Procuram-se informações sobre LCI e LCA

Já explicamos aqui no blog os 8 motivos pelos quais decidimos não incluir as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA) de bancos de segunda linha nas carteiras diversificadas dos nossos clientes.

O primeiro motivo é que não conseguimos saber ao certo o que está por trás desses papéisA embalagem é muito atrativa, com rentabilidade alta, isenção de Imposto de Renda e garantia do FGC. Mas o que há dentro dela?

Telefonei para diversos bancos, emissores e custodiantes de LCI/LCA fazendo uma pergunta muito simples: o que tem dentro desses papéis de crédito? As respostas são assustadoras.

Tenho estudado e acompanhado a oferta de LCI e LCA há algum tempo. Vou compartilhar um resumo do que apurei até o momento para você refletir comigo.

A embalagem é bonita, mas o que tem dentro?

Veja este exemplo de uma “prateleira” de LCIs e LCAs disponíveis para aplicação no site de uma grande corretora.

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Prateleira de produtos disponíveis no site de uma grande corretora

As ofertas dos títulos incluem o nome do banco emissor e suas avaliações de risco de crédito (rating), ao clicar no pequeno ícone azul com uma interrogação.

A prateleira traz ainda a rentabilidade prometida pelo título, a liquidez (prazo até o vencimento) e os valores mínimos para aplicação. Tem até um carrinho para colocar o produto.

Mas tudo isso é embalagem. São os atributos de venda dos produtos. Reparou que não há nenhuma informação dos produtos em si? Não tem nada que diz do que são compostos esses ativos. Quais são os ingredientes desses produtos?

Onde ficam esses imóveis?

Quais são os agronegócios?

Você empresta seu dinheiro para o banco e o banco empresta para quem?

Qual a capacidade de pagamento dessas pessoas? Ou seriam empresas?

Em que estão lastreadas essas LCIs e LCAs? Quanto valem esses imóveis?

Sem informações, é impossível avaliar o risco

Sem conhecer os agentes envolvidos nas operações de crédito, não é possível avaliar a saúde financeira desses empréstimos que são feitos com os recursos aplicados por investidores. Tudo que sabemos é que os recursos devem ser direcionados para o ramo imobiliário ou do agronegócio.

Simplesmente não há informação suficiente. Esses produtos podem ser muito bons ou muito ruins. O fato é: as pessoas estão investindo no escuro.

A grande questão que não conseguimos responder para corretamente avaliar LCIs e LCAs é:

Do que são compostos esses ativos?

Parece errado investir em algo que você não consegue saber o que é. Você pode não querer saber. Mas caso queira, não parece errado você descobrir que não tem acesso a qualquer tipo de informação? Não conseguir avaliar o risco? Isso é estranho.

A saga por informações

Minhas incursões em busca de informações nos balanços dos bancos emissores de LCI e LCA fracassaram. Então decidi entrar em contato com essas instituições.

Ao longo de duas semanas, telefonei para diversos bancos, e até para a Cetip, que faz a custódia dos papéis. Ninguém soube me passar esta informação: quais são os créditos que lastreiam a LCI ou a LCA que estava sendo ofertada no site da corretora?

Muitas pessoas que me atenderam simplesmente não entendiam minha pergunta, como se fosse algo anormal tentar descobrir onde seu dinheiro será investido.

Então eu tentava ser mais específico nas perguntas: “Quais são os tipos de imóveis para onde o banco empresta os recursos da LCI? Onde eles ficam localizados?”.

Parecia que eu falava grego.

meme-telefone

Foram longos minutos na espera enquanto eu era transferido de uma pessoa a outra. É… Não adiantou muito.

Alguns exemplos de ligações que fiz:

24/08/2016, 15h40: Banco Pine
(11) 3372-5200

Falei com uma pessoa da área comercial que disse que fui a primeira pessoa a ligar para lá com essa pergunta, mas que eu teria que buscar essa informação na Cetip.

