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8 de setembro de 2015 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Será que o preço baixo já compensa o risco?

8 de setembro de 2015

Agosto foi um mês ruim para a economia brasileira. Entre outros indicadores, podemos destacar que o real sofreu forte desvalorização frente ao dólar e a nossa bolsa de valores teve o pior mês de 2015. Juntos, porém, esses dois fatores criam um cenário inusitado: medindo seu preço em dólares, o Índice Bovespa atingiu em agosto um patamar inferior àquele do auge da crise financeira mundial de 2008. O que isso pode significar?

Sempre ouvimos dizer que a economia é cíclica. Achar explicações depois que os movimentos acontecem é muito fácil, mas prever o ponto da virada onde termina um ciclo e começa outro é uma tarefa talvez impossível, devido à infinidade de fatores – simples e complexos, previsíveis e imprevisíveis – que determinam esses movimentos.

Porém, tomando o ponto de vista do capital estrangeiro, o Brasil pode ter ficado mais atraente nos últimos meses. Muitos investidores estrangeiros saíram do nosso país em 2015, por diversos fatores. Para quem está no Brasil, a sensação é que está cada vez mais difícil enxergar uma luz no fim do túnel.

Imagine-se no lugar de um investidor estrangeiro. Tudo no Brasil está mais barato, muito mais barato

Agora, imagine-se no lugar de um investidor estrangeiro. Tudo no Brasil está mais barato, muito mais barato. Isso vale tanto para o capital especulativo quanto para o capital produtivo. A bolsa brasileira está no patamar da crise de 2008 (em dólares), as matérias-primas estão baratas, a mão de obra está barata, até os imóveis – que tinham alcançado preços alegadamente irreais quando comparados a imóveis nos Estados Unidos – parecem estar baratos agora para quem vem de fora comprar ou alugar em dólares. “Negócio bom assim ninguém nunca viu”, como já dizia Raul Seixas.

Como o investidor estrangeiro vê a bolsa brasileira: o Ibovespa em dólar

Veja no gráfico, o Ibovespa ajustado pelo dólar. É assim que o investidor estrangeiro enxerga a bolsa brasileira. Hoje, estamos abaixo do pior momento da crise de 2008. O Ibovespa está uma pechincha para quem tiver coragem de vir de fora.

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É claro que isso por si só não gera mudança. Ainda existem um cenário de instabilidade econômica mundial e uma descrença generalizada nos próximos passos da política econômica brasileira – fatores que contribuem para manter nas alturas o risco de investir no Brasil. E isso pode fazer com que as coisas ainda demorem para melhorar. E mais: ainda pode piorar.

Mesmo assim, para alguns tipos de investidores internacionais o Brasil começa a valer a pena. Risco alto com prêmio alto.

Ao mesmo tempo, o câmbio que desfavorece nossas viagens ao exterior faz com que os produtos nacionais se tornem muito mais baratos no mercado internacional. As nossas importações diminuem e as exportações ficam mais competitivas. Nas palavras de Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú-Unibanco, o Brasil ganha competitividade via empobrecimento.

Esse fenômeno pode ser traduzido em bom português como “tá tão ruim, que tá bom” – tão ruim para nós, que começa a ficar bom para atrair capital estrangeiro.

Esse fenômeno pode ser traduzido em bom português como “tá tão ruim que tá bom”, principalmente para o estrangeiro

Que conclusão nós tiramos disso e quais previsões fazemos para o futuro? Nenhuma. No momento atual, o mercado anda “nervoso” e respondendo exageradamente a qualquer notícia. As decisões tomadas sobre a política econômica do país têm forte impacto sobre os próximos movimentos da bolsa – provavelmente mais impacto do que qualquer fundamento econômico. É tempo de cautela, e é necessário estar preparado para qualquer cenário.

Muita coisa está acontecendo aqui na Vérios. Estamos cuidando dos preparativos para lançar um serviço de investimento inédito no Brasil. Por isso, vamos diminuir o ritmo dos artigos e suspender temporariamente a série Economia em 5 Minutos. Contamos com a sua compreensão 🙂

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8 de setembro de 2015
Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

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Autores

Economista pela Unicamp com Certificação de Gestores Anbima (CGA) e programadora nas horas vagas, Aninha foi Head de Customer Experience na Vérios e ajudou a construir nosso modelo de atendimento próximo e eficiente, que se tornou referência no mercado financeiro

Um dos cofundadores da Vérios, Resende é gestor de recursos credenciado pela CVM e especialista em Data Science

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