Você tem um dinheirinho para investir mas pode precisar dele de volta em breve. O destino natural para esse dinheiro seria a conta poupança, mas todos falam que é mau negócio. Principalmente agora que a taxa Selic está abaixo de 8,5%, o que faz com que o rendimento da poupança seja ainda menor.

Ao mesmo tempo, você tem pensado em investir no Tesouro Direto, mas o programa de distribuição de títulos públicos parece confuso. São muitas letrinhas e nomes complicados. Será que algum dos títulos seria um bom substituto para a poupança?

Neste artigo vamos comparar a caderneta de poupança com o Tesouro Selic, o título “feijão com arroz” do Tesouro Direto, para ajudar você a decidir onde aplicar os recursos da sua reserva de oportunidades (também conhecida como reserva de emergências).

Reserva de oportunidades: é uma das três reservas recomendadas para que você tenha um bom planejamento financeiro. Nela, você investe recursos que pode precisar no curto prazo (dentro de um ano ou menos) seja para aproveitar oportunidades, seja para pagar despesas imprevistas sem ter que desfalcar o orçamento. Saiba mais sobre as reservas financeiras.

Prós e contras da poupança

A conta poupança dispensa apresentações. Acredito que todos já tenham poupado dinheiro nela, certo?

Nós simpatizamos com a poupança basicamente por três fatores: é fácil (basta transferir o dinheiro para a conta), não tem custos e não tem impostos. Essas comodidades cobram um preço: o rendimento fraco.

Atualmente, a poupança rende 70% da taxa Selic + a taxa referencial (TR). Se 2017 acabar com a taxa básica de juros, a Selic, em 7% ao ano -- como algumas projeções indicam -- a poupança estará rendendo 4,90% ao ano (ou seja, 70% de 7%) mais a TR (que varia mês a mês, e, no ritmo em que está, dificilmente chegará a 0,80% no ano).

Para entender melhor o rendimento da poupança, assista ao vídeo:

Prós e contras do Tesouro Selic

O título público oferecido pelo Tesouro Direto com grande potencial para substituir a poupança como residência oficial da sua reserva de oportunidades é o Tesouro Selic. Ao contrário da poupança, investir nele tem custo e tem imposto. Em contrapartida, o rendimento é melhor.

Como o próprio nome sugere, o rendimento do Tesouro Selic é dado pela taxa Selic. Só que investir no Tesouro Direto tem dois custos que precisam ser descontados da rentabilidade. O primeiro é a taxa de custódia cobrada para manter o investimento aplicado em seu nome e CPF. Ela custa 0,30% sobre todo o valor investido. O segundo é a taxa de administração, que pode ou não ser cobrada pela instituição financeira que intermedeia o investimento no Tesouro Direto (as principais corretoras não cobram mais essa taxa).

No melhor dos cenários, portanto, o rendimento anual do Tesouro Selic com a Selic a 7% ao ano seria bem próximo de 6,70% ao ano (lembre que nesse patamar de juros, e com uma TR otimista de 0,80%, a poupança renderia 5,70% ao ano).

Só que há ainda a cobrança do Imposto de Renda1. O IR incidirá apenas no resgate, e quando mais tempo o dinheiro ficar aplicado, menor será a alíquota (percentual) a descontar dos rendimentos obtidos com a aplicação no Tesouro Selic. Ao resgatar um ano após a aplicação, o desconto é de 17,5% dos rendimentos.

Poupança ou Tesouro Selic: qual rende mais?

Suponha que você invista R$ 5.000 no Tesouro Selic e tenha um rendimento de 6,70%, ou seja, R$ 335 (na verdade, é um pouco mais, pois os rendimentos são calculados diariamente e vão aumentando o “bolo” sobre o qual serão calculados os rendimentos dos dias seguintes; mas vamos manter assim para simplificar o cálculo).

Ao resgatar após um ano, 17,5% de R$ 335 -- ou seja, R$ 58,63 -- serão retidos pelo Leão. Assim, o saldo final líquido seria de R$ 5.276,38.

