Quero sair da poupança! E agora?

Guia prático para sair da poupança

Que a poupança está longe de ser o melhor investimento, você já deve saber! Mesmo assim, sair dela é sempre uma dificuldade. Eu te entendo.

Vamos lá. Deixar o dinheiro na poupança tem suas vantagens: é muito fácil, bem ou mal sempre rende um pouquinho, é seguro…

E vamos combinar: para quem está na poupança, os produtos de investimento não são nem um pouco simples de entender. É um monte de gente diferente falando financês: o gerente, o assessor, o blogueiro, a corretora que quer te tirar do banco, o consultor… É o fundo, a LCI, o Tesouro Direto, a debênture, a ação do momento…

Aaaaah! Parece que é feito para ser complicado, pra gente não entender o que está acontecendo. É preciso coragem para sair da inércia da poupança.

Dessa vez, tenho uma proposta diferente para você que está começando a juntar dinheiro, talvez ainda não tenha o mínimo de R$ 12 mil para começar a investir com a Vérios, mas quer dar um primeiro passo para sair da poupança.

Hoje não vamos falar de diversificação, rebalanceamento automático nem todas essas coisas complicadas que gostamos de abordar aqui no blog. Vou explicar as diferenças e comparar as duas opções mais populares e bastante seguras para quem quer sair da poupança e ficar tranquilo com a nova escolha. São elas: CDB e Tesouro Selic.

CDB

Os CDBs (Certificados de Depósito Bancário) funcionam como empréstimos aos bancos.

Em algum momento da sua vida você já usou o cheque especial ou pegou um financiamento diretamente com o banco? Uma das formas de viabilizar esse tipo de operação é por meio da venda de CDBs.

O banco vai pegar dinheiro emprestado com quem está poupando (e pagar uma taxa de juros por isso) e emprestar para quem está precisando de recursos. 

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Para quem está querendo sair da poupança, o ideal é um tipo específico de CDB, o pós-fixado indexado ao CDI.

De forma simplificada, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) representa a taxa pela qual os bancos emprestam dinheiro uns aos outros, e está sempre bem próximo da taxa Selic. Peraí que já vamos falar dela!  

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um dos títulos públicos públicos do Tesouro Direto. Funciona como um empréstimo ao governo. Esse título é considerado a aplicação mais segura do país.

O rendimento do Tesouro Selic está ligado diretamente à taxa Selic, a taxa básica de juros da economia. Sabe aquela taxa que sai no jornal e um monte de gente fica tentando adivinhar o seu comportamento? A própria! (No momento em que escrevo este texto, ela está em 14% ao ano.)

Comparativo: CDB ou Tesouro Selic?

Agora vamos ao que importa: qual das aplicações escolher?

Já que você está saindo da poupança, vamos considerar as opções dentro do seu banco mesmo, pode ser? Se incluirmos corretoras independentes, bancos menores e outras opções, começa a ficar complicado de novo. (Se vocês acharem que faz sentido, também podemos escrever sobre investir via corretoras, deixem suas sugestões nos comentários!)

Vamos dividir a avaliação nos seguintes critérios: liquidez, impostos, custo e rentabilidade.

Liquidez

Esse critério determina em quanto tempo você pode resgatar o seu dinheiro. No caso do Tesouro Selic, você faz a venda do título e no dia seguinte os recursos já ficam disponíveis.

Já no caso dos CDBs, os bancos possuem opções com a chamada “liquidez diária”, em que você pode solicitar um resgate a qualquer momento, o que é uma vantagem. Mas é preciso ficar atento! Existem CDBs que só podem ser resgatados no vencimento – e eles podem ser bem longos: até 2, 3 anos.

Impostos

Essa é fácil! A tributação é a mesma nos dois tipos de investimento e o recolhimento é de responsabilidade da instituição financeira. Quanto mais tempo você mantém o investimento, menor é a alíquota de imposto. Aliás, são dois impostos:

  • IOF (Imposto sobre Operações Financeiras): incide nos primeiros 30 dias do investimento e existe para que você não fique aplicando e resgatando com muita frequência. Ele começa com uma alíquota de 96% 😱 sobre o seu rendimento até chegar a 0% após 30 dias. Logo, se você for fazer um investimento por menos de 1 mês, lembre-se desse detalhe!

