Renda fixa não é tudo igual: crédito privado

Muita gente acredita que investir em renda fixa é sinônimo de retorno linear e também de baixo risco. As duas ideias estão erradas. Algumas modalidades de renda fixa são realmente muito seguras e apresentam retorno linear, mas esse é apenas um pequeno subgrupo.

De acordo com a Receita Federal, os ativos de renda fixa são aqueles cuja remuneração pode ser dimensionada no momento da aplicação. Isso significa apenas que o emissor do título e o investidor possuem um acordo determinando qual será a rentabilidade ao final do período contratado. Os tipos de rentabilidade mais comuns são as atreladas a juros diários, as prefixadas e as indexadas à inflação.

Muitos investimentos enquadrados como renda fixa apresentam volatilidade e/ou risco de perda do capital

 É importante entender que, em diversos tipos de renda fixa, não existe nenhuma garantia de que a rentabilidade será linear ou progressiva, entre a data de investimento e o vencimento do título. Nesses casos, só há a certeza de quanto valerá o título no vencimento, mas durante sua existência muitos fatores podem afetar seu valor de mercado. É por isso que muitos ativos enquadrados como renda fixa apresentam volatilidade.

Mas, ainda que não apresentem volatilidade, muitos títulos podem estar sujeitos a outros tipos de risco que o investidor nem sempre conhece. Muito comum é o risco de crédito, relacionado à possibilidade de o emissor do título não pagar o principal e os juros da dívida.

Risco na renda fixa

Quanto maior o risco de o emissor não conseguir pagar, maior a remuneração que ele precisa oferecer para que os investidores comprem seus títulos. Por isso, títulos de renda fixa com maior rentabilidade são considerados mais arriscados

No mercado financeiro, os títulos emitidos pelo Governo Federal são considerados os ativos de menor risco de crédito, já que o país possui o poder de criar tributos e até mesmo de emitir mais dinheiro para quitar suas dívidas. Todos os demais emissores de títulos de renda fixa possuem um risco de crédito associado à sua saúde financeira e solidez.

Quanto maior o risco de crédito do emissor, maior a taxa de juros que ele precisa oferecer para atrair compradores para esse papel. Nesse caso, como em qualquer investimento, é fundamental diversificar. Se o investidor adquirir papéis de apenas um emissor, estará concentrando o risco em uma única instituição. Adquirindo títulos de vários emissores, dilui-se o risco, uma vez que é menos provável que vários deles enfrentem dificuldades financeiras simultaneamente.

Como aproveitar o retorno linear

Existem hoje algumas opções de investimento que conseguem reunir o retorno progressivo e linear desejado pelos investidores conservadores, com uma segurança extra contra o risco de inadimplência. Veja as diferenças entre cada uma delas abaixo.

Fundos de crédito privado são veículos interessantes para quem busca melhorar a rentabilidade ao investir em renda fixa, mas não abre mão da liquidez. Nesse tipo de fundo, o gestor profissional seleciona títulos privados com risco de crédito, como debêntures, e títulos públicos, procurando identificar ativos que ofereçam uma relação risco-retorno atrativa e diversificar entre vários emissores. Algumas das vantagens são:

  • Expectativa de rendimento bruto mais elevado e, por isso, rentabilidade líquida semelhante às LCI e LCA;
  • Liquidez garantida (observados os prazos de resgate);
  • Maior diversificação do risco entre emissores;
  • Monitoramento dos emissores por uma equipe de gestão profissional;
  • Como a aplicação não tem prazo de vencimento, não há necessidade de renovação periódica;
  • Excelente opção para empresas, que não são beneficiadas pela isenção de IR nas LCI e LCA.

 

Outra característica muito importante é a isenção de Imposto de Renda para o investidor pessoa física. Na hora de comparar a taxa de retorno oferecida por uma LCI ou LCA com um CDB, é importante levar em conta essa diferença. À primeira vista, os CDBs podem parecer mais atrativos, mas eles são sujeitos a IR, que pode reduzir sua rentabilidade entre 15% e 22,5%, dependendo do prazo da aplicação.Já as LCI e LCA são produtos emitidos por bancos como uma forma de captar recursos, tendo importantes diferenças em relação a outro produto de captação bancária mais popular, os CDBs. As letras têm como lastro o crédito imobiliário (LCI) ou do agronegócio (LCA), porém o risco de crédito ainda se refere ao banco emissor, e não ao lastro do título. Ou seja, se a dívida não for paga, o investidor não é impactado.

Assim como o CDB e a poupança, as LCI e LCA também são garantidas pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) até o limite de R$ 250 mil para o montante aplicado e rendimentos. Dessa forma, o investidor pode colher os benefícios do risco de crédito e ao mesmo tempo se proteger de uma eventual inadimplência do emissor.

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Renda fixa: diferenças entre poupança, títulos públicos, tesouro direto, CDI, CDB e crédito privado – Parte 1
Renda fixa: diferenças entre poupança, títulos públicos, tesouro direto, CDI, CDB e crédito privado – Parte 2

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Categorias: Fundos de investimento, Outros fundos, LCI e LCA