Rentabilidade do Tesouro Direto: entenda os títulos usando o simulador

Entenda a rentabilidade dos títulos do Tesouro Direto

O investimento no Tesouro Direto vem ganhando popularidade nos últimos anos. Não é para menos: com um pouquinho de pesquisa logo se descobre que os títulos públicos rendem mais (e são mais seguros) que a tradicional caderneta de poupança. Apesar disso, o comportamento de cada um dos três tipos de títulos oferecidos ainda gera muitas dúvidas.

Esperamos com este artigo ajudar você a compreender as diferenças entre os títulos do Tesouro Direto. Vamos mostrar também como você pode usar o simulador desenvolvido pela Vérios para analisar a rentabilidade das aplicações. Ah, e você vai entender o que essas folhinhas da imagem têm a ver com os títulos! Pronto para começar?

Relembrando os tipos de títulos públicos

No Tesouro Direto há três tipos de título público:

  • Tesouro Selic (atrelado à taxa Selic)
  • Tesouro Prefixado (atrelado a uma taxa prefixada)
  • Tesouro IPCA+ (atrelado à inflação mais uma taxa prefixada)

Cada um deles tem suas peculiaridades. O rendimento de alguns títulos é muito estável, como é o caso do Tesouro Selic. Outros oscilam bruscamente. Dentro das categorias de prefixados e atrelados à inflação, alguns títulos pagam juros semestrais (cupom) e outros não. Para complicar, existem títulos de um mesmo tipo com vencimentos diferentes.

A gente sabe que tudo isso torna a tarefa de decidir onde investir mais complexa. Mas fique tranquilo: além de todo o conteúdo de apoio que temos no blog, desenvolvemos um simulador interativo para ajudar você a entender intuitiva e visualmente como esses títulos se comportam. Agora, para cada título você pode ver seu rendimento passado e também ter uma boa noção do seu provável comportamento futuro.

Então vamos direto para a parte prática? Você vai saber como entender os títulos públicos usando o simulador.

Usando o simulador do Tesouro Direto

Suponha que esteja analisando um investimento de R$ 10.000 no título Tesouro IPCA+ que vence em 2024. O simulador mostra quanto você deveria ter investido a cada dia no passado para ter esse valor hoje, e também quanto esperar de rendimento daqui pra frente.

Veja como o gráfico exibe sua simulação:

Rentabilidade Tesouro IPCA+ 2024 (NTN-B Principal)

Gráfico de rentabilidade do título Tesouro IPCA+ 2024 (NTNB Principal)

Analisando a rentabilidade passada

A curva do gráfico mostra como o valor do título evoluiu desde o seu lançamento, em 2005. A linha vertical da direita marca o dia de hoje, 31/01/2017. Quando você interage com a área à esquerda do dia de hoje, um quadrinho exibe quanto teria sido necessário investir nesse título em cada momento para chegar aos R$ 10.000 hoje.

Projetando a rentabilidade futura

Do dia de hoje para frente, a curva do título se transforma em três linhas pontilhadas. Elas correspondem a três cenários possíveis para a rentabilidade do título: esperado, otimista e pessimista.

O cenário esperado, dado pela linha central, indica o comportamento médio esperado do preço do título no futuro, calculado a partir do seu comportamento recente e das condições de mercado atuais. O cenário otimista, na linha superior, representa a média das trajetórias em condições nas quais o título deve ter uma valorização acima da média. Inversamente, o cenário pessimista, na linha inferior, mostra o que tipicamente acontece em condições desfavoráveis à valorização do título.

Existem vários cenários intermediários possíveis e nem todos estão dentro das bandas representadas no gráfico. Fizemos uma simplificação visual para ajudar a sua compreensão. Em geral, os movimentos futuros de um título devem passar 90% ou mais do tempo na região compreendida entre as linhas dos cenários otimista e pessimista.

Observações: Os valores futuros são mostrados em termos nominais, sem descontar a inflação e o Imposto de Renda. E no caso de títulos que vencem no futuro muito distante (como 2050, por exemplo), exibimos as projeções apenas para os próximos 10 anos, para evitar que a escala dos valores futuros torne pequena demais a parte do gráfico que corresponde à trajetória passada de preços.