25/08/2016, 9h06: Cetip
(11) 3111-1477

Falei com um atendente que me deu outro telefone para entrar em contato com a área chamada Operacional Valores Mobiliários: (11) 3111-1596. Telefonei para essa área, mas disseram que todos estavam ocupados e ninguém poderia me atender no momento

25/08/2016, 9h40: Banco Original
4004-0800

Essa foi rápida. O atendente disse que o banco não oferece LCI. Oi?! Você pode ver a oferta de LCI do Original na prateleira de produtos da corretora, no início deste artigo.

25/08/2016, 9h45: Banco ABC Brasil
(11) 3170-2000

A pessoa que me atendeu disse que me enviaria por e-mail um material informativo sobre a LCA do banco. Nunca recebi.

25/08/2016, 9h55: Cetip
(11) 3111-1477

Voltei a tentar contato com a Cetip. O primeiro atendente me transferiu para o “departamento operacional”. Depois uma pessoa de lá me informou que não poderia fornecer as informações que eu pedia, mas não consegui entender o motivo. Ela falou algo sobre não poder oferecer endereços individuais dos tomadores de crédito, o que faz sentido. Mas eu não queria tudo isso, apenas os tipos de imóveis e regiões onde estavam localizados (no caso das LCIs). Nesse momento me dei conta que ninguém que investe nesses ativos conseguiria ter noção do que tem dentro deles.

Por que procurar essas informações

Os bancos de segunda linha que emitem as LCIs e LCAs aparentemente tão atrativas têm uma saúde financeira pior que a dos grandes bancos. Por isso, os empréstimos imobiliários concedidos por eles são chamados de créditos subprime.

Você já ouviu esta palavra antes: subprime. Lembra da crise de 2008 nos Estados Unidos?

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Cartaz do filme “A Grande Aposta” (2015)

O fato de que ninguém avaliava as informações sobre créditos subprime culminou com a crise dos EUA. Essa história é contada no filme “A Grande Aposta”. Se você ainda não assistiu ao filme, por favor, assista. Está disponível no Netflix.

Comecei a pensar sobre a falta de informações das letras de crédito após ver o filme. O personagem que antecipou a crise de 2008 diz que não fez nada de mais, simplesmente observou os imóveis que estavam sendo comprados com as linhas de crédito oferecidas.

É claro, a situação não é igual, há muitas diferenças. Mas também há semelhanças que não podem ser ignoradas. Não acredito que o Brasil passará pela versão tropical da crise de 2008, mas não podemos simplesmente deixar pra lá a falta de transparência nas informações sobre esses ativos. Você não pode ignorar esse fato se quiser investir R$ 250 mil neles. Em muitos casos, o valor alocado pelos “assessores” em LCI e LCA tem chegado a mais de 60% do patrimônio financeiro do cliente. É um absurdo.

Em um dos bancos que contatei, conversei com uma consultora de investimento. Fiz meus questionamentos e ela me respondeu assim: “Mas, senhor, para que você quer saber quais são os imóveis? O risco da nossa LCI é o risco da saúde financeira do banco.” Eu pensei: “Sim! Exatamente!”. Eu não quero correr o risco da saúde financeira desses bancos pequenos, principalmente agora, num cenário econômico complicado.

Analisando o relatório de resultados de um dos bancos que mencionei acima, descobri que a inadimplência da carteira de crédito subiu de 2,9% em 2015 para 4,7% em 2016. Mas isso não constava na embalagem do produto.

Aliás, o Banco Central já mantém 9 bancos sob “acompanhamento especial” em função de questões como liquidez e estabilidade.

Muitas pessoas acham que um banco quebrar é algo raro, mas a verdade é que volta e meia quebra um banco pequeno. De acordo com a lista oficial no site do FGC, nos últimos 21 anos foram 33 bancos quebrados no Brasil pedindo falência. Mais de 1,5 banco por ano!

E eu não confio 100% na garantia do FGC, principalmente no cenário atual, por motivos que já discutimos antes.

