Os títulos públicos são ativos de renda fixa emitidos pelo Tesouro Nacional para financiar a dívida pública nacional. Eles possuem diversas características que o investidor brasileiro adora, como a grande previsibilidade de retorno, liquidez diária, baixo custo, baixíssimo risco de crédito, e a solidez de uma instituição enorme por trás.

Ainda assim, num país com 200 milhões de habitantes, dentre os quais 140 milhões possuem contas bancárias ativas, o número de investidores no Tesouro Direto é modesto (eram pouco mais de 2 milhões cadastrados em março de 2018, dos quais cerca de 590 mil eram investidores ativos). É uma pena, pois os títulos públicos podem proporcionar boa rentabilidade com excelente segurança, mas poucas pessoas entendem como eles funcionam.

O que são títulos públicos

Os títulos públicos são ativos de renda fixa, ou seja, seu rendimento pode ser dimensionado no momento do investimento. Alguns desses títulos possuem baixíssima volatilidade, enquanto outros podem apresentar oscilações de preço ao longo do tempo. Isso porque a rentabilidade pode ser dimensionada de várias de formas diferentes, de acordo com o tipo de título, como veremos mais adiante neste artigo.

Os títulos públicos federais são emitidos pelo Tesouro Nacional, que representa a disponibilidade financeira do governo federal brasileiro. Ao comprar um título público, você empresta dinheiro para o governo brasileiro em troca do direito de receber no futuro uma remuneração por este empréstimo, ou seja, você receberá o que emprestou mais os juros sobre esse empréstimo.

O principal caminho para investir em títulos públicos é o Tesouro Direto, o programa do Tesouro Nacional desenvolvido em parceria com a B3 (antiga BM&F Bovespa) para venda de títulos públicos federais para pessoas físicas, por meio da internet. 

Investimento livre de risco

Ao investir no Tesouro Direto, você opta pelo tipo de investimento com o menor risco de crédito da economia brasileira, pois os títulos públicos são 100% garantidos pelo Tesouro Nacional. Ou seja, não existe o risco de o emissor dos títulos declarar falência e não lhe pagar, como pode ocorrer nos CDB, LCI e LCA, por exemplo1. Isso faz com que o mercado se refira ao Tesouro Selic (LFT) como o investimento livre de risco em nossa economia.

Títulos públicos são o tipo de investimento com o menor risco de crédito da economia brasileira

Há, porém, outros tipos de riscos. Os títulos prefixados e os títulos atrelados à inflação podem apresentar volatilidade, enquanto os títulos pós-fixados podem correr o risco de ficar abaixo da inflação em alguns períodos (cenário improvável para os títulos públicos, mas possível). Se você não entender corretamente o funcionamento dos títulos públicos, pode até perder dinheiro (clique aqui para saber mais sobre isso).

Para evitar esses riscos, o segredo é entender exatamente como funciona cada tipo de título público e ter consciência sobre quais são os seus objetivos pessoais ao investir. Assim, você poderá comprar os títulos adequados às suas necessidades.

Tipos de títulos públicos

No Tesouro Direto você pode escolher entre diversos tipos de títulos, que podem ser divididos entre dois grupos: prefixados e pós-fixados.

Prefixados são aqueles para os quais você sabe exatamente a rentabilidade que irá receber se mantiver o título até a data de vencimento. Esses títulos são indicados se você acredita que a taxa oferecida para o período (prefixada) será maior que a Taxa Selic, a taxa de juros básica da economia.

Por terem rentabilidade predefinida, seu rendimento é nominal. Isso significa que é necessário descontar a inflação para obter o rendimento real da aplicação.

Pós-fixados são aqueles cujo valor é corrigido por um indexador. Assim, a rentabilidade da aplicação é composta pela Selic (taxa de juros) ou por uma taxa predefinida no momento da compra do título mais a variação do IPCA (índice de inflação).

Antes de investir em títulos públicos, é importante entender cada tipo disponível. Por isso, compilamos suas características, e já organizamos tudo pela nomenclatura oficial em vigor desde 2015.

Características dos títulos oferecidos pelo Tesouro Direto

Leia também: Em que título do Tesouro Direto investir?

Liquidez dos títulos públicos

Desde 2015, os títulos públicos federais contam com liquidez diária. Caso o investidor não deseje aguardar o vencimento, o Tesouro Nacional garante a recompra diária dos títulos adquiridos no Tesouro Direto. Ou seja, você poderá vender antecipadamente os títulos ao Tesouro Nacional, todos os dias, a preços de mercado.

O agendamento da venda pode ser realizada pela internet, das 18h dos dias úteis às 5h do dia seguinte. Nos fins de semana e feriados, o agendamento pode ocorrer a qualquer hora do dia. Em todos os casos, as transações são concluídas com os preços de fechamento de mercado e o pagamento da venda ocorrerá no dia útil subsequente à venda.

Custos dos títulos públicos

Investir no Tesouro Direto é barato. Há basicamente duas taxas: uma cobrada pela BM&F Bovespa, outra pela sua corretora. Sim, para investir no Tesouro Direto é necessário abrir conta em uma corretora.

Leia também: Taxas do Tesouro Direto: tire suas dúvidas

A B3 (antiga BM&F Bovespa) cobra uma taxa de custódia de 0,30% ao ano sobre o valor dos títulos, referente aos serviços de guarda dos títulos e às informações e movimentações dos saldos. Essa taxa é igual em qualquer corretora.

