Renda fixa: diferenças entre poupança, títulos públicos, tesouro direto, CDI, CDB e crédito privado (parte 1)

Sempre vemos esses nomes quando procuramos investir em renda fixa, mas o que eles significam? Quais as diferenças entre eles? Quem paga seu rendimento? Existem riscos? Quais? Enfim, qual é melhor? Para ajudar a esclarecer essas dúvidas, preparamos uma série de dois artigos, o primeiro explicando o que é cada instrumento e quem paga a sua rentabilidade; o segundo explicando os riscos e taxas envolvidos em cada um.

Poupança

Os rendimentos da poupança vêm majoritariamente do financiamento imobiliário do SFH – o Sistema Financeiro de Habitação do Governo Federal. Quando você investe na poupança, os juros que você recebe são pagos pelos mutuários, ou seja, as pessoas que pegaram empréstimos para comprar imóveis.

A rentabilidade é definida da seguinte forma (nova regra da poupança):

  • Quando a taxa Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR)
  • Quando a taxa Selic estiver igual ou abaixo de 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da taxa Selic mais TR.

A TR é calculada em função de operações bancárias e mais um fator determinado pelo governo, e funciona como correção monetária. É de se esperar que a TR seja zero, ou bem perto de zero, principalmente quando a taxa Selic estiver abaixo de 8,5%.

Uma dúvida comum dos clientes é “em qual banco a poupança rende mais?” A resposta: são todos iguais

O rendimento da poupança tende a ser mais baixo que o dos títulos públicos. Quando a queda da taxa Selic estava quase fazendo os títulos públicos renderem menos que a poupança, o governo mudou as regras da poupança. Apesar do rendimento mais baixo, a poupança é isenta de imposto de renda para investimentos até R$ 50 mil, e ainda tem uma garantia do Fundo Garantidor de Créditos para investimentos de até R$ 70 mil.

Uma dúvida comum que recebemos dos clientes é “em qual banco a poupança rende mais?” A resposta: são todos iguais. A rentabilidade da poupança é a mesma para todos os bancos e não há taxa de administração.

Títulos públicos / Tesouro direto

O Tesouro direto nada mais é que uma ferramenta para que o cidadão possa investir em títulos públicos, pois permite movimentações (compra e venda de títulos) com valores pequenos.

Quando você investe em títulos públicos, está emprestando dinheiro para o governo, e cobrando juros por isso

Os títulos públicos são ativos de renda fixa que financiam a dívida e os gastos da União. Quando você investe em títulos públicos, está emprestando dinheiro para o governo, e cobrando juros. Portanto, quem paga os juros é o Governo Federal.

Existem títulos vinculados à taxa Selic, outros vinculados aos índices de inflação, como IPCA e IGP-M, e ainda títulos pré-fixados, nos quais a taxa de juros permanece a mesma até o vencimento, ainda que a taxa Selic varie.

Como a chance de o governo brasileiro não honrar seus compromissos financeiros é remota, esses títulos são considerados o investimento mais seguro.

CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e Fundos DI

O CDI é a taxa de juros que os bancos cobram para emprestar dinheiro uns aos outros em operações de curto prazo. O CDI é fortemente atrelado à taxa Selic. Você não pode investir diretamente em CDI.

O CDI é a taxa de juros que os bancos cobram para emprestar dinheiro uns aos outros. Você não pode investir diretamente em CDI

Existe uma pequena confusão sobre a definição da taxa Selic. O Comitê de Política Monetária (Copom) não define a taxa Selic em suas reuniões a cada 45 dias. Na verdade o Copom define a meta da taxa Selic e obriga o Tesouro Nacional e o Banco Central a colocar ou retirar títulos do mercado para subir ou abaixar os valores dos títulos, de modo que a taxa Selic atinja a meta.

O governo consegue manter a taxa Selic na meta a maior parte do tempo, porém em alguns momentos de crise podem ocorrer ataques especulativos que descolam a taxa Selic da meta definida pelo Copom.

Quando você investe em CDI, você está comprando títulos referenciados, já que não é possível investir em CDI diretamente. Para as pessoas físicas, a opção mais direta disponível é um título do Tesouro Direto chamado LFT (Letras Financeiras do Tesouro). As LFT são um título pós-fixado, com rentabilidade indexada à taxa Selic.

Os fundos DI são fundos que investem quase totalmente seu patrimônio em LFT, portanto a remuneração dos fundos DI é paga pelo Governo Federal.

O CDI é muito usado como referência de rentabilidade para investimentos. Leia mais a respeito clicando aqui.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

O CDB é uma forma de captação de recursos para o banco. Quando você aplica em um CDB, você está emprestando dinheiro ao banco e cobrando juros pelo empréstimo. O banco lhe paga a remuneração contratada.

Quando a expectativa é de queda na taxa de juros, os bancos costumam emitir CDB com a rentabilidade atrelada à taxa Selic, pois assim eles pagarão cada vez menos juros aos investidores. Quando a expectativa é de aumento da taxa de juros, os bancos costumam emitir CDB com a rentabilidade pré-fixada, mantendo a remuneração do investidor fixa, mesmo após os aumentos da Selic.

Cada banco é livre para estabelecer a remuneração que deseja pagar aos investidores via CDB. Dois fatores costumam causar um aumento da remuneração oferecida pelo banco ao investidor.

Primeiro, os bancos aceitam pagar taxas mais altas se o investidor aplicar grandes volumes de recursos. Quanto maior sua aplicação, maior a possibilidade de conseguir uma taxa melhor.

Instituições com dificuldades financeiras podem oferecer uma remuneração melhor no seu CDB para atrair mais investidores

O segundo fator é a necessidade financeira do banco. Instituições com dificuldades financeiras podem oferecer uma remuneração melhor no CDB, para atrair mais investidores.

Portanto, cuidado ao contratar CDB com taxas de retorno muito acima daquelas oferecidas por outros bancos, pois isso pode ser um sinal de fraqueza financeira da instituição para a qual você está emprestando seu dinheiro. Se o banco falir, você entra na massa de credores e pode não receber seu investimento de volta.

Crédito privado

Os títulos de crédito privado são emitidos por empresas. Quando você investe em crédito privado, está emprestando dinheiro a empresas, e cobrando juros pelo empréstimo. Por isso, os juros pagos são oriundos dos resultados operacionais das empresas que emitiram os títulos. Com raríssimas exceções, emprestar dinheiro para empresas tende a ser mais arriscado que emprestar ao Governo Federal, portanto a remuneração dos Créditos Privados são maiores que as dos títulos públicos.

Os títulos de crédito privado rendem mais que os títulos públicos, pois oferecem mais riscos

Os Créditos Privados são negociados em grandes lotes e somente são acessíveis a investidores institucionais. A forma mais comum de se aplicar nessa modalidade é por meio de fundos de investimento em crédito privado. Muitos fundos de investimento de renda fixa ou multimercados podem aplicar uma parte da sua carteira nesses títulos, mas sempre de forma restrita. Os fundos que podem aplicar percentuais significativos de seu patrimônio em crédito privado levam essa expressão em seu nome.

Com a queda da taxa de juros, há um aumento da procura dos investidores por essa modalidade, para manter as rentabilidades. Mas é importante entender que esses créditos apresentam mais risco que os títulos públicos.

Na segunda parte deste artigo, escrevemos sobre risco, riscos ocultos e taxas dos instrumentos de renda fixa.

 

Renda fixa: diferenças entre poupança, títulos públicos, tesouro direto, CDI, CDB e crédito privado (parte 1)
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