Estou falando apenas de bancos pequenos

Sim, claro, porque as LCI e LCA dos bancos grandes pagam rentabilidades baixas. Essas todo mundo sabe que não valem a pena. As que parecem atraentes são sempre as LCI e LCA emitidas por bancos pequenos, que precisam prometer rentabilidade mais alta para atrair investidores — afinal, a maioria das pessoas não colocaria seu patrimônio nesses bancos sem um bom chamariz.

O agravante do incentivo

Por oferecer rentabilidade maior dentre as opções de renda fixa, as LCIs e LCAs são campeãs de vendas nas corretoras. Aquelas com as maiores taxas de rentabilidade são ofertadas por bancos dos quais você provavelmente nunca ouviu falar. São bancos pequenos, com menos estabilidade.

E você sabia que a distribuição de LCI e LCA rende gordas comissões?

Na época em que a Vérios trabalhava com a plataforma de fundos de investimento e renda fixa, chegaram a nos oferecer comissões de cerca de 2% a 3% do valor total da aplicação — com pagamento da comissão à vista — para vender esses títulos aos nossos clientes. Se esse é o percentual repassado ao vendedor, imagine quanto ainda sobra para o empacotador, aquele que cria os belos embrulhos de créditos suprime na forma de LCI ou LCA?

Nós lutamos para fazer caber todos os custos dos nossos clientes dentro de 0,95% ao ano sobre o valor investido na carteira inteligente. Depois de pagar a corretora, Bovespa e todo o resto da estrutura, sobra algo entre 0,20 e 0,55% ao ano para a Vérios. Comissões de 2% a 3% à vista sobre o valor investido parecem muito erradas. Ainda mais para um tipo de aplicação que alega “não ter taxas”.

***

Eu poderia continuar essa discussão ainda sob muitos aspectos, mas vou parar por aqui.

Continuarei buscando informações. E vou te pedir uma coisa: se você investe nesses ativos, entre em contato com o banco emissor. Tente descobrir o tipo de crédito que está por trás da sua LCI ou LCA e conte aqui nos comentários a resposta que você conseguir.

Talvez você encontre informações positivas, que mostrem um crédito saudável. Mas hoje não temos qualquer parâmetro para estimar o risco dessas aplicações.

Aliás, deixo um convite aos próprios bancos emissores: apresentem informações mais transparentes sobre LCI e LCA. Ficarei satisfeito de divulgar suas respostas aqui, se eu receber alguma.

Crédito das imagens do filme “A Grande Aposta”: Divulgação/IMDB

Procuram-se informações sobre LCI e LCA
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Categorias: Intermediário, Avançado, LCI e LCA
  • Roberto Gentil

    Eu não se é parcialidade ou ignorância. Talvez um misto. Na LCI e LCA, você é credor do banco como na conta corrente ou no CDB. Simples assim. Por isso todo mundo pra onde vcs ligaram acharam a pergunta estranha, porque elas não fazem sentido…

    • Daniel Resende

      Oi, Roberto.

      A gente adora o debate, mas não gosta de baixar o nível. Por favor, não chame ninguém de ignorante ou de nenhuma outra ofensa nos comentários.

      Entendo o seus pontos, mas a pergunta “o que tem por trás de um investimento de um banco de segunda linha” me parece uma pergunta válida. Aliás, o que tem por trás dos investimentos é a pergunta que nós fazemos todos os dias aqui. Vamos continuar perguntando, tenha sentido ou não.

      • Roberto Gentil

        Desculpe o termo, talvez falta de conhecimento seria mais adequado. Nem a discussão de sigilo bancário cabe aqui. Num título você tem que avaliar o risco de ser credor do banco ou não, por indicadores do banco ou pelo modelo de negócios. E quem decide quaisquer créditos podem ser considerados lastro ou não é governo, e daí sim talvez seja uma discussão mais interessante: ter incentivos ou não, e quem se beneficia deles.

  • SOR

    Também achei que a pergunta não faz muito sentido.

    Quando você contrata um CDB no itau ou no Bradesco, você pergunta ao gerente para quem o banco irá emprestar este recurso?

