“Ter dinheiro guardado me deu segurança para dar novos passos na carreira”

Vérios Entrevista - Eduardo Castro

Este artigo inaugura uma nova série em nosso blog. Adoramos compartilhar as histórias e trajetórias de aprendizado de quem investe conosco. Algumas dessas pessoas, porém, têm um perfil diferente: especialistas no mercado financeiro, elas são, digamos, fluentes no tal financês! Em tese, não precisariam da ajuda da Vérios para gerir seus investimentos. Ainda assim, elas nos escolheram. Na série de artigos Vérios Entrevista você vai conhecer as motivações, visão de mundo e opinião sobre investimentos de notáveis amigos do nosso robô Ueslei.

Para inaugurar a série, uma entrevista com um mineiro de Belo Horizonte, o economista Eduardo Castro.

Vérios: Qual a sua formação acadêmica e experiência profissional?

Eduardo: Sou economista de formação, com Ph.D. em Economia Política. Já trabalhei no Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington DC e hoje trabalho no Banco Central do Brasil, no departamento de Monitoramento do Sistema Financeiro.

Vérios: Como você direcionou sua carreira para a área de finanças? Sempre pensou em trabalhar nessa área?

Eduardo: Desde cedo, antes de entrar na universidade, me interessei pelos mistérios da economia, do crescimento econômico e da distribuição de riqueza nas sociedades. Não me interessava propriamente por finanças. A ciência econômica e as finanças têm interseções mas não são exatamente a mesma coisa. Os caminhos que minha carreira tomou (muitos deles fora do meu controle) exigiram que eu aprendesse mais sobre finanças.

Vérios: Vamos falar sobre sua relação com os investimentos. Você lembra quando começou a poupar dinheiro? O que você pensava, qual era a sua motivação ou objetivo?

Eduardo: Eu comecei a poupar dinheiro desde o meu primeiro emprego. Minha motivação era ter segurança econômica, e não propriamente para gastar o dinheiro. Ter dinheiro guardado me deu segurança para dar outros passos profissionais, para ousar sair de um emprego em busca de outro melhor, para ir estudar no exterior, para abrir mão de um emprego no exterior e voltar para o Brasil…

Ter dinheiro guardado me deu segurança para ir estudar no exterior e depois para abrir mão de um emprego no exterior e voltar para o Brasil

Vérios: Qual a sua opinião sobre a forma como os brasileiros poupam e investem dinheiro?

Eduardo: A forma do brasileiro de interagir com o mercado financeiro mudou bastante nos últimos 10 a 15 anos. E isso tem a ver com a estabilização da economia após o Plano Real e ao período de crescimento econômico aproximadamente de 2002 a 2013, por aí. Antes, havia relativamente baixo acesso a serviços financeiros e à poupança financeira. As aplicações eram quase que inteiramente feitas em bancos, em instrumentos simples tais como cadernetas de poupança e depósitos à prazo.

Hoje, o volume de instrumentos financeiros em circulação é bem maior. O brasileiro tem mais acesso a serviços financeiros e tem mais conhecimento e confiança no sistema. Veja que até mesmo pequenos poupadores têm acesso ao Tesouro Direto e o usam efetivamente. Li recentemente que metade das transações do Tesouro Direto no último mês foram de valores abaixo de R$ 1 mil.

Vérios: Como você percebe o mercado financeiro brasileiro? Quais seriam os pontos fortes e onde acredita que o país e as instituições financeiras em geral poderiam melhorar?

Eduardo: O mercado brasileiro está se transformando bastante. Talvez a maior novidade tenha sido a entrada das corretoras independentes (tais como a XP, Easynvest e a Rico) que deram acesso aos brasileiros a um verdadeiro supermercado de instrumentos para investimento. Concorrência é sempre bom para gerar inovações.

Por outro lado, o grande problema, já bem conhecido, é o custo do crédito para o tomador de empréstimos. As taxas de juros cobradas nos empréstimos são bem maiores que a taxa Selic e isso representa um entrave ao crescimento do país. A gente espera que as iniciativas recentes do Banco Central para baixar o custo do crédito deem frutos.

Vérios: Como você conheceu a Vérios?

Eduardo: Eu conheci a Vérios por meio de uma amiga com quem fiz doutorado nos Estados Unidos. O irmão dela é um dos matemáticos por trás do algoritmo Ueslei de alocação de carteira da Vérios.

Vérios: Pelo seu perfil e bagagem de conhecimento, você talvez pudesse gerir seus investimentos por conta própria. O que te levou a escolher a Vérios para cuidar disso para você?

Eduardo: Eu escolhi a Vérios porque reconheci a minha ignorância para avaliar as implicações de cada escolha de título no Tesouro Direto. Eu abria a página do Tesouro Direto, encarava bem a lista de títulos à disposição para venda e me perguntava: “What the hell? E agora? Onde invisto?”.

Eu conheço apenas regras de bolso de investidores: “pré-longo é volátil” e “pós-curto não aproveita queda da Selic” e pronto. Ora, estou convencido que regras de bolso são receitas para erros sistemáticos. Conhecer a Vérios resolveu minha ansiedade.

Regras de bolso são receitas para erros sistemáticos. Conhecer a Vérios resolveu minha ansiedade

Vérios: Você contou pra gente que escolher os títulos do Tesouro Direto “não é igual a escolher o almoço no cardápio do restaurante”. Na sua opinião, quais os cuidados que as pessoas que decidem investir em títulos públicos por conta própria deveriam tomar?

Eduardo: Quem quiser investir por conta própria deve fazer um curso avançado de finanças para entender tudo o que há sobre asset pricing (precificação de ativos) em renda fixa. Se não fizer isso, é melhor consultar um profissional.

Vérios: Aqui na Vérios recebemos muitas perguntas sobre o “melhor momento” para comprar e vender os títulos do tipo Prefixado e IPCA+, cujos preços oscilam bastante. Você acredita que faz sentido a tentativa de “tradar” com títulos públicos?

Eduardo: Pra mim, não faz sentido. Já recusei sugestões para realizar ganhos liquidando minha posição no Tesouro Direto na hora em que a expectativa da Selic futura caiu, há alguns meses. Ora, não fazia sentido sair dos títulos para entrar de novo logo em seguida. Só faz sentido sair na hora de dar outra finalidade ao dinheiro (comprar uma casa para morar, por exemplo) ou para gastá-lo como complemento de aposentadoria.

Já recusei sugestões para realizar ganhos liquidando minha posição no Tesouro Direto na hora em que a expectativa da Selic futura caiu

Vérios: Qual foi o seu maior aprendizado lidando com investimentos?

Eduardo: Paciência. Fique de olho nos fundamentos do seu investimento. Ignore as flutuações do dia-a-dia. Se os fundamentos forem bons, pode dormir tranquilo.

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