Rentabilidade real: quanto seu dinheiro está realmente rendendo?

Rentabilidade real dos investimentos e aplicações financeiras

Rentabilidade, rendimento ou taxa de retorno é a remuneração que você recebe por deixar seu dinheiro aplicado em algum investimento. O quanto seu dinheiro vai render depende de diversos fatores, como as características do investimento e as condições do mercado.

Quando falamos da rentabilidade de um investimento, quase sempre estamos nos referindo à rentabilidade nominal: uma aplicação que rende 10% ao ano, outra que rende 0,5% ao mês… O que muita gente não leva em conta é que a rentabilidade nominal, na verdade, não diz muita coisa.

Neste artigo você vai entender o conceito de rentabilidade real e saber como analisar quanto seus investimentos estão rendendo de verdade!

A inflação é o motivo para tirar o foco do rentabilidade nominal

Vivemos em um país inflacionário. Hoje, com os R$ 50 que tenho em minha bolsa, posso comprar 13 bilhetes de metrô em São Paulo (cada um custa R$ 3,80). Se eu mantiver os mesmos R$ 50 esquecidos em um compartimento secreto da minha bolsa até o ano que vem, provavelmente só poderei comprar 10 ou 11 bilhetes de metrô. Nosso dinheiro perde valor ao longo do tempo! Ele passa a valer menos. Triste assim 🙁

Por isso é tão importante manter o dinheiro bem investido, ainda mais se você está poupando para um futuro distante.

A ideia é que os investimentos possam restituir o poder de compra do seu dinheiro, ou seja, recuperar o que é perdido para a inflação, e além disso oferecer uma remuneração acima da inflação, a qual chamamos de rentabilidade real.

Conhecendo a rentabilidade real dos investimentos

Existe uma equação matemática para calcular a rentabilidade real:

{[(1 + rentabilidade nominal)/(1 + inflação)] – 1} x 100

Se você quiser fazer o cálculo de forma rigorosa, deve usar esta fórmula.

Mas, se você não gosta de matemática, calma! Por favor, não interrompa a leitura por aqui.

Para ter uma boa noção da rentabilidade real você não precisa resolver a equação aí de cima. Basta fazer um cálculo muito simples: subtrair da rentabilidade nominal a inflação!

Rentabilidade real = rentabilidade nominal – inflação

Não se esqueça de que a rentabilidade nominal e a inflação devem estar na mesma unidade (geralmente, percentual ao mês ou ao ano) para a conta fazer sentido. Vamos a um exemplo?

Exemplo 1: Rentabilidade real da poupança

No ano de 2016, a poupança rendeu 8,30%1. No mesmo ano, o IPCA, principal índice que mede a inflação no Brasil, foi 6,29%.

Rentabilidade real da poupança em 2016
8,30% – 6,29% = 2,01%

Portanto, quem deixou o dinheiro na poupança em 2016 ganhou na verdade 2,01%, e não 8,30%! Uma baita diferença, concorda? As aparências enganam!

Neste ano de 2017 a inflação está menor e, por isso, a poupança está rendendo um pouco mais. Até o começo de agosto, os números estavam assim:

Rentabilidade real da poupança em 2017 (parcial)
4,25% – 1,43% =
2,82%

Saiba mais sobre o rendimento da poupança.

Aliás, um levantamento divulgado pela plataforma de análise financeira Economática mostrou que esse é o melhor rendimento real da poupança desde 2006. Veja o gráfico:

Gráfico do histórico da rentabilidade real da poupança
As barras em vermelho destacam as maiores rentabilidades reais históricas (já descontando a inflação) da poupança. Fonte: Economática

Exemplo 2: Rentabilidade real da carteira 3 da Vérios

No ano de 2016, a carteira de nível de risco 3 da Vérios registrou rentabilidade nominal de 15,89%.

Rentabilidade real da carteira 3 em 2016
15,89% – 6,29% =
9,60%

Portanto, quem investiu com a Vérios no ano de 2016 em uma carteira com nível de risco 3, obteve um rendimento real de 9,60% — consideravelmente maior que os 2,01% da caderneta de poupança.

Gráfico de acompanhamento da rentabilidade na Vérios
Exemplo de como a Vérios monitora a rentabilidade real das carteiras. O montante representado pelo azul acima da linha pontilhada é a rentabilidade real

Para conferir as rentabilidades nominais de outros níveis de risco da carteira inteligente, leia o artigo em que divulgamos as rentabilidades em 2016. Mas não considere esses rendimentos passados como parâmetro para o futuro, ok?

Com a queda da taxa básica de juros, as projeções de rentabilidade são menores agora. Será que isso é ruim? Vamos entender.

A queda dos juros prejudica a rentabilidade?

Depende!

Grande parte dos investimentos de renda fixa no Brasil está de certa forma atrelada à taxa básica de juros, a Selic, ou ao CDI (que também anda coladinho com a Selic).

Confira como a Selic flutuou nos últimos anos:

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Agora estamos em um momento de queda da Selic. Após um bom tempo no patamar de 14,25% ao ano, a taxa de juros está em 9,25% ao ano, e o mercado nutre expectativas de que ela caia ainda mais.

