Quatro anos de crise e quebra de bancos brasileiros

Há exatos quatro anos foi requerida a falência do Lehman Brothers, marco do império financeiro americano, após mais de 158 anos de operação. Foi em uma segunda-feira pela manhã, dia 15 de setembro de 2008, que os principais executivos anunciaram a maior falência da história americana.

Hoje o banco ainda existe no mesmo local em Manhattan, porém apenas em um andar do edifício que já foi inteiro deles. A única atividade é vender os bens que restaram e receber os créditos que ainda existem para pagar as dívidas que nunca serão completamente quitadas. Estima-se que o banco só estará realmente liquidado em 2017.

O sistema financeiro deixou de ser sinônimo de prosperidade, para tornar-se fonte de frustração e repulsa por outros setores da economia

Aproximadamente 150 mil pessoas perderam o emprego em Wall Street, o que impactou não só no trânsito e no comércio da região, mas em todo o mercado mundial. O sistema financeiro deixou de ser sinônimo de prosperidade, para tornar-se fonte de frustração e repulsa por outros setores da economia.

A culpa do colapso ainda é discutida. As pessoas compraram casas que não podiam pagar, incentivadas por financiadores que sabiam – ou deveriam saber – que os empréstimos não seriam pagos. O mercado financeiro ignorou tudo e distribuiu pelo mundo esses créditos incentivado por bônus e benefícios que não deveriam existir.

Todos deviam saber um pouco mais o que estava acontecendo. Acima de tudo estavam os órgãos reguladores que deveriam proteger a economia dos excessos do mercado financeiro, mas que ficaram apenas sentados olhando enquanto a bolha se criava.

A crise dos bancos brasileiros

Recentemente vários bancos no Brasil sofreram intervenções do Banco Central: Cruzeiro do Sul, PanAmericano, Schahin, Morada, Matone e Prosper, além do já distante Banco Santos. Será que o Lehman Brothers de alguma forma influenciou estas quebras?

Os bancos sofreram em um primeiro momento com a escassez de crédito, mas o Banco Central os ajudou nos momentos mais difíceis e evitou a quebradeira. Só que os motivos por aqui foram as fraudes nos balanços que ficaram expostas. Semana passada foi a vez do Cruzeiro do Sul entrar em processo de liquidação.

Enquanto por lá a regulamentação trouxe problemas por conta dos incentivos e formas de financiamentos errados, por aqui o problema é a falta de punição

Enquanto por lá a regulamentação trouxe problemas por conta dos incentivos e formas de financiamentos errados, por aqui o problema é a falta de punição. Isto cria um ambiente em que os ganhos são concentrados nos executivos em momentos de euforia e, quando a maré baixa, problemas vêm a tona e os prejuízos são socializados.

O sistema financeiro depende de credibilidade, confiança e estabilidade. Se os administradores das instituições não forem pessoas corretas, é preciso que o sistema de controle seja eficiente, sob o risco de milhares ou milhões de pessoas pagarem com o patrimônio pessoas pelos prejuízos causados por gestões temerárias ou fraudulentos, como ocorreu nos diversos exemplos que apresentamos.

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Categorias: Economia
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Cofundador da Vérios e diretor de Estratégia de Investimento. Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science, mas pode chamá-lo de "Father of Algorithms" :)

Ávila é cofundador da Vérios e consultor de investimentos com a certificação CFP®

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