    Ainda que o banco tivesse esta informação, ele não poderia repassá-la em virtude do sigilo bancário. E, mesmo que pudesse repassá-la, ela não teria utilidade nenhuma, já que o seu crédito individual contra o banco é “lastreado” na qualidade de todos os ativos do banco, não na fração correspondente ao seu título.

    O dinheiro da sua LCI/LCA pode ser emprestado a um projeto com um ótimo lastro, mas, se as demais LCAs/LCIs do banco tiverem lastro ruim e ele quebrar, a qualidade do lastro do seu empréstimo não irá fazer nenhuma diferença para o resultado final.

    O risco de inadimplência de uma LCA/LCI é do banco. O risco do correntista é o da inadimplência da carteira de crédito como um todo, que pode levar o banco à liquidação/intervenção.

    O questionamento somente teria sentido para RCAs/RCIs, em que o titular assume diretamente o risco de inadimplência do emissor.

    • Daniel Resende

      Olá,

      Como respondi no outro questionamento. A pergunta “o que tem por trás dos investimentos” é uma pergunta sempre válida. Continuaremos fazendo para todos os investimentos.

      Bradesco e Itaú são bancos de primeira linha, mas mesmo para eles essas perguntas são válidas. Para bancos subprimes, essa pergunta é absolutamente necessária.

      Antes de investir, sempre perguntamos, qual a probabilidade dessas instituições continuarem a existir daqui algumas décadas, o que elas vendem, quais são seus incentivos e comissões.

      Apesar das suas considerações, vamos continuar perguntando e investindo minuciosamente.

      • SOR

        Desculpe-me a insistência, mas as perguntas que devem ser feitas são: qual a qualidade da carteira de crédito de banco emissor da LCI/LCA, qual sua solidez, qual seu índice de basiléia, qual o índice de inadimplência, etc.

        Perguntar qual o destino dos recursos de uma emissão em particular, além de esbarrar no sigilo bancário, não o ajudará a entender os riscos desta modalidade de investimento.

        Considero saudável continuarem perguntando, mas acho temeroso para a reputação da verios redigirem um artigo mostrando seu descontentamento com as instituições financeiras por não obterem resposta a uma pergunta que eles não poderiam fornecer e parte de uma premissa equivocada.

        Gosto muito do blog, sempre aprendo e compartilho as informações com colegas, mas, nesse caso, deveriam reconsiderar se o artigo deve ou não ser mantido.
        Abraço

        • Daniel Resende

          Obrigado pela resposta mais ponderada.

          Olhamos também para a saúde do banco, olhamos o balanço dos bancos. Se você for mais para baixo no artigo quando mencionamos a inadimplência de um deles.

          Mas pense por esse lado. O banco conta com os lastros, ele assume mais riscos em cima desses lastros. Se ele pegar de volta os lastros e descobrir que não vale o quanto eles achavam. O banco terá problemas.

          Se um valor sumir, for perdido ou mal precificado, não importa de onde na cadeia do investimento, alguém vai pagar por isso. Ainda que a gente não saiba exatamente qual o mecanismo da distribuição da perda. Mas alguém vai pagar por ela.

          Daí vem outra pergunta. Quem vai pagar por isso?

          • Fernando Luiz

            SE for abaixo de R$ 250k …. o FGC. É este o ponto.

    • Fernando Luiz

      2 coisas erradas, bem erradas:
      a) mesmo que o banco pudesse dizer para quem emprestou, isto é imposivel, pq dinheiro nao é carimbbado e instituição financeira imprime moeda .. as tais M1, M2, M3, M4. O sistema é estatístico nao linear.
      b) LCI / LCA abaixo de 250.000 o risco NAO É DO BANCO. É do FGC.

      • Daniel Resende

        a) Eu aceitaria uma resposta assim: 20% Norte e Centro oeste, 30% Sul e 50% Sudeste. Faixa etária. Evolução em relação ao passado.
        b) FGC são os bancos. São os bancos juntos, mas são os bancos. Eles que contribuem.