O rendimento nominal de aplicações financeiras como Tesouro Selic, CDBs e fundos DI depende da Selic, pois esses investimentos são atrelados à taxa de juros. São os chamados juros pós-fixados.

Para analisar o rendimento de quem investe com a Vérios, a Selic é especialmente relevante, já que o título Tesouro Selic é o ingrediente principal das nossas carteiras.

E quando a taxa de juros cai, o rendimento cai também? Aplicações que rendem juros pós-fixados deixam de ser interessantes?

Bom, quando a taxa de juros diminui, a rentabilidade nominal dos investimentos segue a mesma direção. Porém, como vimos antes, a rentabilidade nominal não diz muita coisa! O importante é a rentabilidade real. Para calculá-la, precisamos conhecer a inflação.

Em 2016, com a taxa de juros em 14,25%, vimos que a rentabilidade real da carteira 3 da Vérios foi 9,60%.

Com os juros em 9,25%, a projeção de rentabilidade da carteira 3 é de 10,41% ao ano2. Supondo que os juros se estabilizem nesse patamar e a inflação fique nos 3,5% projetados até o final do ano, a rentabilidade real seria de 6,91% (10,41% – 3,5%). O ganho é menor em relação ao ano anterior, não há dúvida. Mas isso não é necessariamente algo ruim. Sabe por quê?

O Brasil tem um histórico de juros altos. Quando os juros são altos, as pessoas e as empresas não têm incentivos para movimentar a economia, pois deixar o dinheiro rendendo em muitos casos vale mais a pena do que tocar um negócio.

Além disso, as pessoas preferem aplicações de renda fixa. Por que investir na bolsa de valores se a renda fixa já paga juros impressionantes, com risco bem menor?

Com juros muito altos, a economia não cresce e não gera novos empregos. As empresas que estão na bolsa não captam mais recursos.

Portanto, a queda dos juros é saudável para a economia. E isso já é motivo suficiente pra você não se incomodar tanto com a queda da rentabilidade real, concorda?

Procure sempre acompanhar a rentabilidade real dos seus investimentos e diversificar sua carteira. Assim, você estará preparado para lidar com as mudanças no mercado e terá a tranquilidade de saber que seu dinheiro não está perdendo valor ao longo do tempo.

O artigo foi útil? Deixe seu comentário! Ficou com alguma dúvida? Comente também. Aliás, uma pergunta, quantos bilhetes de metrô ou ônibus daria pra comprar na sua cidade com os R$ 50 que tenho em minha bolsa?

1Isso vale para quem deixou dinheiro aplicado na poupança durante todos os dias do ano! Isso porque a poupança rende apenas uma vez por mês, no aniversário da poupança. Se você ficou depositando e resgatando da poupança ao longo do ano de 2016 e não fez esse controle dos aniversários, provavelmente o rendimento foi menor.

2Essa é a projeção para carteiras com diversificação completa. Para carteiras sem a parcela de renda variável, o rendimento esperado é de 9,85% ao ano.

Rentabilidade real: quanto seu dinheiro está realmente rendendo?
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Categorias: Iniciante, Intermediário, Planejamento pessoal
  • Mateus Viegas

    Oi Isabella, comentei no facebook também. Eu acho que esse cálculo de rentabilidade real está equivocado por se tratarem de juros compostos. O cálculo correto não seria (1 + rentabilidade no período)/(1 + inflação no período) – 1?

  • Márcio Alcântara

    Oi Isabella. Você pergunta ao final do artigo se não devemos nos preocupar com a queda da rentabilidade real. Eu acredito que devemos nos preocupar sim, pois como você colocou no artigo, se a melhora da economia faz diminuir os ganhos com renda fixa e aumentar os ganhos com ações das empresas que por sua vez estão lucrando mais, não seria o caso do Ueslei acrescentar parcela de renda variável na carteira 3, e ganharmos também com a melhora da economia? Quem sabe reduzir o limite mínimo de 50.000 reais para se ter parcela de renda variável…?

    • Isabella Paschuini

      Oi, Márcio!

      Você tem razão. O ideal seria, sim, termos a diversificação com o mercado de ações em carteiras com menos de R$ 50 mil. Hoje, entretanto, isso é bastante custoso (cada aplicação em ETF tem uma taxa de corretagem de R$ 16,20), o que inviabilizaria praticarmos a taxa total de 0,95% ao ano.

      Sobre aumentar a alocação de renda variável, aí é mais complicado, e eu explico o porquê:

      O modelo matemático que adotamos para decidir onde aplicar seu dinheiro tem um “dogma” principal: o controle do risco da sua carteira. Mesmo com a economia indo bem, no dia a dia a bolsa continuará com altos e baixos, continua com volatilidade. Se aumentarmos o percentual de variável na carteira, ela se tornará mais arriscada. Aí, ploft! Perdemos o controle do risco, o que é uma das nossas principais preocupações pois queremos que as pessoas invistam de forma segura, compatível com sua tolerância a riscos.

      Obrigada pelo comentário, é sempre bom ter esse feedback, e espero que tenha conseguido mostrar as limitações aqui do nosso lado!

      Abraços,
      Isa