  • IR (Imposto de Renda) regressivo: incide sobre o rendimento e apenas no momento de resgate ou vencimento do investimento. Até 6 meses, a alíquota é 22,5%. De 6 meses a 1 ano, 20%. De 1 a 2 anos, 17,5%. Acima de 2 anos, já vale a alíquota mínima, que é de 15%.

Custo

Aqui é preciso estar atento. O custo dos dois tipos de investimento é bem diferente.

O custo do CDB usa uma capa de invisibilidade! Ele é o que chamamos no financês de spread: na prática, o banco te passa uma taxa menor do que ele poderia passar e fica com a diferença para ele.

Para exemplificar: imagine que o banco tem um CDB que rende 90% da Selic e te oferece a aplicação rendendo 80% da Selic. Essa diferença de rentabilidade é o spread, um custo para você e um ganho para o banco.

Já no caso do Tesouro Selic, são dois custos:

  1. Há uma taxa de custódia da BM&FBovespa de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos. Esse valor é calculado diariamente e pago a cada seis meses, nos primeiros dias úteis de janeiro e julho. Dessa forma, se você vender o título antes do próximo pagamento da taxa, você pagará o proporcional ao tempo que seu dinheiro ficou investido.

  2. Há também a taxa do agente de custódia, no caso o seu banco. Essa taxa muda de instituição para instituição. A cobrança é um pouco diferente, já que no momento da compra do título você pagará o valor correspondente a 1 ano de investimento. A partir do segundo ano, a dinâmica é a mesma da taxa de custódia da BMF&Bovespa. Ou seja, se seu dinheiro ficar aplicado menos de um ano no Tesouro Selic, você pagará para o agente de custódia o referente a um ano de investimento.

A cobrança dos custos do Tesouro Direto é feita na forma de débito em conta corrente, então é preciso ficar atento para ter os recursos no dia do pagamento da taxa (aqui na Vérios a gente já faz essas contas pra você não precisar se preocupar com nadinha de nada).

Veja as taxas dos principais bancos:

Instituição

Taxa

Banco Itaú

0,5% ao ano

Banco Bradesco

0,5% ao ano

Banco do Brasil

0,5% ao ano

Banco Santander

0,4% ao ano

Caixa Econômica Federal

0,4% ao ano 

Com isso, o custo total para investir no Tesouro Selic pelo seu banco é a soma da taxa de custódia de 0,3% + o custo do agente de custódia. No caso do Bradesco, por exemplo, o custo total é de 0,8% ao ano.

Rentabilidade

Essa é a parte que interessa muita gente, certo?

Vou ensinar o passo a passo para você saber o quanto pode render seu investimento!

Vamos lá:

Caso 1: CDB que rende 80% do CDI

O CDI é divulgado diariamente no site da CETIP, ela aparece na parte superior da tela, onde está Taxa DI, veja abaixo:

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Dessa forma, um investimento que rende 80% do CDI renderá 80% de 13,88% em 1 ano, ou seja, 11,10% ao ano.

Todos os dias, o seu dinheiro investido é ajustado pelo equivalente a essa taxa. Com isso, se ela mudar, a rentabilidade do CDB também mudará. Não se preocupe, ela é relativamente estável. As mudanças principais serão quando houver uma mudança na Selic.

Como o spread do banco já está descontado da rentabilidade, não é preciso fazer nenhum cálculo adicional.

Caso 2: Tesouro Selic no banco Bradesco

O Tesouro Selic vai render o equivalente à taxa Selic diária, que de forma simplificada é a taxa pela qual o Banco Central empresta dinheiro aos demais bancos. Ela também é atualizada diariamente de forma sutil e terá mudanças significativas apenas quando a taxa básica da economia for alterada (as reuniões que decidem sobre a Selic acontecem a cada 45 dias).

