Previdência privada: quando vale a pena?

Aposentadoria: confira a simulação

Há pouco tempo, um gerente-geral de uma multinacional nos procurou insatisfeito com seu patrimônio “preso” em um fundo de previdência de baixa rentabilidade e alto custo de administração. Para resgatar, as taxas eram proibitivas. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come – era o resumo da sua situação.

Casos assim acontecem principalmente com clientes de bancos de varejo, mas não são a regra. Se bem escolhidos, os (bons) fundos de previdência complementar podem ser um instrumento poderoso de construção de patrimônio financeiro de longo prazo.

Há um benefício simples e direto nesse tipo de investimento: reduzir o montante pago ao fisco – e sabemos que não é pouco. O poder cumulativo dessa economia ao longo de uma carreira pode ajudar a estabelecer um padrão de vida mais confortável na aposentadoria.

Quer ver como funciona, na prática? Veja a simulação abaixo.

Simulação do benefício fiscal

Vamos tomar como exemplo um profissional com cargo de gestão em uma empresa, ou um servidor público de alto escalão, por exemplo. Suponha que a renda média mensal bruta desses profissionais esteja na faixa de R$ 20.000 a R$ 25.000. Considerando adicionais e descontos previdenciários, podemos estimar uma renda bruta anual tributável de R$ 250.000.

Se o profissional contribuir para um Plano Gerador de Benefício Líquido (PGBL) até 12% desse montante – vamos considerar R$ 30.000 – é possível obter uma economia fiscal (dedução no Imposto de Renda) próxima a R$ 8.000 por ano.

Compare:

  Sem contribuir
para a previdência complementar
Contribuindo
para a previdência complementar
Renda bruta anual tributável R$ 250.000 R$ 250.000
Contribuição para PGBL 0 R$ 30.000
Base de cálculo do IR R$ 250.000 R$ 220.000
Alíquota de IR 27,5% 27,5%
Cálculo do IR R$ 68.750 R$ 60.500
Desconto anual sobre a alíquota R$ 9.913 R$ 9.913
Imposto devido R$ 58.837 R$ 50.587
Ganho fiscal 0 R$ 8.250

Esses R$ 30.000 que não foram tributados na alíquota de 27,5% e proporcionaram a economia fiscal de R$ 8.250 passam a ser rentabilizados pelos juros da aplicação. Mais uma vantagem: após 10 anos, pelo regime regressivo do PGBL, esta alíquota chega a surpreendentes 10%.

O poder cumulativo do benefício fiscal favorece a construção de patrimônio no longo prazo

 Além disso, é possível ficar com esse crédito com o governo por décadas e pagar de forma fracionada, quando efetuar os resgastes, pois somente a menor parte do seu capital é tributável.

Agora vamos ver como ficaria o patrimônio acumulado ao final de 30 anos de contribuição, considerando um retorno médio real (descontada a inflação) de 5% ao ano:

Contribuição anual
R$ 30.000
Período de contribuição
30 anos
Taxa de juros real
5%
Patrimônio acumulado
R$ 1.993.165
IR devido
R$ 199.316

Tributação no resgate

Observe que, embora o Imposto de Renda a pagar no resgate totalize R$ 199.316, existe uma diferença entre o devido e o exigível. Se, como complementação de sua aposentadoria, você decidir gastar R$ 100 mil por ano, irá pagar apenas R$ 10 mil de imposto (10% do valor resgatado), e o governo terá que esperar as suas próximas decisões de resgate para se apropriar dos demais R$ 189.316.

Fundos de previdência são tributados apenas no resgate. Não há come-cotas

E, vale lembrar, os fundos de previdência privada não estão sujeitos ao come-cotas, o modelo de tributação semestral dos fundos de investimento.

