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24 de setembro de 2015 Ultima atualização: 17 de agosto de 2018

Tesouro Direto fica arriscado após Brasil perder grau de investimento?

24 de setembro de 2015

A Standard & Poor’s rebaixou a classificação de risco do Brasil, que passou do “grau de investimento” para o “grau especulativo”, na avaliação daquela agência de risco. Com isso, os títulos do Tesouro Direto ganharam ainda mais destaque como opção de investimento.

Você entendeu a ligação entre uma coisa e outra? Por que a piora da nossa economia aumenta a atratividade desses títulos? E o risco, como fica?

Entenda o grau de investimento

O rating, ou classificação de risco, é a nota dada a uma empresa, país ou título para medir o risco de crédito desse investimento. Serve para indicar a capacidade de um país ou empresa pagar suas dívidas e as chances de não conseguir, atrasando o pagamento ou dando calote.

Essa avaliação é feita por agências de rating, ou agências de classificação de risco, sendo que as mais respeitadas no mundo são Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch Ratings.

A importância dessas classificações é que muitos investidores institucionais (grandes fundos com bilhões de dólares) possuem limitações nas suas regras, que só permitem investir em países ou títulos com classificação acima de determinado nível. O ponto de corte mais comum é o “grau de investimento”. Veja onde está o Brasil hoje:

Tabela comparativa das escalas de classificação de risco das agências Standard & Poor's, Moody's e Fitch Ratings, com posição do Brasil em cada

A perda desse “selo de qualidade” traz consequências, na medida em que aumenta a percepção de risco de calote do nosso país no mundo. Assim, para continuar atraindo recursos, o Brasil precisa oferecer taxas de juros mais altas, ou seja, oferecer maior rentabilidade para quem investe em títulos públicos brasileiros.

Isso faz com que a rentabilidade ofertada do Tesouro Direto aumente, e as empresas e bancos que quiserem continuar captando recursos precisam aumentar os juros que pagam nos seus títulos privados também.

E o risco, como fica?

Quem acompanha nossos artigos sabe que não existe almoço grátis. Aumento de rentabilidade vem sempre acompanhado de aumento do risco (podendo a relação entre as duas coisas ser mais eficiente ou menos eficiente).

O que muita gente não percebe é que essa regra se aplica também na renda fixa. É aquilo que já discutimos no artigo Alta dos juros: os dois lados da moeda:

Esquema: quando aumentam os juros, aumenta a rentabilidade e o risco dos títulos de crédito privado

O aumento da rentabilidade nos ativos de renda fixa está diretamente relacionado ao aumento do risco de calote, ou seja, do risco do investidor não receber o valor combinado. E isso vale para os títulos privados, como LCI, LCA e CDB, e também para os títulos públicos, que são aqueles vendidos no Tesouro Direto.

Aumento da rentabilidade na renda fixa está diretamente relacionado ao aumento do risco de calote

É por isso que a jornalista da Rede Globo afirma, no vídeo abaixo, que “aplicar o dinheiro no Tesouro Direto pode ser uma boa opção nesse momento complicado da economia, mas tem risco, viu?“.

Clique na imagem para assistir o vídeo no site da Rede Globo
Clique na imagem para assistir ao vídeo no site da Rede Globo

A diferença é que a capacidade de pagamento do país é muito superior à de qualquer empresa atualmente. Se faltar dinheiro, o país pode inclusive imprimir mais moeda para pagar o investidor (causando inflação, que é um outro problema). Isso torna os títulos públicos muito mais seguros que os títulos privados.

O risco mais grave, que é o risco de calote, praticamente não existe. De que risco, então, a a repórter está falando? No vídeo, o analista financeiro Roberto Indech, da Rico Corretora, explica melhor: o risco que existe no Tesouro Direto é a volatilidade de preços dos papéis.

Por isso ele recomenda: “a nossa recomendação é que os investidores levem [os títulos] até o vencimento“. Essa recomendação faz sentido nos títulos prefixados, pois a rentabilidade final é previsível desde o momento da compra. As oscilações de preço não afetam a rentabilidade final. O problema é que alguns investidores se assustam com a volatilidade e resgatam antes da hora, causando (aí sim!) prejuízo a si mesmos. É um risco emocional.

O maior problema da volatilidade é o risco emocional do investidor tomar decisões erradas por medo e resgatar antes da hora

Quem pode ter perda do capital investido nesses títulos é o investidor que resgata antes do vencimento.

Investir no Tesouro DiretoUma boa opção também para fugir da volatilidade é investir no Tesouro Selic. Nessa modalidade, o investidor recebe juros de mercado, mesmo se resgatar antes do vencimento. É por isso que o Tesouro Selic é utilizado para diminuir o risco das carteiras de investimento. Quanto mais conservador você for, maior a parcela recomendável de Tesouro Selic na sua carteira.

Um desafio

Por fim, deixo um desafio para quem assistiu o vídeo. Além do título um tanto alarmista, que é questionável, a matéria tem um erro técnico bem objetivo. Um dos jornalistas diz uma coisa categoricamente errada, mas é um detalhe que só os mais atentos perceberão.

Você consegue identificar o que foi? O primeiro a responder corretamente nos comentários fica convidado para conhecer a nossa equipe e o nosso novo escritório, no Cubo. É só vir até a Vila Olímpia e a gente conversa sobre as inovações que estamos desenvolvendo. Que tal?

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24 de setembro de 2015
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CEO da Vérios, a fintech que te ajuda a fazer investimentos inteligentes, de forma fácil, rentável e segura. Pode confiar. Felipe conta com mais de 10 anos de atuação no mercado financeiro, e em 2011 cofundou o site Comparação de Fundos, primeiro a dar transparência a mais de 15 mil fundos de investimento. É advogado pela USP e pós-graduado em Finanças Corporativas e Investment Banking pela FIA.

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