Temos uma explicação um pouco mais detalhada (e técnica) da construção dos três cenários para quem gosta de entender tudo nos pormenores:

Agora vamos explorar as causas do comportamento de cada um dos tipos de títulos do Tesouro Direto.

Entenda o comportamento dos títulos

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é o título que tem o funcionamento mais parecido com a “maré calma” da poupança. Você não sabe exatamente quanto que vai receber de juros, mas sabe que todo mês a rentabilidade vai ser positiva e parecida com a do mês anterior. Pode ser um pouco maior ou um pouco menor, mas sempre parecida.

Se a inflação subir, a Selic também sobe, o que faz do Tesouro Selic uma escolha sem erro, com baixíssimo risco

O rendimento do Tesouro Selic varia de acordo com apenas dois fatores. O primeiro é a quantidade de dias úteis no mês. A rentabilidade de fevereiro, por exemplo, é um pouquinho menor por causa do Carnaval (e porque fevereiro tem 28 ou 29 dias), e isso vai ser compensado nos outros meses.

Mas o fator que mais impacta a rentabilidade é o segundo: a taxa de juros que o governo decide, a Selic. Quando você ler a notícia de que o governo cortou ou aumentou os juros hoje, isso significa que a partir de amanhã a rentabilidade desses títulos já passa a acompanhar a nova taxa.

Não sabemos o que vai acontecer no futuro com a taxa de juros, por isso criamos três cenários:

  • Otimista: a taxa de juros vai subindo até ficar 50% mais alta do nível em que ela está;
  • Esperado: a taxa de juros fica estável;
  • Pessimista: a taxa de juros vai caindo até chegar a dois terços do nível em que ela está.

O gráfico de projeção do Tesouro Selic tem esta aparência de uma linha bem contínua:

Apesar dos nomes otimista e pessimista, os cenários são um pouco mais complicados do que isso, pois está faltando um componente nessa história: a inflação.

No final das contas, não importa somente quanto dinheiro você vai ter, e sim quanto que esse dinheiro vai conseguir comprar. Mas não se preocupe, a Selic tende a acompanhar a inflação, no sentido de estar sempre um pouco (às vezes bastante) acima dela. Às vezes adiantada, às vezes atrasada, mas se a inflação subir, a Selic também sobe. Isso faz desse título uma escolha sem erro, com baixíssimo risco. Não é à toa que o Tesouro Selic é a classe com maior peso na carteira inteligente da Vérios e considerado o investimento mais seguro do país.

Tesouro IPCA+

O Tesouro IPCA rende a inflação somada a uma taxa predeterminada, os chamados “juros reais”. No caso desses títulos, é como se você soubesse o quanto vai conseguir comprar, sem saber ao certo o preço das coisas.

Por exemplo, digamos que uma latinha de Coca-Cola custe R$ 1 (o preço já foi esse um dia, acredite). Pois bem, você investiu o valor de 100 latinhas de Coca-Cola em um título que vence daqui a alguns anos e remunera IPCA + 6%. No vencimento do título, a Coca-Cola pode estar custando R$ 3, ou seja, a inflação foi de 200%. Nesse caso, o seu investimento em Tesouro IPCA terá se transformado em R$ 318 reais. Com esse dinheiro, você poderá comprar 106 latinhas de Coca-Cola.

No Tesouro IPCA+, é como se você soubesse o quanto vai conseguir comprar, sem saber ao certo o preço das coisas

Num outro cenário, em que a inflação foi um pouco mais baixa, a Coca-Cola foi para R$ 2. Nesse caso você terá R$ 212, podendo comprar as mesmas 106 latinhas de Coca-Cola da situação anterior.

