Saber investir pode empoderar uma mulher

Investimentos e mulheres: texto de Carolina Ruhman

Muito tem se falado nos últimos tempos sobre empoderamento feminino: com igualdade de direitos e maior participação social. No entanto, eu vejo tudo isso de uma maneira um pouco diferente. Na minha visão, o verdadeiro empoderamento das mulheres passa pela educação financeira. A mulher só pode se tornar independente e autônoma quando puder bancar suas próprias escolhas.

Desde que lancei o Finanças Femininas, há mais de quatro anos, ouço muito a frase “Eu não preciso”. Descobri que para muitas mulheres, existe alguém (um homem, no geral) que cuida do dinheiro delas. Um pai, um marido, um irmão. O problema é que esta situação acaba gerando uma dependência enorme. Como tomar uma decisão importante na sua vida, se você não sabe se tem dinheiro para aquilo ou não?

Para mim, a educação financeira nos permite fazer as escolhas que queremos em nossas vidas. E tenho visto, na prática, como este conhecimento pode ser transformador para as mulheres: vi mulheres que saíram de casamentos onde não eram felizes, outras que lançaram seus negócios, outras que compraram seus apartamentos.

A mulher só pode se tornar independente e autônoma quando puder bancar suas próprias escolhas

Muita gente me pergunta se a educação financeira para mulheres não é a mesma daquela para os homens. Não é – e a resposta não é minha, mas da OCDE, o clube dos países desenvolvidos. Na visão da entidade, para iniciativas de educação financeira funcionarem, é preciso ter segmentação. E os grupos que mais precisam são mulheres e crianças.

A questão tem até contornos históricos: as mulheres passaram a ter direito a ter um CPF próprio somente em 1962, no mesmo momento em que começaram a ascender no mercado de trabalho. Ou seja: só ganhamos o direito de ter nossa uma conta individual no banco e a ganhar nosso próprio dinheiro há poucas décadas. Os homens vêm fazendo isso há séculos.

A OCDE ressalta que a mulher tem, além de tudo, um papel multiplicador: ao aprender a cuidar melhor do seu dinheiro, ela leva este conhecimento para seus filhos, famílias e amigos.

Para completar, os desafios da mulher hoje são completamente diferentes daqueles dos homens. Segundo o IBGE, a mulher ganha ainda 30% a menos do que o homem no Brasil. Ela é também a principal responsável pelas tarefas domésticas e responsabilidades familiares – de acordo com um levantamento, as mulheres gastam, em média 25 horas por semana com estas tarefas, contra 4 horas dos homens. E o pior: elas ganham menos, têm mais trabalho, e conquistam menos cargos de liderança.

Então sim, educação financeira para mulheres é fundamental. É o que vai permitir que elas assumam o controle da sua vida e não tenham medo de negociar um aumento ou pedir uma promoção. É o que vai permitir que elas consigam guardar dinheiro para correr atrás dos seus sonhos.

A mulher ganha 30% a menos do que o homem no Brasil. Ela é também a principal responsável pelas tarefas domésticas e responsabilidades familiares

Porque a regra fundamental da educação financeira é simples: gaste menos do que você ganha. Você não enriquece com o que ganha, mas com o que gasta. Guarde um pouco todo mês – e invista este dinheiro direito, para poder juntar um patrimônio. É assim que podemos deitar a cabeça no travesseiro e dormir tranquilas, sabendo que aconteça o que acontecer, a sua vida está garantida.

Por isso, te faço um convite: seja você homem ou mulher, compartilhe este texto com uma mulher – uma amiga, sua mãe ou namorada. Vamos espalhar esta mensagem: mulher empoderada é mulher que guarda seu dinheiro e sabe investi-lo bem.

Assista ao TEDx de Carol Ruhman:

Saber investir pode empoderar uma mulher
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