A corretora pode pactuar as taxas diretamente com seus clientes. Algumas corretoras cobram taxas de transação (que incidem sobre os aportes e resgates), mas o mais comum é cobrar apenas uma taxa de administração. A taxa de administração é um percentual do valor dos títulos, aplicado anualmente. Atualmente muitas corretoras não cobram essas taxas.

Se você investe no Tesouro Direto, é importante estar atento e fugir de corretoras que cobram taxas elevadas

De acordo com a lista no site do Tesouro Direto, as taxas de administração podem variar de 0 a 2% ao ano, dependendo da corretora, do cliente e da negociação. Se você investe no Tesouro Direto, é importante estar atento e fugir de corretoras que cobram taxas elevadas. Isso é muito importante porque, em investimentos, quanto mais você paga, menos você tem.

Além disso, evite também as ofertas de "se livrar" da taxa de custódia da B3. Quando você compra um título do Tesouro Direto, esse título é registrado no serviço de custódia da B3, chamado CBLC. O registro é feito em seu nome, vinculado ao seu CPF. A corretora aparece na CBLC apenas como a intermediária, e não como proprietária dos títulos.

Assim, os títulos fazem parte do seu patrimônio e não do patrimônio da corretora, o que lhe dá segurança contra um eventual problema financeiro ou fraude na corretora. Quando você aceita uma oferta de retirar seus títulos da CBLC, seu investimento pode ficar livre de taxas, mas fica vulnerável a fraudes.

Tributação dos títulos públicos

O Imposto de Renda (IR) incide sobre a rentabilidade proporcionada pelos títulos, e seu pagamento ocorre na venda (resgate), no recebimento dos juros semestrais ou no vencimento do título. Quanto mais tempo você mantiver o investimento, menor é a alíquota de tributação, que vai de 22,5% a 15%. O investimento atinge a alíquota mais baixa ao completar 720 dias (2 anos).

Esse incentivo para os investimentos de longo prazo faz sentido para o governo, que ganha mais previsibilidade e segurança no gerenciamento da dívida pública.

O investimento de curtíssimo prazo é desincentivado através da cobrança de IOF para aplicações inferiores a 30 dias.

Diversifique além dos títulos públicos

Vimos que os títulos públicos são os investimentos com o menor risco de crédito no Brasil. Por isso, muitos brasileiros sente-se seguros em depositar todas as suas reservas financeiras em títulos do Tesouro Direto, mas essa também não é uma boa ideia.

Os títulos públicos permitem alguma diversificação, já que há tipos com exposições diferentes como juros pré, juros pós e inflação. Mas essas categorias sozinhas não são suficientes para uma carteira verdadeiramente diversificada e preparada para enfrentar o desafio do longo prazo. Uma poupança de longo prazo precisa de ativos com maior potencial de valorização, com exposição à economia real, como as ações de empresas negociadas em bolsa de valores.

A diversificação é uma regra de bolso para qualquer decisão de investimento e deve ser acompanhada de um processo de rebalanceamento disciplinado. A alocação somente em títulos públicos deixa pouca margem também para que investidor se beneficie com o rebalanceamento regular da carteira.

Leia também: Diversificação: o que você precisa saber

Vantagens e desvantagens dos títulos públicos

Vantagens

Segurança: é o investimento de menor risco de crédito no Brasil e possui opções de baixíssima volatilidade
Acesso: basta ter conta em uma corretora para investir em títulos

Liquidez: os títulos são recomprados diariamente pelo Tesouro Nacional

Previsibilidade: a rentabilidade é altamente previsível nos títulos expostos a juros prefixados e pós-fixados

Proteção contra a inflação: rentabilidade real garantida acima do IPCA nos títulos expostos a inflação

Geração de renda recorrente: os títulos com pagamento semestral garantem um ganho para o investidor mesmo em momentos adversos do mercado

Custo: os custos de aquisição e manutenção são muito inferiores à grande maioria dos investimentos

Desvantagens

Dificuldade de escolha: as características de cada título podem dificultar a seleção. É importante ter uma estratégia de investimento

Volatilidade do mercado: caso você resgate antes do vencimento, pode pegar momentos ruins do mercado

 

 

 

 

 

Os títulos públicos são a forma de investir mais segura do Brasil. Ainda assim, fica o questionamento: e se o governo quebrar? Como a dívida será paga? Assista ao vídeo abaixo do canal da Vérios no YouTube e entenda as chances de isso acontecer.

Já pensou em investir de forma diversificada nos títulos do Tesouro Direto e pequenas parcelas de ações da bolsa brasileira e norte-americana, de um jeito bem prático? A Vérios pode ajudar. Use o nosso simulador de investimentos e descubra a alocação em cada título recomendada para você.

Referências

Balanço e estatísticas do Tesouro Direto
Projeção da população brasileira (IBGE)
Estatísticas do Cadastro de Clientes do Sistema Financeiro Nacional (Banco Central do Brasil)

1O prejuízo causado por uma eventual inadimplência em CDB, LCI e LCA é reduzido quando o investimento é de até R$ 250 mil por CPF por instituição, devido à garantia do FGC.


Este texto foi útil para você?

Títulos públicos: o que são e como funcionam
4.7 (94.4%) 25 votes

Categorias: Como funcionam, Iniciante, Tipos de investimentos>Títulos públicos