Ou seja, mesmo sem saber exatamente quantos reais você terá ao final do período, o seu poder de compra está garantido, e o aumento dele também, pois os 6% de juros indicam que você poderá comprar seis Coca-Colas a mais para cada 100 Coca-Colas investidas, não importando qual o preço por latinha. Olhando dessa forma, dá até pra gente pensar que esse é o “verdadeiro título prefixado”, pois no momento do investimento já fica predefinido qual será o seu ganho em termos reais, ou seja, em termos de poder de compra.

Mesmo assim, os títulos Tesouro IPCA+ estão sujeitos a oscilações mais fortes que não acontecem nos títulos Tesouro Selic, pois no caso deles as expectativas do mercado para o futuro afetam os preços de hoje. Então no curto prazo os títulos Tesouro IPCA+ podem sofrer uns solavancos, especialmente se eles tiverem uma data de vencimento mais distante, ou longa, como se diz no jargão financeiro. Mas na medida em que o vencimento deles vai se aproximando, os solavancos diminuem e o rendimento converge para a inflação somada à taxa predeterminadada de quando você comprou o título. No vencimento, a rentabilidade que você contratou ao comprar o título é garantida.

O gráfico da projeção do Tesouro IPCA+ tem este visual:

Tesouro Prefixado

Com os títulos dessa classe ocorre o inverso do Tesouro IPCA+. Nos prefixados, você sabe exatamente quantos reais terá no final, mas não tem como saber qual será o poder de compra desse dinheiro lá na frente.

Por conta disso, o gráfico desses títulos têm o simpático formato de uma folha:

Os títulos do Tesouro IPCA+ corrigem o valor investido pela inflação assim que ela ocorre, e a rentabilidade dos títulos Tesouro Selic se ajusta automática e lentamente quando a inflação sobe. Já os títulos do Tesouro Prefixado não têm nenhum desses dois “colchões de amortecimento”.

Em compensação, os títulos Tesouro Prefixado na média tendem a ter uma rentabilidade mais alta: o risco costuma vir acompanhado de melhores retornos. Esses títulos geralmente têm bom desempenho em cenários em que a inflação fique estável ou caia.

Por que os preços dos títulos públicos sobem e descem

A essa altura, esperamos ter ajudado você a compreender as diferenças entre os tipos de títulos do Tesouro Direto. Mas talvez você ainda esteja se perguntando: por que os preços do Tesouro Prefixado e do Tesouro IPCA+ oscilam tanto? Afinal, são títulos de renda fixa!

Para entender essa dinâmica, pense no título público como um valor a receber lá no futuro. O governo se comprometeu a pagar para você na data de vencimento um valor definido segundo os mecanismos já explicados.

O governo precisa de dinheiro, os investidores precisam aplicar seus recursos. É a boa e velha lei da oferta e demanda em ação

Todos os dias, muitos investidores precisam aplicar seus recursos, enquanto que o governo precisa de dinheiro para pagar suas obrigações. Se o governo precisa de menos dinheiro, seja porque cortou gastos, seja porque a economia cresceu e a arrecadação aumentou, ele vai vender menos títulos, os quais serão disputados pelos investidores. Essa disputa significa pagar mais pelos títulos. É a boa e velha lei da oferta e demanda em ação. Por outro lado, se o governo aumentou as suas despesas ou a arrecadação caiu, ele vai precisar de mais dinheiro e com isso vai vender mais títulos. Os preços dos títulos então caem.

Além disso há o outro lado, de quem faz o investimento. Se a economia está crescendo, com desemprego baixo e salários altos, os investidores terão mais dinheiro para comprar esses títulos. Eles vão então disputar mais os títulos à venda, e com isso pagar mais caro por eles.

Além das condições econômicas do momento, os investidores levam em conta também as suas expectativas sobre o futuro, em especial se eles acham que a taxa Selic vai subir ou cair. No final o preço se dá no mercado, que precifica tanto o presente como o futuro.

Os títulos têm diferentes vencimentos, e quanto mais distantes eles são, mais forte tende a ser a oscilação. Se você quiser aprender mais sobre essa dinâmica leia este artigo sobre o conceito de “duration”.

O resultado desse cabo de guerra entre investidores e governo aparece na parte do simulador que mostra o passado. Os preços subiram quando os investidores estavam mais sedentos pelos títulos, e caíram quando o governo precisou de mais dinheiro.

