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13 de agosto de 2015 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Por que distribuir os ovos em várias cestas? Entenda a Teoria Moderna do Portfólio

13 de agosto de 2015

Sabe aquela história de que é preciso distribuir os ovos em várias cestas? Ela vai muito além da sabedoria popular. No mundo dos investimentos, ela tem embasamento científico: a Teoria Moderna do Portfólio. Neste artigo, resumimos a essência dessa teoria e mostramos como carteiras de investimento se beneficiam da aplicação dos seus princípios.

O que é a Teoria Moderna do Portfólio

Em uma frase, a Teoria Moderna do Portfólio (TMP) é um modelo matemático de construção de carteiras de investimento que otimiza a alocação dos ativos para obter o melhor retorno possível para um dado nível de risco.

Foto de Harry Markowitz
Markowitz, fundador dos alicerces da TMP. Crédito: nobelprize.org

As bases da TMP foram lançadas no artigo “Portfolio selection”, publicado em 1952 pelo economista norte-americano Harry Markowitz. Desde então, seus estudos vêm sendo aperfeiçoados pelas contribuições de outros pesquisadores, com notável destaque para William Sharpe, Fischer Black e Robert Litterman.

Em 1990, em reconhecimento ao desenvolvimento da teoria, Markowitz foi condecorado com o Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel, juntamente com William Sharpe e Merton Miller. Nada mal, ahn? Agora, vem entender por que ele mereceu o maior prêmio da Economia.

O conceito de risco-retorno

Antes da TMP, a construção de carteiras de investimento analisava o potencial dos ativos de forma individual, sempre em busca daqueles que possuíam maior perspectiva de retorno. Porém, os ativos com maior potencial de ganho, em geral, eram aqueles de maior risco.

Como fazer para obter o máximo de retorno para o grau determinado de risco que estou disposto a correr? Foi a resposta de Markowitz a essa pergunta que introduziu o conceito de risco-retorno, hoje tão comum no mercado.

A partir do estudo do comportamento das classes de ativos (como ações do Ibovespa e títulos públicos vinculados à Selic), é possível determinar alocações equilibradas com a melhor relação entre cada nível de risco e retorno. Como se chega nisso? Com modelos de otimização sofisticados – você também pode chamá-los de “muita matemática e estatística”.

A matemática por trás da diversificação

Ao estabelecer que o risco é uma variável tão importante quanto o retorno na construção de carteiras, a Teoria Moderna do Portfólio quantificou a ideia já disseminada no mundo dos investimentos de que não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta: é preciso diversificar.

O dinheiro circula entre os diversos mercados. Quando alguém vende um ativo, provavelmente comprará algum outro. Uma única decisão tomada afeta simultaneamente dois ativos, pelo menos. Portanto, não faz sentido analisar de forma isolada os movimentos de cada papel, e sim o seu conjunto.

Imagine a situação do mercado hoje: muitas pessoas estão migrando seus investimentos (seus ovos) de fundos de ações (cesta 1) para fundos DI (cesta 2). A cesta 2 está disputada, daqui a pouco não vão caber mais ovos. Já a cesta 1 está com espaço sobrando…

Com a TMP, é possível medir matematicamente o tamanho das cestas e o equilíbrio ideal para distribuir os ovos entre elas

Aplicando a Teoria Moderna do Portfólio, é possível medir matematicamente o tamanho das cestas e o equilíbrio ideal para distribuir os ovos entre elas, considerando não apenas o benefício de estar na cesta (expectativa de retorno), mas também o risco.

Diversificar é investir em ativos com riscos diferentes. Ao longo do tempo, o impacto das mudanças econômicas é absorvido de forma diferente por cada um deles. Isso faz com que o comportamento da carteira como um todo seja beneficiado pelo equilíbrio matemático dos ativos que a compõem.

Como a TMP é aplicada no mercado financeiro?

A Teoria Moderna do Portfólio é usada no mercado financeiro há muito tempo, mas os investidores em geral não usufruem dela para cuidar do seu patrimônio financeiro. No Brasil, quem tem acesso são aqueles que podem e querem pagar por uma gestão mais profissional em gestoras de patrimônio ou family-offices, por exemplo. Modelar carteiras otimizadas e rebalanceá-las constantemente é um trabalho complexo, de fato.

Só que não estamos mais no ano de 1952, quando Markowitz publicou seu artigo. Nós estamos em 2015. A tecnologia, assim como vem ocorrendo em diversos segmentos, é uma alavanca para a evolução do mercado financeiro.

A tecnologia é o caminho para ampliar o acesso a metodologias de investimento baseadas na Teoria Moderna do Portfólio

Com sistemas robustos de análise de dados, surgiram nos Estados Unidos os serviços de investimento automatizado, também conhecidos como robo-advisors. Os estudos de otimização e cálculos de alocação de ativos e rebalanceamento são feitos com mais agilidade e as operações de compra e venda de ativos são automáticas, reduzindo custos a partir da eficiência dos processos.

Com isso, ampliou-se o acesso de investidores a esse modelo sofisticado de gestão de investimentos, cuja metodologia é baseada na TMP. Hoje, as duas principais empresas do segmento, Wealthfront e Betterment, já somam mais de US$ 5 bilhões em patrimônio sob gestão.

Resumindo

Metodologias de investimento baseadas na Teoria Moderna do Portfólio permitem que você invista em uma carteira matematicamente diversificada e equilibrada, calibrada tanto para cenários favoráveis quanto para cenários desfavoráveis da economia.

Quer saber como a Vérios aplica a TMP para criar carteiras de investimento otimizadas? Simule seu investimento e descubra a alocação recomendada para o seu perfil a partir da aplicação prática dos cálculos de Markowitz e cia.

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Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

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Autores

Economista pela Unicamp com Certificação de Gestores Anbima (CGA) e programadora nas horas vagas, Aninha foi Head de Customer Experience na Vérios e ajudou a construir nosso modelo de atendimento próximo e eficiente, que se tornou referência no mercado financeiro

Um dos cofundadores da Vérios, Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science

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