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9 de Janeiro de 2015 Ultima atualização: 2 de outubro de 2018

Previdência privada: quando vale a pena?

Casos de pessoas insatisfeitas em ter o patrimônio "preso" em um fundo de previdência privada são bastante comuns, principalmente com clientes de bancos de varejo. Contudo, existem casos nos quais os fundos de previdência podem ser um instrumento eficaz para construir patrimônio de longo prazo. Entenda como funciona!

9 de Janeiro de 2015

Há pouco tempo, um gerente-geral de uma multinacional nos procurou insatisfeito com seu patrimônio “preso” em um fundo de previdência privada de baixa rentabilidade e alto custo de administração. Para resgatar, as taxas eram proibitivas. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come – era o resumo da sua situação1.

Casos assim acontecem principalmente com clientes de bancos de varejo, mas não são a regra. Em alguns casos, os (bons) fundos de previdência complementar podem ser um instrumento eficaz para a construção de patrimônio financeiro de longo prazo.

Há um benefício simples e direto nesse tipo de investimento: reduzir o Imposto de Renda. O poder cumulativo dessa economia com impostos ao longo de uma carreira pode ajudar a estabelecer um padrão de vida mais confortável na aposentadoria.

Quer ver como funciona, na prática? Veja a simulação abaixo.

Simulação do benefício fiscal

Vamos tomar como exemplo um profissional com cargo de gestão em uma empresa, ou um servidor público de alto escalão, por exemplo.

Suponha que a renda média mensal bruta desses profissionais esteja na faixa de R$ 20.000 a R$ 25.000. Considerando adicionais e descontos previdenciários, podemos estimar uma renda bruta anual tributável de R$ 250.000.

Se o profissional contribuir para um Plano Gerador de Benefício Líquido (PGBL) até 12% desse montante – vamos considerar R$ 30.000 – é possível obter uma economia fiscal (dedução no Imposto de Renda) próxima a R$ 8.000 por ano.

Compare:

  Sem contribuir
para a previdência complementar
Contribuindo
para a previdência complementar
Renda bruta anual tributável R$ 250.000 R$ 250.000
Contribuição para PGBL 0 R$ 30.000
Base de cálculo do IR R$ 250.000 R$ 220.000
Alíquota de IR 27,5% 27,5%
Cálculo do IR R$ 68.750 R$ 60.500
Desconto anual sobre a alíquota R$ 9.913 R$ 9.913
Imposto devido R$ 58.837 R$ 50.587
Ganho fiscal 0 R$ 8.250

Esses R$ 30.000 que não foram tributados na alíquota de 27,5% e proporcionaram a economia fiscal de R$ 8.250 passam a ser rentabilizados pelos juros da aplicação. Mais uma vantagem: após 10 anos, pelo regime regressivo do PGBL, esta alíquota chega a 10%.

O poder cumulativo do benefício fiscal favorece a construção de patrimônio no longo prazo

 Além disso, é possível ficar com esse crédito com o governo por décadas e pagar de forma fracionada, quando efetuar os resgastes, pois somente a menor parte do seu capital é tributável.

Agora vamos ver como ficaria o patrimônio acumulado ao final de 30 anos de contribuição, considerando um retorno médio real (descontada a inflação) de 5% ao ano:

Contribuição anual
R$ 30.000
Período de contribuição
30 anos
Taxa de juros real
5%
Patrimônio acumulado
R$ 1.993.165
IR devido
R$ 199.316

Tributação no resgate

Observe que, embora o Imposto de Renda a pagar no resgate totalize R$ 199.316, existe uma diferença entre o devido e o exigível. Se, como complementação de sua aposentadoria, você decidir gastar R$ 100 mil por ano, irá pagar apenas R$ 10 mil de imposto (10% do valor resgatado), e o governo terá que esperar as suas próximas decisões de resgate para se apropriar dos demais R$ 189.316.

Fundos de previdência são tributados apenas no resgate. Não há come-cotas

E, vale lembrar, os fundos de previdência privada não estão sujeitos ao come-cotas, o modelo de tributação semestral dos fundos de investimento.

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Pontos de atenção

Apesar das vantagens dos planos de previdência complementar, é preciso ter atenção às taxas de carregamento, administração e a rentabilidade dos produtos, para que não prejudiquem seu plano de complementação de renda. Esforçar-se para manter os custos de investir seu dinheiro baixo é a única forma garantida de aumentar sua rentabilidade no longo prazo.

Fique atento: o benefício fiscal explicado neste artigo só é aplicável àqueles que fazem a declaração completa para a Receita Federal e optam pelo PGBL.

Veja o infográfico preparado pela Folha de S. Paulo2 que resume pontos de atenção com os custos e a tributação nos planos de previdência complementar.

previdência privada vale a pena

Se você percebeu que previdência privada não vale a pena para você, busque outras alternativas de investimento. Escolha aquelas que foquem no longo prazo, com planejamento, praticidade, uma metodologia de diversificação reconhecida e baixos custos, como os serviços de investimento automatizado.

1 Como alternativa a uma situação dessas, também é possível fazer portabilidade de planos de previdência privada. 

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/04/1446340-para-ter-direito-a-beneficio-fiscal-e-necessaria-a-contribuicao-ao-inss.shtml 

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Autores

Ávila é cofundador da Vérios e consultor de investimentos com a certificação CFP®

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