        Teve uma edição na resposta b.

        • Fernando Luiz

          a) Impossivel. E estratégico. Isto é sonhar demais. Nenhum banco vai te dar qualquer informação que impacte a percepção de risco. O que vc precisa ver é a classificação dos creditos segundo critério do BACEN de A até H, nivel de inadimplência e o montante que estao jogando em provisao. O resto é estratégico.
          b) só faz sentido vc entender a estrutura de credores quando vc assume o risco deles. O que nao é o caso, quando o FGC garante o papel até 250k. Toda a assimetria é gerada até o limite do FGC. E precisa ser aproveitada.

          • Daniel Resende

            E o moral hazard?

          • Fernando Luiz

            Primeiro, vamos definir: o conceito de risco moral se refere à possibilidade de que um agente econômico mude seu comportamento de acordo com os diferentes contextos nos quais ocorre uma transação econômica. Agora pense nisto e repense com critério, se ainda valor a pena. Mesmo que eles mudem a regra, os títulos JÁ EMITIDOS continuam garantidos, como foi o que aconteceu no começo deste ano inclusive quando fundos tinham vários CDB´s garantidos pelo FGC quando a regra mudou e fundos não eram mais garantidos. Mas e o que estava na carteira ? Até vencimento, eram ainda garantidos. Não existe moral hazard passado. O mercado se ajusta dali para frente. E daí, no caso de vocês, é só parar de comprar.

  • Fernando Luiz

    A base está errada.
    SE o titulo é garantido pelo FGC, existe uma enorme distorção de risco e retorno que vocês não estão se aproveitando. O FGC não quebra e não deixa de pagar. Portanto, vcs estão deixando de rentabilizar a carteira dos clientes, preocupando-se com um detalhe sem importância, simplesmente pq não conhecem as regras do FGC. Não interesse o que tem na carteira, se está garantido pelo FGC. Este é o ponto. E isto é inegociável e foi pro isto que o FGC foi criado.

    • Daniel Resende

      O FGC são os bancos. São os bancos juntos, mas ainda assim, são os bancos.

      Se todos estão fazendo a mesma coisa, você não está diversificando o risco. Eles podem estar juntos, mas se errarem vão errar todos juntos.

      Você não diversifica todo o risco comprando Bradesco e Itaú, você diversifica alguns riscos. Você não diversifica todos os riscos colocando eles em co-garantia via FGC. Você diversifica apenas alguns riscos.

      Mas eu concordo, o FGC mitiga uma boa parte dos riscos.

      Mas daí eu vou para um outro lado da história. Compensa? Eles estão pagando tão a mais assim mesmo? Mesmo com o incentivo fiscal, vale o risco?

      • Fernando Luiz

        Se os bancos que fazem parte do FGC quebrarem, eu garanto para você que o menor problema que vc e seus clientes vão ter será o pgto das LCI´s. ISto é meio obvio. Agora, vale o risco, claro ! Se não valesse, vc nao teria o FGC colocando em pé de igualdade riscos horríveis com riscos bons, bancos médios captando mesmo sem terem balanço para isto, financeiras, etc. Isto oxigena o sistema e melhora liquidez do mercado todo com uma melhor simetria de premios de risoc, até o limite da garantia. Exemplo: comprar um CDB garantido do FGC da XYZ Financeira pagando 130% do CDI ganratido pelo FGC, nao vale ? Claro que vale oras. Daniel, agora que vc entendeu o que estava falando, sugiro vc parar e ir estudar um pouco o que significa isto, qual o impacto nas carteiras de vcs e quais opções existem. Sem chutar ou querer argumentar somente pelo prazer de provar seu ponto. Alto nível, pls

    • Super Suporte

      vale lembrar q o FGC nunca foi testado na pratica realmente, sempre foi um banco aqui uma corretora ali

      • Fernando Luiz

        COMO ASSIM ? JESUIS … isto não vai.
        Como nunca foi testado na prática ?
        Ollha a quantidade de bancos que faliram nos 8 anos. Todos eles sem exceção tiveram ai ntervenção do FGC e em todos os casos todo o sistema foi beneficiado.

