diminuir a tentação de se trapacear.

  6. “Por enquanto, não.” Dica: uma coisa que ajuda a conseguir se controlar é pensar que você não precisa falar não pra si mesmo, quando quiser comprar algo que não cabe no orçamento. É “ainda não”, ou “por enquanto, não”. Assim você consegue diminuir muito a sua frustração e ansiedade, e quando conseguir comprar essa coisa, a sensação de prazer e conquista vai ser muito maior — e a melhor parte: com prazer e sem peso na consciência!

  7. Não trate gastos pontuais como imprevistos ou exceções. Natal acontece todo ano, pagar o seguro do carro acontece todo ano, etc. Essas despesas não ocorrem todos os meses, mas batem à porta uma vez por ano, ou com alguma frequência um pouco maior. Trate esses gastos como despesas mensais: Calcule o quanto eles custam no ano, divida por 12 e veja quanto você deve poupar para eles todos os meses. Crie essas reservinhas menores para colocar o dinheiro que você separa todos os meses para pagar coisas maiores.

(Se quiser mais dicas práticas para se manter na linha, leia também estas 24 dicas para lidar com seu dinheiro.) 

No fim, o seu planejamento financeiro de uma página vai ter essa cara:

Template do planejamento financeiro

A primeira parte é mais fácil, é colocar tudo no papel. A segunda é o real desafio: tirar tudo do papel.

Faça acontecer! Você está a uma decisão de distância da vida que sonha.

***

Se você quiser assistir a este conteúdo também no formato webinar, recebendo ainda um PDF com mais dicas como estas que ilustram o artigo, clique aqui.

O conteúdo deste artigo é baseado no livro The One-Page Financial Plan, de Carl Richards, consultor financiero norte-americano e autor da coluna Sketch Guy no jornal The New York Times.

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Autores

Formada em Ciências Contábeis pela USP, Vic é analista de dados na Vérios, atende os amigos do Ueslei pelas manhãs e faz consultoria de planejamento financeiro nas horas vagas

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