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Renda fixa: diferenças entre poupança, títulos públicos, tesouro direto, CDI, CDB e crédito privado (parte 2)

A renda fixa é tida como um investimento seguro e com baixas taxas de administração, porém existem alguns riscos e taxas ocultas (às vezes nem tão ocultas) com os quais devemos tomar cuidado. 

Poupança

Não há taxa de administração na poupança, mas existe uma espécie de “taxa oculta”, um custo com o qual arcamos sem perceber. Todos sabem que a poupança só rende no dia do aniversário. Se você resgata em qualquer outro dia, perde toda a rentabilidade obtida desde o último aniversário.

Hoje esse valor é irrisório, pois a poupança rende no máximo 0,5% ao mês mais TR. A TR funciona como correção monetária e sempre está perto de zero. Porém, no período que a inflação era alta, a TR era muito significativa.

Não há taxa de administração na poupança, mas existe uma espécie de “taxa oculta”, com a qual arcamos sem perceber

Quando a inflação chegava a 10-20% ao mês, perder alguns dias de rentabilidade era perder parte significativa do patrimônio. Esse mecanismo torna-se ainda mais perverso se considerarmos que quem não poderia esperar alguns dias até o aniversário da aplicação eram as pessoas mais pobres.

Esses poupadores, justamente os que mais precisavam, eram punidos com um sistema concentrador de renda que, apesar de enfraquecido, está em vigor até hoje.

A poupança é um dos investimentos mais conservadores e seguros, porém com baixa rentabilidade. Possui garantia do Fundo Garantidor de Créditos até R$ 70 mil e isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas com aplicações até R$ 50 mil.

Títulos públicos / Tesouro direto

Do ponto de vista de segurança, os títulos públicos são a referência. Considera-se que o Governo Federal tem a melhor capacidade de pagamento, até por que ele pode imprimir dinheiro para pagar suas dívidas. Essa prática já foi utilizada muitas vezes, porém seu efeito colateral é a geração de inflação.

Para se ter problemas com os títulos públicos seria necessária uma grave crise econômica, como a que está ocorrendo nos PIIGS da Europa (Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha) e como ocorreu na Crise de Marcação a Mercado em 2002 no Brasil, que terá um artigo específico sobre o assunto. Nesse cenário, todos os outros investimentos mais arriscados já apresentaram problemas há tempos.

Na compra do Tesouro Direto há uma taxa de 0,1% do valor comprado. Anualmente há uma cobrança de 0,3% referentes a taxa de custódia para a BMF&Bovespa. Essas taxas são uniformes e inegociáveis.

Além dessas duas, há a taxa do seu agente de custódia escolhido, ou seja, o banco ou corretora por onde você fez a operação. Essas taxas dependem da instituição contratada e podem ser consultadas na página do Tesouro Direto.

As instituições mais caras geralmente são aquelas com maior facilidade comercial, normalmente os bancos em que temos conta

A lista está em ordem crescente de taxas. Repare que as instituições mais caras geralmente são aquelas com maior facilidade comercial. São normalmente os bancos em que você já tem conta corrente. Muitas corretoras podem chegar a isentar essas taxas, como forma de atrair clientes. Se você abrir conta em alguma corretora “sem taxas”, cuidado com as ofertas de outros produtos e serviços que você pode aderir até sem querer e ser surpreendido por cobranças.

De qualquer maneira, a segurança do investimento é a mesma, independentemente da instituição escolhida, desde que ela seja autorizada e os títulos fiquem custodiados na CBLC.

CDI (Certificado de Depósito Interbancário) e Fundos DI

Como vimos no primeiro artigo desta série, não se pode aplicar em CDI diretamente. Ao investir em fundos DI, você está comprando títulos públicos atrelados à taxa Selic. Assim, você corre os mesmos riscos que correria com títulos públicos: baixíssimos.

Muitos fundos DI são fáceis de investir e resgatar, pois costumam ser acessíveis através da conta corrente do próprio banco sem necessidade de burocracia ou transferências bancárias. Essa facilidade tem custo, muitas vezes alto.

Os fundos DI possuem taxas de administração que em alguns casos chegam a 4 ou 5% ao ano, consumindo metade da rentabilidade

Os fundos DI possuem taxas de administração que em alguns casos chegam a 4 ou 5% ao ano, consumindo metade da rentabilidade que seria sua. Veja alguns exemplos de fundos de grandes bancos com taxas de administração altas, e a sua consequente péssima performance.

Consulte seu fundo DI no Comparação de Fundos e veja a diferença de rentabilidade entre o fundo e o CDI. Essa diferença é causada pelas taxas cobradas pelo seu banco. Se o seu fundo ficar bem próximo à linha do CDI, as taxas que estão cobrando são baixas. Se o fundo estiver muito abaixo do CDI, é provavelmente um fundo com taxas abusivas e você deve trocá-lo por outro melhor.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

O CDB conta com a garantia do Fundo Garantidor de Crédito até R$ 70 mil reais. Além desse valor, você está correndo o risco do banco. Alguns eventos recentes, como os casos do Banco Santos, Panamericano e Cruzeiro do Sul, causam uma certa má reputação dessa modalidade. Entretanto, o Banco Central vem agindo de forma bastante eficiente e intervindo nos bancos antes que a situação se agrave.

O CDB não tem taxa de administração, porém, não existe almoço grátis, e algumas coisas devem ser observadas.

Tome cuidado com as taxas de remuneração do CDB. Em geral, quando um banco a aumenta ele está com níveis de liquidez baixos, precisando captar recursos. Com a taxa mais alta ele acredita que conseguirá captar mais. Flutuações de taxas são normais e corriqueiras, entretanto uma alta desproporcional pode indicar alguma instabilidade financeira.

Quando a taxa de juros está com tendência de queda, os bancos vendem CDB com taxa pós-fixadas

Seria uma boa prática comprar títulos públicos (Tesouro Direto) prefixados quando o banco te oferecer um CDB pós, e um título público pós quando o banco te oferecer um CDB pré. Dessa forma você estaria investindo com a mesma estratégia que os bancos.

Crédito privado

Para investir em créditos privados diretamente é preciso ter grande quantidade de recursos, portanto o canal mais tradicional é investir por meio de fundos de crédito privado, que cobram uma taxa para isso.

Em geral, os fundos de investimento costumam colocar apenas uma parte de seu patrimônio em crédito privado. Existem também os fundos que só aplicam em crédito privado, diversificando sua carteira entre várias empresas.

O maior risco de investir em crédito privado é emprestar seu dinheiro a uma empresa e ela não ter capacidade de pagar

Os créditos privados são muito difíceis de serem avaliados. O maior risco de investir em crédito privado é emprestar seu dinheiro a uma empresa e ela não ter capacidade de pagar os juros periódicos ou o principal no dia do vencimento.

Em geral, quanto maior o risco de inadimplência da empresa, maiores as taxas de juros que ela terá que oferecer para atrair investidores. Se tudo correr bem, o retorno será excelente. Porém, se a empresa não conseguir pagar, o prejuízo será grande e imediato.

Por isso, cuidado ao ver a rentabilidade de fundos de crédito privado. Normalmente eles apresentam ganho constante, parecido com uma renda fixa de boa performance. Porém, quanto melhor a rentabilidade, maior o risco assumido ao emprestar o dinheiro dos cotistas.

Leia também a parte 1 deste artigo.

Categorias: CDB, Compare e entenda, Fundos de investimento, Fundos referenciados, Poupança, Tesouro direto
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