Na poupança, o mesmo investimento teria como saldo final R$ 5.285, cerca de R$ 9 reais a mais (observe que esse é o cenário mais extremo: estamos usando números e projeções otimistas para a poupança, a alíquota do IR não é a mínima possível e consideramos um rendimento menor que o real do Tesouro Selic para simplificar as contas).

Portanto, apesar de nos últimos anos a poupança sempre ter rendido menos que o Tesouro Selic, existe um cenário de juros mais baixos em que a poupança pode, sim, render mais, mesmo que por pouquíssimos reais de diferença.

Ainda assim, se um amigo me fizesse a pergunta “poupança ou Tesouro Selic?”, eu recomendaria o Tesouro Selic. Sabe por quê? Por três principais motivos.

  • O primeiro é que, ao sair da poupança, você deixa a inércia, dá o pontapé inicial para outros tipos de investimento e começa a diversificar, ou seja, investir de forma segura e saudável.

  • O segundo motivo é que a poupança parece bonitinha mas pode ser ordinária: o rendimento só é calculado uma vez ao mês, no chamado aniversário da poupança. Se precisar do dinheiro antes, tchau rentabilidade do mês! É uma comodidade que cobra o seu preço. Não é porque não tem custo nem imposto que é mais vantajoso.

  • O terceiro motivo é que o Tesouro Selic é mais seguro do que a conta poupança. É só lembrar que o primeiro é garantido pelo Tesouro Nacional, considerado o “ativo livre de risco” da economia brasileira. Já a poupança depende da saúde financeira do banco. Dentro dos limites estabelecidos, ela tem a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que é bem menor que a do Tesouro Nacional.

Por fim, é importante você saber que rentabilidade não é tudo. Para completar nossa comparação, veja a tabelinha abaixo com outros fatores que você deve considerar além do rendimento.

Isenção de Imposto de Rendaé possível aplicar em debêntures incentivadas, que são isentas de IR

Poupança

Rendimento: Com Selic igual ou menor que 8,50% ao ano, a poupança rende 70% da Selic + TR. Com Selic maior que 8,50% ao ano, a poupança rende 0,50% ao mês + TR

Risco: Sujeita ao risco de crédito da instituição bancária, garantido dentro dos limites do FGC

Liquidez (prazo para resgate): Imediata

Custos ou taxas: Não há

Impostos: Isenta

Tesouro Selic

Rendimento: Igual2 à taxa Selic

Risco: Tem o menor risco dentre todas as aplicações financeiras disponíveis na economia brasileira

Liquidez (prazo para resgate): 1 dia útil

Custos ou taxasTaxa de custódia (0,30% ao ano) + Taxa de administração (não é mais cobrada pelas maiores corretoras independentes)

ImpostosIOF (para aplicações com menos de 30 dias) e IR

É claro que há outras opções com baixo risco e liquidez para aplicar sua reserva de emergência, além do Tesouro Selic. É o caso dos fundos de renda fixa e CDBs, ambos igualmente sujeitos a tributação. Porém, ao investir pelo banco, é muito provável que o rendimento obtido seja no mesmo patamar do da poupança, ou até menor. Acredite: o quanto antes você tirar seu dinheiro do banco, melhor.

Espero que o artigo tenha sido útil e ajudado você a compreender os motivos pelos quais vale a pena sair logo da poupança e investir melhor sua reserva de curto prazo. Faça a conta, considere outros fatores “além da conta” e vá em frente! Se precisar de ajuda ou tiver alguma dúvida, deixe seu comentário que volto para responder.

Aplicações financeiras com menos de 30 dias sofrem também a cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre o rendimento. Estamos supondo que você manterá os recursos aplicados por pelo menos 30 dias, por isso simulamos apenas o Imposto de Renda (IR).

Há uma pequena diferença pelo chamado spread no preço de compra e venda dos títulos públicos, mas como essa diferença é bem pequena, para simplificar podemos considerar que o rendimento do Tesouro Selic é igual ao da taxa Selic.


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Poupança ou Tesouro Direto? Onde investir para o curto prazo?
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