Você pode acessar a taxa Selic diária no site do Banco Central. Você verá a tabela abaixo:

Taxa Selic diária no site do Banco Central

O Tesouro Selic rende, portanto, 13,9% ao ano com a taxa de hoje. Como ele não tem os custos “invisíveis” como o CDB, é preciso fazer uma continha rápida para saber a rentabilidade final.

Vamos tomar como exemplo o banco Bradesco. Como vimos, o custo total para investir no Tesouro Selic é de 0,8% ao ano. Com isso a rentabilidade final será de 13,1% ao ano (13,9% – 0,8%).

Da mesma forma que no CDB, o patrimônio que você terá investido no Tesouro Selic é ajustado diariamente descontando os custos de forma proporcional.

Nos nossos exemplos, seria mais vantagem investir no Tesouro Selic do que no CDB, mas é preciso analisar caso a caso.

Após todas essas dicas fica mais fácil sair da poupança, certo? Talvez você tenha um pouquinho de trabalho, já que está começando a navegar por essas águas e os sites dos bancos não costumam ser muito amigáveis… Mas, superado isso, a diferença de rentabilidade vai valer a pena, você vai ver.

E então, o que falta para você dar o próximo passo?

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Categorias: Iniciante, Poupança
  • Ótimo texto, Aninha! =)
    Vale mencionar que o gerente bancário vai tentar te dissuadir de investir no Tesouro Direto, porque esse investimento dá muito pouco lucro pro banco. Vai ameaçar, dizer que você pode perder dinheiro, enfim, tentar te assustar. BU! 👻

    Mas se você for firme, ele vai ter que deixar você seguir em frente.

  • Fritz

    Olá, Aninha. O artigo está ótimo, eu apenas complementaria algumas informações: existem diversas instituições boas que não cobram nada de taxa de adm como XP, Clear, Spinelli, Easyinvest, etc. Vale a pena conferir e comparar: http://www.tesouro.fazenda.gov.br/web/stn/tesouro-direto-ranking-dos-agentes-de-custodia
    A LFT sempre vai ser mais vantajosa que CDB de banco, por causa de três motivos principais: (i) liquidez, você pode resgatar quando quiser e sem perdas dos juros acumulados como acontecem com alguns CDBs, (ii) a rentabilidade do título do tesouro só será pior se você comprar CDB de banco médio (lixo), ou seja, com grau de risco elevado e (iii) propriamente o risco que será menor, uma vez que a LFT é garantida pelo Tesouro, ou seja, na pior das hipóteses, o governo imprime mais dinheiro e paga a dívida. No fim das contas você (e todo mundo) vai acabar pagando pra você mesmo por causa da inflação, mas melhor do que perder tudo no caso do CDB de um banco pequeno.

    • Ana Vitória Baraldi

      Fritz, obrigada pelo comentário! 😉

      Concordo plenamente com você, mas sabemos que abrir uma conta em uma corretora independente é um passo maior do que mudar o investimento no próprio banco, por isso focamos na modalidade nos bancos nesse artigo.

      Mas a sua visão está super alinhada com a nossa.

      Vamos nos falando.

      Abraços,
      Aninha

      • Fritz

        Perfeito, Aninha. O negócio é desbancarizar os nossos investimentos.
        Eu, por exemplo, só tenho conta no banco pra receber o salário, porque caixa pra mim é LFT. Dá um trabalhão organizar o fluxo de caixa por causa do IOF e do IR, mas vale a pena.

  • Dan Guimarães

    Ola! Artigo caiu como uma luva!
    Perfeito.. Acabei de virar seguidor do blog..
    Por favor, nos oriente mais dessa forma para perdermos o medo de sair da poupança..
    Obrigado novamente!

    • Ana Vitória Baraldi

      Oi Dan, tudo bem?

      Fiquei muito feliz com a sua mensagem!! De verdade!

      Se quiser sugerir novos temas, é só nos falar! 🙂

      Abraços e bons investimentos!
      Ana