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27 de outubro de 2017 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Por que a taxa Selic está caindo?

27 de outubro de 2017

Nesta semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) determinou a redução da meta da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, em mais 0,75%, passando assim de 8,25% ao ano para 7,5% ao ano.

Há um ano, em outubro de 2016, começaram os cortes na taxa Selic. Nessa época, a Selic estava em 14,25% ao ano. De lá pra cá, as reduções totalizaram 6,75%. Mas por que os juros estão caindo tanto?

O atual ciclo de cortes da taxa de juros da economia brasileira é, sem dúvida, o mais intenso desde o início do Plano Real. O Banco Central preparou seu plano de voo e comunicou ao mercado o objetivo de reduzir a Selic, trazendo-a para mínimas históricas.

Devemos compreender essa estratégia dentro do contexto econômico atual, que não é dos melhores. A economia ainda está cambaleante e com uma parte relevante da população desempregada1. Sendo assim, os efeitos de taxas de juros cada vez menores tendem a trazer uma melhora a esse quadro, mesmo de que forma indireta.

Juros menores favorecem a retomada da economia

Taxas de juros reduzidas são essenciais para a retomada do crescimento do país, especialmente porque criam uma dinâmica positiva na conjuntura econômica. De forma bem simplificada, funciona assim:

Quando a taxa de juros é menor, tudo fica um pouco mais fácil: investir, empreender, emprestar, arriscar, gastar… Isso porque o custo do dinheiro é reduzido, o que incentiva os investimentos e o desengavetamento de projetos, seja de grandes ou pequenas empresas, além de desonerar o dia a dia de famílias endividadas (que pagarão juros menores em suas dívidas).

Gráfico com a evolução histórica da taxa de juros, a Selic

Evolução da taxa Selic desde 2009: saímos de 14,25% para 7,5% em um pouco mais de um ano

O Brasil ainda carrega o título nada nobre de ter uma das maiores taxas de juros no mundo. Esse movimento de redução de taxas sinaliza em direção a uma mudança nesse cenário. Especialmente se as reformas estruturais continuarem sendo aprovadas, com a esperada melhoria nas contas públicas, é possível que a taxa Selic continue nesse patamar reduzido por um período mais longo.

Inflação também está bastante reduzida

Apesar de a taxa Selic ser o centro das atenções, a principal função do nosso Banco Central é chegar ao final de cada ano com a inflação dentro da meta, estabelecida no intervalo que vai de 3% a 6% ao ano. Para a nossa “sorte” (ou graças ao movimento de desinflação dos alimentos), neste ano estamos caminhando também para um dos menores níveis de inflação da história, algo próximo a 3% no ano.

Menos inflação significa mais renda real disponível para a população, mais estabilidade nos preços e menor custo de vida.

Até onde vai a queda dos juros?

Essa é a grande questão do momento. Qual será o patamar em que os cortes da Selic vão estacionar? 7% ao ano? Talvez 6%? Não há pistas.

Se você for curioso, tiver tempo e disposição, tente fazer um exercício simples: ler os comunicados ou atas das reuniões do Copom. As chances de você entender bulhufas são elevadas! Mesmo para economistas é uma árdua tarefa. São muitos termos técnicos e jargões, a escrita é errática e dúbia… É quase uma língua própria: o “copomnês”2.

De fato, isso parece ser proposital. O Banco Central costuma se comunicar nas entrelinhas, deixando a janela aberta para várias interpretações, não fazendo grandes afirmações para não se comprometer no futuro.

Ninguém sabe ao certo os planos do Copom para a taxa de juros. Mas uma coisa é certa: estamos indo para um lugar que parece melhor se comparado a onde estávamos há pouco tempo atrás.

Veja no gráfico desta reportagem do Valor Econômico (com dados do IBGE) a evolução do desemprego nos últimos anos. 

Confira no Terraço Econômico uma interessante análise do “copomnês”: “Quando as palavras contam a história: o que as atas do Copom nos dizem?”

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