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5 de agosto de 2019 Ultima atualização: 13 de agosto de 2019

Valor Econômico: Alfa e beta no Brasil dos juros baixos

Já viu esses dois novos colunistas do jornal Valor Econômico? Pedro e Felipe publicaram a última "Palavra do Gestor".

5 de agosto de 2019

Na última sexta-feira, dia 02/08/2019, nossos diretores apareceram de novo no Valor Econômico. Só que, dessa vez, eles não foram entrevistados. O Felipe e Pedro fizeram sua primeira contribuição como colunistas do jornal! Na coluna Palavra do Gestor, eles expuseram uma interessante visão sobre como a redução da taxa básica de juros afeta os principais tipos de gestão: passiva e ativa, alfa e beta. Confira abaixo o texto na íntegra!

Alfa e beta no Brasil dos juros baixos

Admirável mundo novo dos juros de um dígito. A magnitude das mudanças que o novo patamar de taxa de juros está causando no mercado financeiro brasileiro é enorme.

Foto da coluna no jornal impresso
A versão impressa circulou no nosso escritório em São Paulo

Estamos vivendo um momento de completa reinvenção, tanto da forma como o investidor lida com seu dinheiro e aloca seus recursos, quanto da forma como a indústria financeira como um todo se posiciona, quais produtos oferta e principalmente quem os oferta. Somado ao efeito da taxa CDI em sua mínima histórica, temos o advento das corretoras digitais, que ampliam o acesso a um verdadeiro mundo de novas casas gestoras, com estratégias diferenciadas que, há não muito tempo atrás, eram restritas a poucos e seletos investidores. Nessa linha, os sinais atuais levam a crer que o mercado irá se especializar nos pontos extremos dos fatores do chamado modelo de Capital Asset Pricing Model (CAPM), sendo o beta e o alfa.

A partir do novo cenário de taxa de juros, o investidor, invariavelmente, terá de tomar maiores riscos para obter as mesmas rentabilidades do passado e terá de escolher entre investir em produtos cujo retorno é explicado por índices de mercado (beta) e pagar bem barato por isso, ou buscar fundos com equipes especializadas e que analisam diariamente o mercado em busca do tão sonhado alfa, o retorno acima do mercado.

Adotando a nomenclatura internacional, as casas gestoras voltadas a superar o mercado se tornaram verdadeiras “alpha shops”, onde a busca por retornos de longo prazo acima da média exigirá uma série de novas estratégias de diferenciação, especialmente neste país historicamente viciado em produtos de renda fixa.

O surgimento de mais e mais fundos quantitativos, fundos que investem em títulos nos mercados internacionais, crédito corporativo/debêntures, fundos imobiliários e tantos outros são manifestações dessa reinvenção da gestão ativa. Cada vez mais, as novas gestoras independentes deverão focar na busca da diferenciação de suas estratégias. Com isso, a gestão ativa deverá se tornar um trabalho artesanal, caso contrário o fundo não passará de uma commodity sem valor para agregar ao investidor.

Por outro lado, na gestão passiva, o país ainda engatinha em vários aspectos. Temos 16 ETFs (fundos de índices) no mercado brasileiro, representando um volume de R$ 15 bilhões, muito abaixo das métricas internacionais. Obviamente estamos avançando: observamos nos últimos meses a criação dos primeiros ETFs de renda fixa, um importante avanço para a indústria e principalmente para o investidor.

Novamente, utilizando da nomenclatura internacional, espera-se o surgimento de novas “beta factories”, casas gestoras especializadas em oferecer produtos que replicam índices de mercado dos mais diversos, como índices internacionais, setoriais e alavancados, tudo isso com baixíssimas taxas de administração e alta liquidez.

E, na mesma tendência, veremos o crescimento das casas de alocação de patrimônio pautadas por sistema de automação e personalização dos portfólios, os famosos robôs advisors, que ajudam o investidor a escolher e distribuir seus investimentos entre esses produtos, eliminando a complicação e a confusão a que a pessoa física, na maioria das vezes, ainda está exposta.

O funeral do CDI traz consigo essa nova realidade ao mercado financeiro, com finalmente as duas letras gregas clássicas dos livros de finanças encontrando seu devido lugar. É um sinal de amadurecimento do nosso mercado financeiro, sem dúvidas.

Para o investidor, o benefício é gigantesco. Para as gestoras, é um mundo completamente novo, com novos desafios. A grande questão é que com o avanço da tecnologia, a capacidade de diferenciação das estratégias tende a ficar menor, ou seja, um alfa no longo prazo tende a virar um beta, tornando-se possível replicá-la facilmente e por um custo muito baixo. Novamente, e talvez pela primeira vez nesse mercado, quem sai ganhando é o investidor.

Artigo publicado originalmente no jornal Valor Econômico de 02/08/2019, versão impressa e online.

Disponível em: https://www.valor.com.br/financas/6374695/alfa-e-beta-no-brasil-dos-juros-baixos

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5 de agosto de 2019
Ultima atualização: 13 de agosto de 2019

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