        • Super Suporte

          todos ao mesmo tempo? Pense em uma situação extrema

  • Claudio

    Caro Daniel, a empiricus tem relatórios sobre FII e se não me engano sobre LCI/LCA nas análises de renda fixa. Abs.

  • Evaldo Melo

    Também penso que o risco de uma LCI/LCA, como de um CDB, por exemplo, é o risco da instituição; da mesma forma que eventual inadimplência em um ou outro título, não deve ser a preocupação específica do Investidor, e sim a saúde financeira da instituição como um todo. Pessoalmente não tenho mais investido em LCI /LCA porque, de modo geral, há outros títulos com rentabilidades mais atraentes, e pela recorrente ameaça de cobrança de IR, o que geraria uma discussão jurídica sobre o fato gerador do tributo. Inclusive, para mim é mais importante, além da análise do risco da instituição, ainda que dentro do limite de cobertura do FGC, é se a corretora na qual adquiro os títulos tem o cetip certifica.

  • Cliente

    Achei a discussão, conquanto um pouco exaltada, bastante enriquecedora!

    Como cliente, agradaria-me ter a OPÇÃO de ter esses ativos na carteira inteligente. Talvez haja um jeito de incluí-los sem que, por exemplo, eles tenham de compôr o portfólio padrão (tendo em vista que eles diferem dos outros ativos do portfólio no quesito liquidez e, vá lá, risco). Se eu pudesse, concentraria todos os meus ativos na carteira inteligente, tendo em vista a a qualidade e a simplicidade do serviço prestado por vocês.

    • Oi, Cliente! Fiquei curioso pra saber quem é. Depois me manda um e-mail?
      Gostei da mensagem, bastante ponderada.

      E concordo com você: a gente não recomenda, mas se o cliente quer comprar, é escolha dele. Atualmente nós temos alguns clientes que compraram esse tipo de papel, mas fizeram a compra por fora da carteira inteligente. Entendi que para você seria legal poder acompanhar a rentabilidade consolidada dos seus papéis junto com o resto da carteira, certo? Essa parte talvez até fosse fácil. Um ponto que seria difícil é reinvestir automaticamente, porque aí seria necessário definir os critérios de escolha do papel para recompra, já ques esses papéis não se pode simplesmente renovar, dependem de lastro.

      Abs!

      • Cliente

        Felipe, acompanhar a rentabilidade consolidada dos meus papéis junto com o resto da carteira seria ótimo, mas a minha principal razão é outra: o paradoxo da escolha.

        Acredito que você já tenha ouvido falar, mas, por via das dúvidas, vou colar uns links aqui:

        https://www.ted.com/talks/sheena_iyengar_choosing_what_to_choose?language=pt-br

        https://www.ted.com/talks/barry_schwartz_on_the_paradox_of_choice?language=pt-br

        https://en.wikipedia.org/wiki/The_Paradox_of_Choice

        A princípio, eu contemplo a possibilidade de investir em CDB, LCI, LCA, fundos, etc. Porém, a corretora disponibiliza mais de trinta opções diferentes de cada um: de diferentes bancos, com diferentes taxas e diferentes vencimentos. Fazer a melhor escolha envolveria um estudo profundo, inclusive da saúde financeira dos bancos. E eu, PARTICULARMENTE, prefiro que alguém em quem eu confie tente selecionar as opções mais adequadas pra mim (considerando risco, rentabilidade e liquidez).

        POR OUTRO LADO, estive pensando, parte do motivo de eu ter confiado na Vérios está no fato de vocês não oferecerem produtos de instituições privadas (ETFs são produtos privados? Corrijam-me se eu estiver errado, por favor).

        Por exemplo, existe um vlogger famoso do youtube, da área de investimentos, que oferece assessoria de investimentos “de graça” na página dele na internet. Mas como não existe “almoço grátis”, ele mesmo afirmou em vídeos que a assessoria é paga pelas instituições privadas nas quais ele recomenda que o assessorado coloque seu dinheiro.

