Renda fixa: juros de um dia, prefixada ou indexada à inflação

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Existem diferentes tipos de títulos de renda fixa. Compreender o mecanismo da aplicação é fundamental para evitar prejuízos, administrar eventuais quedas temporárias do valor da carteira e obter o máximo retorno possível, dentro do objetivo do investimento. 

 

Aplicações diferentes para cada objetivo

Tipo de Aplicação de Renda Fixa Objetivo do Investimento
Atrelada aos juros de 1 dia (CDI ou Selic) Prazo de resgate indefinido, necessidade de liquidez
Prefixada Prazo de resgate definido e expectativa de ganho maior
Indexada à inflação Obter um determinado ganho, preservando o poder de compra da moeda

Entenda melhor cada tipo de aplicação de renda fixa a seguir.

Juros de 1 dia

As aplicações mais populares e tradicionais de renda fixa são indexadas aos juros de um dia. A maioria dos papéis privados emitidos por bancos e empresas, tais como CDBs e debêntures, é atrelada ao CDI. Esse indicador é equivalente à taxa média dos negócios diários com certificados de depósitos interfinanceiros, o instrumento de captação de recursos utilizado pelas instituições financeiras no mercado interbancário.

A maioria dos papéis de juros de 1 dia no Brasil é atrelada ao CDI

No Tesouro Direto, sistema de negociação de títulos públicos pela internet, a opção atrelada aos juros de um dia é a Letra Financeira do Tesouro (LFT). A diferença, em relação aos títulos privados, é que a remuneração da LFT é vinculada à taxa Selic, e não ao CDI.

O CDI e a Selic não são idênticos, mas guardam relação próxima. Atualmente o rendimento do CDI gira na faixa de 97% a 99% da taxa Selic. No segmento de fundos de investimento, as carteiras da categoria DI e boa parte dos fundos de Renda Fixa estão atrelados aos dois indicadores.

Aplicações vinculadas aos juros de um dia são mais seguras, se o objetivo for evitar perdas em função da desvalorização do título em um momento ruim do mercado. Isso porque se os juros subirem, o rendimento da aplicação aumentará.

Em contrapartida, se as taxas caírem, o rendimento da aplicação diminuirá. Dessa forma o investidor tem a certeza de que a rentabilidade sempre irá acompanhar a flutuação dos juros.

É a alternativa ideal para quem não tem segurança sobre o prazo em que poderá precisar do dinheiro. A totalidade dos fundos DI e a maioria dos CDBs possui liquidez diária, ou seja, podem ser resgatados pelo investidor a qualquer momento. As LFTs podem ser resgatadas toda quarta-feira, pelo sistema do Tesouro Direto.

Prefixada

Diferentemente dos papéis atrelados aos juros de um dia, os papéis de renda fixa que pagam uma taxa prefixada apresentam oscilação de valor mais intensa. Isso ocorre porque os títulos prefixados são negociados com desconto em relação ao valor futuro, que é sempre conhecido. Isso faz com que o valor presente dos papéis oscile de maneira inversamente proporcional aos juros. Quando os juros sobem, o preço do título cai, e vice-versa.

Nos títulos prefixados, o valor final é conhecido e o valor presente oscila de forma inversa à taxa de juros

A oscilação de valor representa um risco. O investidor que precisar fazer um resgate antes do vencimento estará sujeito a essas oscilações, e terá menor previsibilidade do retorno a ser obtido.

Por serem mais arriscados, a tendência é que os papéis prefixados tenham remuneração maior do que os títulos atrelados aos juros de um dia. O que é bom para os investidores que conseguem saber, com certeza, o prazo final da aplicação.

No Tesouro Direto, os papéis prefixados são as Letras do Tesouro Nacional (LTN) e as Notas do Tesouro Nacional da série F (NTN-F). Como o valor nominal dos títulos no vencimento é R$1.000, quanto menor o preço de aquisição, maior será o rendimento da aplicação.

Os fundos de Renda Fixa que concentram a carteira em papéis prefixados usam como parâmetro de referência o IRF-M, um índice que possui metodologia específica e é calculado pela Anbima, a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capital.

Indexada à inflação

Por fim, existem os títulos de renda fixa indexados a índices de preços, que remuneram o investimento com inflação mais juros. São alternativas mais complexas, porque a rentabilidade envolve duas variáveis que precisam ser analisadas conjuntamente. Dependendo da combinação entre elas, o impacto no valor de mercado do título pode mudar.

Os títulos que pagam inflação mais juros apresentam rentabilidade composta por dois fatores diferentes

A correção pela inflação tende a reduzir as oscilações dos títulos indexados, num efeito semelhante ao que ocorre nos papéis atrelados ao CDI ou à Selic. No entanto, o componente prefixado do rendimento contribui para aumentar a volatilidade, tal como acontece com a LTN e demais papéis prefixados.

Os títulos públicos indexados a índices de preço são as Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-B). Existe uma série especial, negociada apenas no Tesouro Direto, na qual o resgate do principal e juros ocorre apenas no vencimento. É a NTN-B Principal.

Entre os fundos de investimento, as carteiras que aplicam em títulos indexados a inflação adotam como parâmetro de referência o IMA-B, que também é calculado e divulgado pela Anbima.

A principal vantagem dos papéis indexados é proporcionar um fluxo de rentabilidade previsível no futuro, com garantia de preservação do poder de compra da moeda. É um título adequado para o planejamento financeiro de longo prazo.

Escolha

Para decidir quais tipos de títulos de renda fixa você deve ter na carteira, é necessário ter clareza do objetivo do investimento e entender detalhadamente os mecanismos que afetam o desempenho das aplicações. Só assim será possível obter uma boa rentabilidade e evitar que oscilações transitórias dos valores dos títulos se transformem em perdas permanentes de capital.

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