Não parece uma conta simples e interessante?

banner-calculadora-aposentadoriaPontos de atenção

Apesar das vantagens dos planos de previdência complementar, é preciso ter atenção às taxas de carregamento, administração e a rentabilidade dos produtos, para que não prejudiquem seu plano de complementação de renda. Esforçar-se para manter os custos de investir seu dinheiro baixo é a única forma garantida de aumentar sua rentabilidade no longo prazo.

Fique atento: o benefício fiscal explicado neste artigo só é aplicável àqueles que fazem a declaração completa para a Receita Federal e optam pelo PGBL.

Se você percebeu que previdência privada não vale a pena para você, busque outras alternativas de investimento. Escolha aquelas que foquem no longo prazo, com planejamento, praticidade, uma metodologia de diversificação reconhecida e baixos custos, como os serviços de investimento automatizado.

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Ávila é cofundador da Vérios e consultor de investimentos com a certificação CFP®

  • Kleber S.

    Olá, claro que quanto menores forem as taxas de carregamento e administração melhor mas até quanto (quantos % de cada) o investimento em previdência privada deixaria de ser um bom negócio? Ou não importa quanto for, o investimento será sempre positivo? em comparação com outras opções de renda fixa como os Títulos do Tesouro por exemplo, é mais ou menos vantajoso?

    Parabéns pelo artigo!

    • Olá, Kleber.
      Essas perguntas são ótimas, mas é muito difícil respondê-las de maneira objetiva, pois as respostas variam caso a caso.

      As taxas de carregamento costumam ser muito altas, 5%, já vi até 7%, mas já podem ser evitadas. A Icatu tem alguns planos de previdência com a taxa de carregamento cobrada apenas na saída. Se sair em menos de um ano é 3%, mas vai caindo e se ficar pelo menos 3 anos com o plano, a taxa cai completamente (zero). Três anos é um prazo bastante curto para um plano de previdência, portanto a taxa é bem aceitável.

      Sobre as taxas de administração, não deveriam passar 2% ou 3% ao ano, no máximo. Há várias opções por menos de 2% ao ano.

      Outra coisa importante que impacta no seu patrimônio é a qualidade do investimento. Qual a política de alocação? Como têm sido os resultados?
      Para comparar com títulos públicos, seria necessário ver no caso concreto: 1 plano de previdência vs. algumas opções de títulos, e mesmo assim a resposta é incerta. O mercado pode favorecer um caminho ou o outro, e o resultado depende de muitos fatores futuros e imprevisíveis.

      Abs,
      Felipe

  • Thiago Augusto

    Possuo uma Previdência Privada com uma tx de adm. de 1%. Mas no início não era assim. Há 07 anos atrás adquiri uma Previdência sem nenhum conhecimento. Há dois anos comecei a me preocupar e busquei a corretora e fui direto a Icatu seguros. Na ocasião, desde Dez/07 tinha um fundo multimercados, Icatu 49% e ele nunca foi modificado até que eu dei o grito e mudei para um Fundo de RF na CEF. Quando disse que eu ia mudar a Icatu me procurou, disse de outros fundos de investimentos e além disso modificou as taxas. Infelizmente falta conhecimento e quando o adquirimos conseguimos atingir melhor os objetivos, pois deixar na mão deles é fria. É preciso ter um conhecimento crítico.

  • Leonardo Freitas Silva

    Sou proprietário da PME Seguros, especialista em previdência privada; representando hoje as maiores seguradoras do país, atendendo clientes em várias partes do país.
    A primeira situação a se observar, é ser bem orientado, um corretor habilitado na SUSEP e com certificação de investimentos é fundamental! Quando se é especialista, se consegue condições melhores nas seguradoras para toda sua carteira de clientes.
    Taxas de administração de 2% é absurda! Carregamento, hoje tem opções de 0%; fundos, também são vários.

    A orientação adequada, faz que pelo menos uma vez ao ano, sente-se com o cliente para uma reavaliação da carteira.
    Planos de previdência são excelentes investimentos, mas a orientação é fundamental!
    Agências bancárias não são lugares para se adquirir esse tipo de investimento.
    http://www.pmeseguros.com.br