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14 de dezembro de 2017 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Selic atinge o menor patamar histórico: 7% ao ano. O que isso significa?

14 de dezembro de 2017

No dia 6 de dezembro de 2017, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu conduzir a economia brasileira ao menor patamar histórico dos juros. A taxa Selic firmada em 7% ao ano significa que estamos nos movimentando, como diria o poeta Camões, por mares nunca dantes navegados.

Assim, a taxa básica nominal de juros da economia brasileira caminha para patamares mais próximos aos dos países desenvolvidos. Porém, quando analisamos sob a ótica dos juros reais (descontando a inflação), o Brasil caiu apenas uma posição no ranking de países com as maiores taxas de juros no mundo. Estamos em quarto lugar, atrás da Turquia, Rússia e Argentina.

O Copom informou ainda, em seu comunicado ao mercado, a possibilidade de mais um corte de 0,25% na Selic na próxima reunião1. Aumentaremos a distância dos novos horizontes navegados se a Selic chegar a 6,75% ao ano em fevereiro de 2018.

Inflação abaixo da meta

Um fato interessante é que a inflação pode encerrar o ano de 2017 bem abaixo da meta estabelecida pela política econômica. Uma das funções do Banco Central é entregar a inflação, ao final de cada ano, dentro da meta, que, para o ano de 2017, é 4,5%, com limite de tolerância de 1,5% para mais ou menos.

Com os números recentes medidos pelo IPCA, principal indicador da inflação na nossa economia, a expectativa é que a inflação encerre o ano em 2,97%, um pouco abaixo do limite inferior da meta, e com isso o Banco Central pode ter de prestar contas ao Presidente da República.

A fuga dos limites de tolerância da meta já havia ocorrido outras quatro vezes desde a criação do Plano Real. Em todos os casos, porém, o motivo foi o estouro do teto da meta, ou seja, por excesso de inflação — e não pela falta dela, como está acontecendo.

Veja o gráfico que evidencia a relação entre a taxa de juros e a inflação desde 2003:

Gráfico da relação entre juros e inflação

Fonte dos dados: Banco Central do Brasil

Nessa toada, vem se tornando recorrente dizer que a “espinha dorsal” da inflação foi quebrada. Isso quer dizer que a dinâmica de inflação passou de um ritmo no qual cada mês de alta influenciava uma nova alta no mês seguinte para uma dinâmica de baixas subsequentes — especialmente nos preços dos alimentos, que sofreram uma desinflação fortíssima neste ano, da ordem de 5%.

Os juros voltarão a subir?

Os esses efeitos da queda dos juros e da inflação são positivos para a retomada da economia e nível de emprego da população.

Em meados de 2012 e 2013, havíamos chegado a um patamar semelhante ao atual de taxas de juros, mas ele não se sustentou por muito tempo. Hoje, temos um contexto macroeconômico bem diferente, inclusive o global (saiba mais aqui). Na nossa economia, duas importantes diferenças são o nível de inflação recente e as expectativas do mercado ancoradas por um Banco Central com credibilidade suficiente para tomar suas decisões.

Como citamos no último artigo da série Economia em 5 Minutos, a grade questão lançada é: até onde vão os cortes nos juros? Em que nível da Selic o Banco Central irá se sentir satisfeito? Bem, considerando os últimos dados econômicos e também a ata da reunião do Copom, é possível esperar que será abaixo de 7% ao ano.

Você sabia que o Banco Central trabalha com um horizonte de tempo para a taxa de juros de quase um ano à frente? Essa noção não costuma ser muito divulgada. Funciona como um binóculo econômico, onde os níveis da taxa Selic atual são estimados para afetar a economia um ano a frente, efeito conhecido como lag temporal2.

Levando isso em conta, a pergunta sobre o futuro dos juros faz ainda mais sentido: por quanto tempo a Selic vai permanecer baixa? Ou melhor, quando começará o novo ciclo de altas dos juros? O patamar atual da Selic pode de fato não se mostrar sustentável, principalmente considerando a necessidade de reformas fiscais, o cenário político esperado para os próximos meses e, claro, certa pressão inflacionária que pode ser gerada com a retomada do crescimento econômico.

Ainda é cedo para qualquer tipo de previsão, mas o fato é que continuaremos nessa dicotomia entre ótimos fundamentos macroeconômicos e incertezas políticas e fiscais. Enquanto isso, o que é certo é que os juros vêm caindo e estão em patamares muito menores do que os historicamente registrados em terras tupiniquins.

Sabia que você pode ler as atas das reuniões do Copom? É uma leitura densa, mas se você tiver curiosidade, confira as notas da última reunião.

2 Para se aprofundar no entendimento do conceito de lag temporal, veja este estudo sobre estruturas temporais de taxas de juros.

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