Não sabemos como vai ser o futuro, mas criamos algumas possibilidades baseadas no passado para entender essa disputa. Esse modelo é uma simplificação enorme, mas dá para captar bastante do funcionamento e começar a entender melhor os títulos.

Projeção x realidade: títulos que já venceram

Veja nos vídeos abaixo como o simulador teria exibido alguns títulos que venceram recentemente. Geramos as mesmas previsões que o simulador teria gerado com as informações disponíveis naquelas datas.

Tesouro Selic 2017 (LFT)

Tesouro IPCA+ 2017 com Juros Semestrais (NTNB)

Tesouro Prefixado 2017 (LTN)

Repare como em geral funciona bem: as trajetórias futuras quase sempre ficam entre as curvas que correspondem aos cenários otimista e pessimista.

Esperamos ter contribuído com o seu aprendizado neste artigo e que você faça bom proveito do simulador do Tesouro Direto!

Se você busca ajuda para investir no Tesouro Direto, que tal deixar a Vérios cuidar disso por você? Nós analisamos todos os títulos públicos e incluímos proporções diferentes de cada uma das classes na carteira inteligente, nosso serviço de gestão de investimentos. Você pode contar com nossa expertise para investir melhor. Comece fazendo seu plano de investimento.

Rentabilidade do Tesouro Direto: entenda os títulos usando o simulador
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Categorias: Iniciante, Intermediário, Títulos públicos
  • Rodolfo Machado

    Legal a ferramenta! Mas poderia mostrar a rentabilidade real esperada ao final de cada cenário.

    • RS

      Apesar de ter gostado bastante da iniciativa, também acredito que um simulador com a rentabilidade real seria mais lógico, principalmente para quem quer compreender o comportamento do tesouro IPCA.
      Com o simulador de rentabilidade nominal, o gráfico da NTN-B ficou parecido com o da LFT (linhas se distanciando). Deflacionado, o gráfico seria parecido com o da LTN (linhas se convergindo).

      • Flavio Abdenur

        Oi Rodolfo, realmente um simulador com rentabilidade real teria suas virtudes, mas se por um lado ele simplificaria algumas coisas, por outro ela complicaria outras. Por exemplo, como você apontou em termos reais as NTNBs ficariam com projeções “fechadas”, em formato de folha. Mas em contrapartida as curvas de projeção dos títulos prefixados (antigos LTNs e NTNFs) deixariam de ser fechados e ficariam com o lado direito aberto, mais ou menos como ocorre nas projeções das NTNBs atualmente.

        E “prever” a inflação geraria uma dimensão a mais de complexidade. Então optamos pela simplicidade

        Obrigado tanto pelo elogio quanto pela sugestão. abraço!

        • Rodolfo Machado

          Olá, acho que vcs não entenderam. Eu disse rentabilidade real de cada cenário. Otimista, esperado e pessimista. Nisso vc desconta imposto de renda, taxa de custódia e, se quiser, pode se colocar campo para preencher taxa da corretora ou banco. Logo, no final, vc tem a rentabilidade real de cada cenário. Abraço

          • Flavio Abdenur

            Ah, agora entendi! No jargão econômico “rentabilidade real” pode se referir à rentabilidade depois de descontada a inflação, daí a confusão 🙂

            Sugestões anotadas. Abraço!

  • Antonio Junior

    Eu gostaria de saber se digamos que com 1 milhão por mês investido em tesouro eu posso ter um rendimento mensal liquido de mais de 1% com algum titulo do tesouro.

    Digamos que eu queira viver dessa renda. Qual a melhor estratégia de saque (mensal, semestral…) para que eu consiga ter esses mais de 1% liquidos? Mesmo com os descontos das taxas. Quero ter todo mês em minhas mãos mais de 10 mil reais liquidos.

    • Lenine

      Lógico que não com os juros reais atuais. Voce precisaria de um tesouro IPCA+ pagando IPCA +12% o que não parece que vai acontecer tão logo..