        Pois bem, a partir do momento em que ele recebe da instituição, ele não trabalha mais pra mim, trabalha para ela. É um vendedor. E, sendo assim, que isenção tem ele para indicar-me os “melhores” investimentos? Melhores pra mim ou pra ele?

        Entendo, portanto, que essa é uma questão muito complicada. Espero que vocês possam aumentar o portfólio de ativos da carteira, mas mantendo um mínimo de isenção.

        Não coloquei meu nome verdadeiro porque fiquei com medo de falar alguma besteira, faz duas semanas que estou nesse “mundo dos investimentos”. Vou colocar meu e-mail verdadeiro desta vez.

        Abraços

        • Oi, Cliente! Agora já sei quem você é! =)

          Está certíssimo sobre o vlogger. Nós passamos anos nesse modelo de ser remunerado pelos bancos, é terrível. Existem “campanhas”de arrecadação para os produtos, o cliente é uma das últimas preocupações. A gente trabalhava muito para ser transparente e não entrar nessas ondas, mas sei que é uma minoria dos assessores que atua assim. Estamos muito satisfeitos de ter conseguido sair desse modelo e partir para uma posição realmente independente, com custo claro e transparente. Dentro do nosso sistema, o cliente vê exatamente quantos reais está pagando a cada mês, é muito bom! Você já viu na sua carteira como está?

          Sobre essa questão do paradoxo da escolha, conheço bem. A gente estudo muito desse assunto quando estávamos idealizando a carteira inteligente, tem muito a ver com a nossa proposta e até hoje quando eu falo da Vérios com pessoas do mercado financeiro eu explico isso, que um grande valor nosso é tornar a decisão do cliente mais fácil.

          Porém, um dos problemas da LCI e da LCA é justamente esse: nós não queremos ter a responsabilidade de dizer qual delas é tem menos risco. É exatamente como você disse: “Fazer a melhor escolha envolveria um estudo profundo, inclusive da saúde financeira dos bancos”. Só que tem um agravante: as informações sobre saúde financeira são escassas. Os bancos que são realmente seguros (os grandes), oferecem LCI e LCA com taxa muito baixa, não são atraentes. As letras de bancos pequenos são atraentes justamente por conta do risco. A gente não quer pôr a mão no fogo por esse risco. E nem pela “bóia salva-vidas” do FGC. Se você pegar somente os bancos que estão mais firmes, a diferença de rentabilidade entre esses papéis e o Tesouro Selic não compensa o risco adicional.

          E, pra ser sincero, LCI e LCA estão na moda (https://goo.gl/GcxRDB) por conta de uma isenção fiscal que é temporária. Daqui a pouco passa e vem outra. A gente quer tirar os clientes dessa ciranda de troca-troca de produtos financeiros, pois cada vez que você movimenta sua grana você liquida impostos, zera prazo de alíquotas, paga taxas, engole spreads, etc… Ficar se mexendo muito é prejudicial aos seus planos de longo prazo.

          Abs!

          • PS: Esqueci de responder um ponto. ETFs são privados, mas são negociados em bolsa de valores, portanto o preço não é definido pelo administrador do produto, ele sempre segue o índice. As taxas de administração são minúsculas, principalmente se comparadas às dos fundos antigos. Sobre os dois que a gente usa na carteira inteligente, o PIBB é do Itaú e o IVVB é da BlackRock. Abs!

          • p

            Em primeiro lugar, muito obrigad pelas informações e parabéns pelo
            trabalho, pelos textos bem escritos e ponderados. Deixa-me perguntar
            umas coisas: 1) a garantia de LCI/LCA é a “solvência” da operação
            imobiliária/agrária OU a “solvência” do banco/instituição financeira?
            Porque, senão, todos podem dizer “ih, foi mal, não nos pagaram, tb não
            vamos pagar” e jogarem tudo nas costas do FGC (que tb não iria pagar).
            2) analisar balanços dos bancos que operam com LCI/LCA não seria
            suficiente (tipo análise fundamentalista mesmo) pra saber se eles têm
            condições de operar com isso ou se vão quebrar? Por exemplo, vc não
            analisou o relatório de resultado de um dos bancos? Não é só fazer isso e
            pronto? Se o banco for bom, pego LCI/LCA, senão, não pego? Obrigad

            3) “Quando você contrata um CDB no itau ou no Bradesco, você pergunta ao gerente para quem o banco irá emprestar este recurso?
            Ainda que o banco tivesse esta informação, ele não poderia repassá-la em virtude do sigilo bancário. E, mesmo que pudesse repassá-la, ela não
            teria utilidade nenhuma, já que o seu crédito individual contra o banco é “lastreado” na qualidade de todos os ativos do banco, não na fração
            correspondente ao seu título. O dinheiro da sua LCI/LCA pode ser emprestado a um projeto com um ótimo lastro, mas, se as demais LCAs/LCIs
            do banco tiverem lastro ruim e ele quebrar, a qualidade do lastro do seu empréstimo não irá fazer nenhuma diferença para o resultado final.
            O risco de inadimplência de uma LCA/LCI é do banco. O risco do correntista é o da inadimplência da carteira de crédito como um todo,
            que pode levar o banco à liquidação/intervenção. O questionamento somente teria sentido para RCAs/RCIs, em que o titular assume diretamente o risco de inadimplência do emissor”.

          • Daniel Resende

            A 1 e 2 respondi abaixo. Vai a 3) aqui.

            Acho que essa é a raíz do problema. Realmente não perguntamos no Itaú e Bradesco, de certa forma confiamos em bancos primes. O risco está no subprime. Esses recebem os maiores incentivos para pegar qualquer crédito, pois os melhores já foram tomados pelos bancos primes.

      • JP

        Complicado, uma ideia que inicialmente é muito boa, mas sem oferecer os melhores produtos hoje no mercado fica difícil progredir.

        1) Garantia da instituição sobre todo o valor aplicado, ou seja, não tem perda de capital.
        2) Camada adicional do FGC até 250k.
        3) Taxa que chega perto de 100% do CDI para 2 anos, ficando entre 93-95% para períodos menores.
        4) Isenção fiscal que pode chegar até 22,5% em investimentos de curto prazo.

        Sério? Ficar batendo na tecla sobre risco aqui é meio que incoerente, vocês oferecem produtos muito mais arriscados que remuneram muito menos, haha, qualquer pessoa tem condição de entender os riscos envolvidos aqui, falar que precisa conhecer todos os credores do papel para poder calcular isso beira a completa falta de senso, nem em bancos grandes você teria acesso a isso e mesmo se tivesse não teria relevância já que o spread é gigantesco.

  • p

    Em primeiro lugar, muito obrigad pelas informações e parabéns pelo trabalho, pelos textos bem escritos e ponderados. Deixa-me perguntar duas coisas: 1) a garantia de LCI/LCA é a “solvência” da operação imobiliária/agrária OU a “solvência” do banco/instituição financeira? Porque, senão, todos podem dizer “ih, foi mal, não nos pagaram, tb não vamos pagar” e jogarem tudo nas costas do FGC (que tb não iria pagar). 2) analisar balanços dos bancos que operam com LCI/LCA não seria suficiente (tipo análise fundamentalista mesmo) pra saber se eles têm condições de operar com isso ou se vão quebrar? Por exemplo, vc não analisou o relatório de resultado de um dos bancos? Não é só fazer isso e pronto? Se o banco for bom, pego LCI/LCA, senão, não pego? Obrigad

    • Daniel Resende

      Olá p,

      1 e 2) As respostas são meio juntas na real. O risco é do banco, mas se essas letras não forem pagas, o balanço do banco vai ficar desfalcado para garantir a solvência, o que no final das contas te faz correr os riscos das letras de qualquer maneira. Ainda que indiretamente.

      Abs.